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Avaliação do Recém-Nascido com Dismorfismos

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Este é o texto completo do tema. Há um resumo para revisão e prova em Avaliação Dismorfológica do RN, com as mesmas fontes e a mesma conduta. Deformações (pé, crânio, quadril, torcicolo) estão em Deformidades Posicionais e Estruturais; as malformações que exigem cirurgia precoce, em Emergências Cirúrgicas Neonatais.

1.Importância do tema

O reconhecimento de dismorfismos no recém-nascido permite o diagnóstico precoce de síndromes genéticas e malformações, antecipando a investigação de anomalias associadas (cardíacas, renais, neurológicas), o manejo adequado e o aconselhamento genético da família. Uma abordagem sistemática evita tanto o subdiagnóstico quanto o rótulo precipitado.

2.Conceitos essenciais

TermoDefiniçãoExemplo
MalformaçãoDefeito intrínseco da morfogênese (erro de formação)Fenda palatina, cardiopatia congênita
DeformaçãoForma alterada por força mecânica sobre estrutura normalPé torto posicional por oligoâmnio (ver Deformidades Posicionais e Estruturais)
DisrupçãoDestruição de tecido previamente normalBridas amnióticas (amputações)
DisplasiaOrganização anormal das células em um tecidoDisplasias esqueléticas
SequênciaCascata de eventos a partir de um defeito inicialSequência de Pierre Robin; sequência de Potter
SíndromeConjunto reconhecível de anomalias com causa comumSíndrome de Down; síndrome CHARGE (gene CHD7, antes descrita como associação)
AssociaçãoAnomalias que ocorrem juntas mais que o acaso, sem causa única definidaVACTERL

Distinguir anomalia maior (com impacto médico/funcional, ex.: cardiopatia) de anomalia menor (variação sem repercussão, ex.: prega palmar única isolada). Três ou mais anomalias menores aumentam a chance de uma anomalia maior associada.

3.Anamnese e história familiar

4.Exame dismorfológico sistemático

Avaliar de forma ordenada, idealmente com medidas objetivas e fotos. O Ministério da Saúde orienta examinar todos os segmentos corporais na sala de parto e fazer o exame completo entre 12 e 24 h de vida (antropometria, oximetria, reflexo vermelho, Ortolani, entre outros); a DNV deve ser preenchida ou qualificada, de preferência, entre 24 e 48 h (NT nº 3/2026-SVSA/MS). A SBP pede que as anomalias maiores e menores sejam reavaliadas e registradas antes da alta, com os achados descritos mesmo sem diagnóstico (Manual de Seguimento do RN de Alto Risco, 2ª ed., 2024).

Sinais de alerta

Combinação de RCIU + múltiplas anomalias, defeito de linha média, cardiopatia + dismorfismos faciais, ou polimalformação, deve disparar avaliação genética e busca de anomalias internas (eco, US de abdome/rins, avaliação de SNC).

5.Principais síndromes reconhecíveis no RN

SíndromePistas no RN
Down (trissomia 21)Hipotonia, fendas oblíquas, prega palmar única, perfil achatado, hiperflexibilidade, cardiopatia (cerca de 50%: DSAV, CIA, CIV); a mais comum. Diagnóstico clínico; ao diagnóstico, cariótipo, ecocardiograma (mesmo sem sopro) e hemograma; TSH pelo teste do pezinho (SBP 2020). Vacinas e seguimento: ver documentos de síndrome de Down do site
Edwards (trissomia 18)RCIU, mãos cerradas com sobreposição de dedos, occipital proeminente, pés em mata-borrão; prognóstico reservado
Patau (trissomia 13)Defeitos de linha média, fenda labiopalatina, polidactilia, microftalmia, holoprosencefalia
Turner (45,X)Linfedema de mãos/pés, pescoço alado, baixa implantação capilar, coarctação de aorta

6.Exames complementares

7.Conduta, aconselhamento e notificação

8.Gravidade e encaminhamento

9.Comparação com as referências

ItemSBPMinistério da SaúdeAAPNICEAEPJohns HopkinsHarvardOxford / Cambridge
Versão consultadaDC de Genética — Diretrizes de atenção à saúde de pessoas com síndrome de Down, mar/2020; Manual de Seguimento do RN de Alto Risco, 2ª ed., 2024Guia prático: diagnóstico de anomalias congênitas, 2022; Portaria GM/MS nº 10.175, jan/2026, e NT nº 3/2026-SVSA/MSHealth Supervision for Children and Adolescents With Down Syndrome, mai/2022 (+ ACMG, EUA, nov/2021)Sem diretriz de dismorfologia localizadaPágina de protocolos de Genética e Dismorfologia não acessível; sem posição confirmadaSem posição localizada (páginas institucionais bloqueadas ao acesso)Sem protocolo público localizadoSeguem o NHS England: National Genomic Test Directory, v8.0, 2025
Exame e registroReavaliar e registrar anomalias maiores e menores antes da altaExame na sala de parto e entre 12–24 h; todas as anomalias na DNV; notificação compulsóriaExame físico é o teste mais sensível nas primeiras 24 h (Down)—————
Down no RNDiagnóstico clínico; cariótipo, ecocardiograma e hemograma; TSH pelo teste do pezinhoDiagnóstico clínico; cariótipo não é necessário para o registro na DNVCariótipo para confirmar (FISH se urgente); microarray inadequado; eco em todos—————
Polimalformado sem padrãoGenética clínicaMicroarray e exoma (Protocolo do MS, Portaria Conjunta nº 21/2020)ACMG: exoma/genoma como 1º ou 2º exame————Genoma rápido em trio no RN grave em UTI (R14)

