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Deformidades Posicionais e Estruturais do Recém-Nascido

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O conceito de deformação × malformação está também em Avaliação do Recém-Nascido com Dismorfismos. A displasia do desenvolvimento do quadril tem documento próprio, que é a referência do site para o tema: Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ).

1.Importância do tema

Muitas alterações de forma no recém-nascido são posicionais (deformações por compressão intraútero ou postura), de bom prognóstico e resolução espontânea. Outras são estruturais e exigem tratamento precoce para evitar sequelas. Saber diferenciar evita tanto intervenções desnecessárias quanto atrasos prejudiciais.

2.Posicional x estrutural

Deformação posicionalMalformação estrutural
OrigemForça mecânica sobre estrutura normal (oligoâmnio, postura)Defeito intrínseco da formação
RedutibilidadeGeralmente redutível à manipulaçãoRígida, não redutível
PrognósticoBom; tende a melhorar espontaneamenteRequer tratamento específico

A redutibilidade ao exame é a pista clínica central para separar os dois grupos.

3.Pé: posicional x equinovaro congênito

Conceito-chave

O fator que diferencia é a rigidez/redutibilidade: o pé posicional reduz; o pé torto congênito não. Iniciar Ponseti precocemente melhora muito o resultado.

4.Crânio: plagiocefalia posicional x craniossinostose

Plagiocefalia posicionalCraniossinostose
CausaPressão repetida (decúbito) — aumentou com a posição supina para dormirFechamento precoce de sutura
SuturasPérvias; sem rebordo ósseoSutura fundida, com cristas palpáveis
Formato típicoCabeça em "paralelogramo" (orelha do lado achatado deslocada para frente)Depende da sutura (ex.: escafocefalia na sagital)
CondutaManter o sono em supino (AAP 2011); alternar a posição da cabeça, tummy time acordado e supervisionado, fisioterapia se houver torcicolo; órtese craniana em casos selecionados, a critério do especialistaAvaliação por neurocirurgia; muitas vezes cirúrgica. Diagnóstico clínico pela forma do crânio; radiografia ou tomografia se houver dúvida (SBP, Sinais de alerta na avaliação neurológica, 2020)
Sinal de alerta

Crista óssea palpável sobre a sutura e ausência de melhora com reposicionamento sugerem craniossinostose — encaminhar à neurocirurgia com prioridade, para imagem e avaliação especializada.

5.Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ)

Resumo — a conduta completa está em Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ).

6.Torcicolo muscular congênito

Encurtamento/fibrose do músculo esternocleidomastóideo: a cabeça inclina para o lado afetado e o rosto roda para o lado oposto; pode haver "nódulo" muscular palpável. Associa-se a plagiocefalia; o MS (2014) indica ultrassom do quadril no torcicolo congênito, enquanto a AAP (2016) não o considera fator de risco comprovado para DDQ — o site segue o MS. Tratamento inicial com fisioterapia (alongamento, posicionamento, estímulo da rotação ativa), de bom prognóstico quando precoce (MS 2014; diretriz de fisioterapia da APTA, 2024). Diferenciar de torcicolos não musculares (ósseo, ocular, neurológico).

7.Gravidade e encaminhamento

8.Comparação com as referências

ItemSBPMinistério da SaúdeAAPNICEAEPJohns HopkinsHarvardOxford / Cambridge
Versão consultadaMO Sinais de alerta na avaliação neurológica, 2020; Manual de Seguimento do RN de Alto Risco, 2ª ed., 2024Atenção à Saúde do RN, vol. 3, 2ª ed., 2014; Guia prático de anomalias congênitas, 2022Positional skull deformities, dez/2011; DDH, dez/2016 (reaf. 2021) (+ APTA, EUA, 2024, para torcicolo)Sem diretriz localizada; NHS NIPE handbook, 10/10/2025 (quadril)PrevInfad/AEPap — displasia de quadril, ago/2026Sem posição localizada (páginas institucionais bloqueadas ao acesso)Boston Children's — página de displasia do quadril (out/2026)Seguem o NIPE (NHS)
Pé torto congênitoSem documento localizadoRígido; manipulação e gesso semanais precoces; correção ~3 meses; cirurgias complementaresSem documento localizado—————
Plagiocefalia × craniossinostoseDiagnóstico clínico pela forma; imagem se dúvida—Manter o sono em supino; prevenir e manejar o achatamento; diferenciar da craniossinostose e encaminhar quando necessário—————
Torcicolo muscularDiferencial de distonia/torcicolo no lactenteFisioterapia precoce; indica ultrassom do quadrilNão é fator comprovado de DDQ (AAP 2016); APTA 2024: fisioterapia como 1ª escolha—Torcicolo sozinho não justifica ultrassom do quadril———
QuadrilVer a comparação completa em Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ).

