Triar somente o RN de risco (pré-termo tardio, PIG, GIG, filho de mãe diabética e, ainda, asfixia, sepse, hipotermia) ou com sinais clínicos — não o RN a termo saudável. A primeira intervenção no assintomático é mamar, apoiada pelo gel de dextrose 40% 200 mg/kg (0,5 mL/kg) na mucosa jugal. RN sintomático com glicemia < 40 mg/dL, ou assintomático com < 25 mg/dL nas primeiras 4 h ou < 35 mg/dL entre 4 e 24 h apesar da mamada: SG 10% 2 mL/kg EV seguido de infusão de glicose 5–8 mg/kg/min 🔴. Metas: ≈ 47–50 mg/dL até 48 h, 60 mg/dL após 48 h e 70 mg/dL após 72 h ou na suspeita de distúrbio persistente.
1. Importância do tema
A hipoglicemia é o distúrbio metabólico mais comum do RN. Como o cérebro depende da glicose, a hipoglicemia grave ou prolongada pode causar lesão neurológica permanente (padrão parieto-occipital na ressonância). Reconhecer os grupos de risco, monitorizar corretamente e tratar com as doses adequadas é determinante para o prognóstico — e tema frequente de prova.
Na coorte CHYLD (McKinlay et al., JAMA Pediatr 2017), a hipoglicemia neonatal — inclusive a detectada só pela triagem e tratada — associou-se a pior função executiva e visuomotora aos 4,5 anos. A meta-análise atualizada de Diggikar et al. (Life, 2024; 17 estudos) encontrou associação entre hipoglicemia neonatal, sintomática ou não, e comprometimento do neurodesenvolvimento, com evidência de baixa qualidade. Por isso o RN de risco é rastreado e tratado pelo limiar do protocolo, sem esperar sintomas; o limiar exato e a duração que causam dano continuam incertos.
2. Quem triar e quando
- Grupos de risco (SBP 2022; AAP 2011): pré-termo tardio (34 a 36 6/7 semanas), PIG, GIG e filho de mãe diabética; também asfixia, sepse, hipotermia, policitemia, uso materno de betabloqueador (BAPM 2024) e RN com sinais clínicos (tremores, irritabilidade, hipotonia, letargia, sucção débil, apneia, cianose, hipotermia, convulsão).
- Quando (AAP 2011, adotado no DC da SBP): mamar na 1ª hora e colher a 1ª glicemia 30 min após a 1ª mamada; depois, antes das mamadas (a cada 2–3 h). Duração: 12 h no filho de mãe diabética e no GIG; 24 h no PIG e no pré-termo tardio; prolongar enquanto houver valores abaixo do alvo.
- Divergência: o Ministério da Saúde (2014) propõe glicemias com 1, 2, 4, 8, 12 e 24 h no GIG/risco de hiperinsulinismo e com 2, 4, 6, 12, 24, 48 e 72 h no PIG; BAPM 2024, NICE NG3 e SIN 2025 colhem a 1ª glicemia com 2–4 h (antes da 2ª mamada), para não captar o nadir fisiológico. O serviço deve escolher um algoritmo e aplicá-lo de forma consistente.
- Fitas reagentes têm baixa sensibilidade abaixo de 40 mg/dL: confirmar com glicemia plasmática, sem atrasar o tratamento (MS 2014).
3. Fisiopatologia aplicada
Ao nascer, cessa o aporte materno de glicose e o RN passa a depender da glicogenólise e da gliconeogênese até estabelecer a alimentação; uma queda transitória nas primeiras horas é fisiológica. A hipoglicemia patológica surge por reservas insuficientes (PIG/RCIU, prematuro), por hiperinsulinismo (filho de mãe diabética, GIG, Beckwith-Wiedemann, hiperinsulinismo congênito) ou por maior consumo/causas mistas (asfixia, sepse, hipotermia, policitemia). Implicação: o hiperinsulinismo exige taxa de infusão de glicose (VIG) mais alta e raramente responde só à dieta; reservas baixas melhoram com aporte enteral ou venoso.