Leitura: as referências localizadas concordam no essencial: exame sistemático com medidas, descrição objetiva sem rótulo precoce, busca de anomalias internas e encaminhamento à genética clínica com aconselhamento. Na síndrome de Down, SBP (mar/2020), MS (NT nº 3/2026) e AAP (mai/2022) pedem ecocardiograma para todos; divergem no papel do cariótipo — diagnóstico clínico, com cariótipo para o aconselhamento, na SBP e no MS; cariótipo para confirmar na AAP, que desaconselha o microarray nesse caso. No polimalformado sem padrão, a ordem dos exames varia com a disponibilidade: microarray e exoma no Protocolo do MS (2020), exoma/genoma como 1º ou 2º exame no ACMG (2021) e genoma rápido no RN grave no NHS (2025). NICE, AEP, Johns Hopkins e Harvard não têm documento de dismorfologia neonatal localizado. Posição do site: a da SBP (diagnóstico clínico do Down, cariótipo, ecocardiograma e hemograma; registro das anomalias antes da alta) e, onde ela não detalha, o Ministério da Saúde (notificação na DNV; microarray e exoma conforme o Protocolo de 2020).

10.Erros comuns

11.Pontos-chave para a prova

12.Casos clínicos comentados

Caso 1

RN a termo com hipotonia generalizada, fendas palpebrais oblíquas para cima, perfil facial achatado, prega palmar única e sopro cardíaco. Mãe de 39 anos.

1.A hipótese diagnóstica mais provável é:
Gabarito: B) Hipotonia, fendas oblíquas, perfil achatado, prega palmar única e cardiopatia, com idade materna avançada, compõem o quadro clássico da síndrome de Down.
2.Qual exame define o mecanismo genético e orienta o aconselhamento da família?
Gabarito: A) O diagnóstico do Down é clínico (SBP 2020; MS 2026), mas o cariótipo diferencia trissomia livre, translocação (importante para a recorrência) e mosaicismo; a AAP (2022) o usa também para confirmar. O microarray não distingue a translocação e não é o exame indicado.
3.Diante do sopro, qual avaliação é prioritária pela alta associação com a síndrome?
Gabarito: C) A cardiopatia congênita é frequente na síndrome de Down (com destaque para o defeito do septo atrioventricular), exigindo ecocardiograma na avaliação inicial — indicado a todo RN com Down, mesmo sem sopro (SBP 2020; AAP 2022).
0/3 acertos
Caso 2

RN com micrognatia acentuada, glossoptose e fenda palatina, evoluindo com obstrução respiratória alta e dificuldade alimentar, que melhoram em posição prona.

1.Esse conjunto (micrognatia + glossoptose + fenda palatina) caracteriza:
Gabarito: B) É a sequência de Pierre Robin: a hipoplasia mandibular (micrognatia) desloca a língua para trás (glossoptose) e impede o fechamento do palato (fenda) — uma cascata a partir de um defeito inicial.
2.A melhora da obstrução em posição prona explica-se por:
Gabarito: A) Em prona, a língua tende a cair para frente pela gravidade, desobstruindo a via aérea — medida postural inicial clássica na sequência de Pierre Robin.
3.Como classificar a fenda palatina em relação ao defeito inicial?
Gabarito: C) Na sequência, a fenda palatina é evento secundário: a língua deslocada impede a fusão das cristas palatinas. Por isso o conjunto é uma "sequência" e não anomalias independentes.
0/3 acertos

13.Referências

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Genética. Diretrizes de atenção à saúde de pessoas com síndrome de Down. Mar/2020. sbp.com.br
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Neonatologia. Manual de seguimento do recém-nascido de alto risco. 2ª ed. 2024. sbp.com.br
  3. Ministério da Saúde. Guia prático: diagnóstico de anomalias congênitas no pré-natal e ao nascimento. Brasília, 2022. bvsms.saude.gov.br
  4. Ministério da Saúde, SVSA. Nota Técnica nº 3/2026-SVSA/MS — notificação compulsória das anomalias congênitas (Portaria GM/MS nº 10.175, de 23/01/2026). gov.br/saude
  5. Bull MJ et al. Health supervision for children and adolescents with Down syndrome. Pediatrics. 2022;149(5):e2022057010. doi:10.1542/peds.2022-057010
  6. Manickam K et al. Exome and genome sequencing for pediatric patients with congenital anomalies or intellectual disability: an evidence-based clinical guideline of the ACMG. Genet Med. 2021;23(11):2029–2037. doi:10.1038/s41436-021-01242-6
  7. NHS England. National Genomic Test Directory — rare and inherited disease, v8.0, 2025 (R14). england.nhs.uk