Leitura: as referências concordam que a redutibilidade separa a deformação posicional (observar) da deformidade estrutural (tratar): o pé torto congênito rígido vai ao ortopedista para o método de Ponseti precoce (MS 2014), a plagiocefalia posicional se trata com reposicionamento sem abandonar o sono em supino (AAP 2011), a craniossinostose vai à neurocirurgia (SBP 2020; AAP 2011) e o torcicolo muscular, à fisioterapia (MS 2014; APTA 2024). No pé aduto, o MS (2014) descreve correção espontânea sem prazo, e a AAP (HealthyChildren, 2022) encaminha ao ortopedista o que persiste após 6 meses; AAFP e SEPEAP esperam a resolução até 1 ano. A divergência prática está na relação torcicolo–quadril: o MS indica ultrassom do quadril no torcicolo congênito, a AAP (2016) não o considera fator comprovado e o PrevInfad (2026) não o vê como suficiente sozinho. A SBP não tem documento de pé torto ou torcicolo localizado; NICE, Johns Hopkins e Harvard não têm documento próprio localizado sobre esses temas. Posição do site: a da SBP no crânio (diagnóstico clínico, imagem se dúvida) e, onde ela não se posiciona, o Ministério da Saúde (Ponseti precoce; fisioterapia precoce; ultrassom do quadril no torcicolo congênito); no pé aduto, como nem SBP nem MS fixam idade, a AAP (encaminhar o que persiste após 6 meses).

10.Erros comuns

11.Pontos-chave para a prova

12.Casos clínicos comentados

Caso 1

RN com ambos os pés em posição "torta", em equino e varo. À manipulação, um pé corrige facilmente à posição neutra; o outro permanece rígido e não se reduz.

1.A diferença entre os dois pés indica que:
Gabarito: B) A redutibilidade define: o pé que corrige é posicional (observação); o rígido, não redutível, sugere pé torto congênito, que é estrutural.
2.Para o pé rígido, o tratamento de escolha é:
Gabarito: C) O pé equinovaro congênito é tratado pelo método de Ponseti, iniciado precocemente. Pavlik é para displasia do quadril; capacete é para plagiocefalia.
3.O momento ideal para iniciar o tratamento do pé rígido é:
Gabarito: A) O Ponseti tem melhores resultados quando iniciado nas primeiras semanas, aproveitando a maleabilidade dos tecidos do recém-nascido.
0/3 acertos
Caso 2

Lactente de 6 semanas, sexo feminino, nascida de apresentação pélvica, trazida porque a mãe notou assimetria de pregas nas coxas. Ao exame, há limitação de abdução de um quadril e manobra de Ortolani com "clunk" desse lado.

1.A hipótese diagnóstica e os fatores de risco presentes são:
Gabarito: B) Ortolani positivo, limitação de abdução e assimetria de pregas, com sexo feminino e apresentação pélvica, caracterizam a displasia do desenvolvimento do quadril e seus fatores de risco clássicos.
2.O exame de imagem de escolha para confirmar nessa idade é:
Gabarito: C) Nos primeiros meses, a ultrassonografia é o exame de escolha, pois a cabeça femoral ainda é cartilaginosa; a radiografia ganha valor após a ossificação (~4–6 meses).
3.O tratamento inicial mais provável, iniciado precocemente, é:
Gabarito: A) Nos primeiros meses, a DDQ é tratada com suspensório de Pavlik, com bons resultados quando iniciado cedo. Ponseti é para o pé torto; capacete para plagiocefalia.
0/3 acertos

13.Referências

  1. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Neurologia. Sinais de alerta na avaliação neurológica da criança e do adolescente (Manual de Orientação). 2020. sbp.com.br
  2. Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Neonatologia. Manual de seguimento do recém-nascido de alto risco. 2ª ed. 2024. sbp.com.br
  3. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde, v. 3, 2ª ed. atual., 2014 (cap. 30, Problemas ortopédicos). bvsms.saude.gov.br
  4. Ministério da Saúde. Guia prático: diagnóstico de anomalias congênitas no pré-natal e ao nascimento. 2022. bvsms.saude.gov.br
  5. Laughlin J, Luerssen TG, Dias MS; AAP. Prevention and management of positional skull deformities in infants. Pediatrics. 2011;128(6):1236–41. doi:10.1542/peds.2011-2220
  6. Shaw BA, Segal LS; AAP Section on Orthopaedics. Evaluation and referral for developmental dysplasia of the hip in infants. Pediatrics. 2016;138(6):e20163107 (reafirmado em 2021). doi:10.1542/peds.2016-3107
  7. American Academy of Pediatrics (HealthyChildren.org). Pigeon toes (intoeing), 25/01/2022 — encaminhar o pé aduto que persiste após 6 meses ou é rígido. healthychildren.org
  8. Sargent B, Coulter C, Cannoy J, Kaplan SL. Physical therapy management of congenital muscular torticollis: a 2024 evidence-based clinical practice guideline (APTA Academy of Pediatric Physical Therapy). Pediatr Phys Ther. 2024;36(4):370–421. doi:10.1097/PEP.0000000000001114
  9. García Soto L; Grupo PrevInfad (AEPap). Cribado de la displasia evolutiva de cadera. Atualizado em ago/2026. previnfad.aepap.org
  10. UK Health Security Agency / NHS. NIPE screening programme handbook. Atualizado em 10/10/2025. gov.uk