4. Diagnóstico e limiares
| Situação | Conduta (SBP 2022, a partir da AAP 2011) |
|---|---|
| Sintomático com glicemia < 40 mg/dL | Glicose EV imediata |
| Assintomático, 0–4 h de vida | < 25 mg/dL: mamar (± gel) e repetir; persiste < 25 → glicose EV. 25–40 mg/dL: nova mamada (± gel) e repetir |
| Assintomático, 4–24 h | < 35 mg/dL: mamar (± gel) e repetir; persiste < 35 → glicose EV. 35–45 mg/dL: nova mamada (± gel) e repetir |
| Após 24 h | Manter glicemias antes das mamadas enquanto < 47 mg/dL |
| Metas (AAP/PES, citadas pela SBP) | Até 48 h: 47 (AAP) a 50 mg/dL (PES); > 48 h: 60 mg/dL; > 72 h: 70 mg/dL |
O Ministério da Saúde (2014) define hipoglicemia como glicose plasmática < 45 mg/dL (sangue total < 40): assintomático entre 25 e 45 mg/dL → alimentar e repetir em 30–60 min; sintomático ou < 25 mg/dL → glicose EV. A PES (2015) recomenda manter > 50 mg/dL nas primeiras 48 h e > 60 mg/dL depois, e > 70 mg/dL quando há suspeita de distúrbio persistente.
5. Conduta e tratamento
- Assintomático acima do limiar de glicose EV: mamada (de preferência leite materno; fórmula se necessário) e gel de dextrose 40% 200 mg/kg na mucosa jugal, antes da mamada (SBP 2022); repetir a glicemia em 30–60 min. Limite: até 2 doses de gel por episódio e 6 em 48 h (BAPM 2024; SIN 2025); sem resposta após 2 doses → glicose EV. Não usar gel de forma profilática (BAPM 2024).
- Sintomático, abaixo do limiar ou sem resposta à mamada/gel: SG 10% 2 mL/kg (200 mg/kg) EV a 1 mL/min (MS 2014; dentro dos 2–4 mL/kg da SBP), seguido sempre de infusão contínua com VIG 5–8 mg/kg/min (SBP 2022; MS: 6–8). Glicemia 30 min após o bolus e depois a cada hora até estabilizar (MS).
- Titular a VIG: aumentar 1–2 mg/kg/min conforme a glicemia (AEP 2008: + 2 mg/kg/min a cada 20 min se necessário). Em veia periférica, SG até 12,5% (MS 2014); a SBP exige acesso central acima de 15–20%. Hiperinsulinismo pode exigir VIG de 15–20 mg/kg/min (SBP).
- Desmame: com glicemias estáveis, reduzir 1 mg/kg/min por vez, com intervalos de pelo menos 1 h (MS 2014), mantendo a alimentação enteral.
- Refratária (não mantém > 45 mg/dL após 24 h com VIG de 8 mg/kg/min): considerar fortemente hiperinsulinismo (SBP); colher a amostra crítica antes de qualquer medicamento e discutir com o endocrinologista pediátrico.
VIG (mg/kg/min) = [volume (mL/kg/dia) ÷ 144] × concentração de glicose (%) (BAPM 2024).
| Medicamento | Dose e via | Fonte | Observações |
|---|---|---|---|
| Gel de dextrose 40% | 200 mg/kg (≈ 0,5 mL/kg) na mucosa jugal, antes da mamada; até 2 doses por episódio, 6 em 48 h | SBP 2022 (dose); BAPM 2024 (limites) | Sempre com plano de alimentação |
| Glicose — bolus | SG 10% 2 mL/kg (200 mg/kg) EV a 1 mL/min | MS 2014; SBP 2022 (2–4 mL/kg); padrão do site | Sempre seguido de infusão contínua |
| Glicose — infusão | VIG inicial 5–8 mg/kg/min (80–100 mL/kg/dia de SG 10%) | SBP 2022; MS 2014 (6–8) | Periférica até SG 12,5% (MS) |
| Glucagon | 0,03 mg/kg/dose IM ou SC | SBP 2022 | Resgate na urgência sem acesso venoso, enquanto se obtém o acesso; uso neonatal fora da bula (bula brasileira sem dose neonatal). MS: 0,025–0,3 mg/kg EV (máx. 1 mg); BAPM: 200 mcg/kg IM (máx. 1 mg) |
| Diazóxido | 5 mg/kg/dia VO em 2–3 tomadas; aumentar 5 mg/kg/dia a cada 4 dias; máx. 15 mg/kg/dia | SBP 2022 | 1ª escolha no hiperinsulinismo, pelo especialista; importado (liberado pela Anvisa); restrição hídrica e hidroclorotiazida (retenção hídrica, insuficiência cardíaca, hipertensão pulmonar) |
| Octreotida | 5 mcg/kg/dia SC (infusão ou a cada 6–8 h); aumentar 5 mcg/kg/dia a cada 2–3 dias; máx. 35 mcg/kg/dia | SBP 2022 | 2ª linha, pelo especialista; taquifilaxia, QT longo, enterocolite necrosante |
| Hidrocortisona | Não usar de rotina | SBP 2022; PES 2015 | Só na suspeita de insuficiência adrenal, após a amostra crítica, conforme o endocrinologista. O MS (2014) ainda prevê 5 mg/kg/dose EV 12/12 h se VIG > 12 mg/kg/min (divergência) |
6. Hipoglicemia persistente e alta
- Persistente (SBP 2022): duração maior que 3 dias (a transitória dura de horas a 3 dias), glicemia < 60 mg/dL após 48 h (PES) ou necessidade de VIG > 10 mg/kg/min; alguns autores usam > 7 dias.
- Amostra crítica com glicemia plasmática < 50 mg/dL: gasometria, lactato, insulina, peptídeo C, beta-hidroxibutirato, ácidos graxos livres, acilcarnitinas, amônia, aminoácidos e urina, mais 1–2 tubos de reserva; teste do glucagon (1 mg EV; elevação > 30 mg/dL sugere hiperinsulinismo), se disponível (SBP 2022). Johns Hopkins (2024) e BAPM incluem cortisol e GH.
- Alta do RN de risco: a SBP não define critério. Posição do site: alimentação eficaz e glicemias pré-mamada estáveis no alvo para a idade (≥ 47–50 mg/dL até 48 h; ≥ 60 mg/dL depois — PES 2015), com pelo menos 24 h de vida no filho de mãe diabética (NICE NG3) e, após glicose EV, 24 h sem infusão (Johns Hopkins 2026).
7. Gravidade e encaminhamento
| Gravidade | Critérios | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Assintomático, glicemia acima do limiar de glicose EV, responde à mamada ± gel | Alojamento conjunto, apoio à amamentação, manter a triagem até o fim do período de risco |
| 🟡 Moderada | Necessidade repetida de gel; glicemias limítrofes recorrentes; RN de risco que não mama bem | Avaliação pelo pediatra/neonatologista com prioridade; considerar sonda ou glicose EV; não dar alta |
| 🔴 Grave | Sintomas (sobretudo convulsão, apneia, letargia); glicemia < 25 mg/dL (0–4 h) ou < 35 mg/dL (4–24 h) apesar da mamada; necessidade de glicose EV ou VIG > 8–10 mg/kg/min; hipoglicemia após a alta | UTI neonatal imediata (transferência se fora de unidade neonatal): glicose EV conforme a seção 5 antes e durante o transporte; amostra crítica se persistente |
8. Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Versão consultada | DC nº 16 (Endocrinologia), 09/05/2022 | Atenção à Saúde do RN, v. 3, 2ª ed., 2014 | Adamkin/COFN, Pediatrics 2011 (+ PES 2015) | NG3, atualizada em 16/12/2020 (só filho de mãe diabética) | SEN-AEP nº 18, 2008 | All Children's: transicional 05/03/2026; persistente 01/2024 | Sem protocolo público localizado | Seguem NICE e BAPM (framework 2024, rev. 16/09/2024) |
| 1ª glicemia | Não define (adota quadro da AAP) | 1 h (GIG) ou 2 h (PIG) | 30 min após a 1ª mamada | 2–4 h | 1ª hora | 30 min após a 1ª mamada | — | Antes da 2ª mamada (2–4 h) |
| Limiar de glicose EV | < 40 sintomático; < 25 (0–4 h) / < 35 (4–24 h) | Sintomático ou < 25 | Igual à SBP | < 36 (2,0 mmol/L) em 2 medidas ou sinais | Manter > 45 | < 25 / < 35 / < 45 (24–48 h) | — | < 18 (1,0 mmol/L) ou sinais com < 45 |
| Gel 40% | 200 mg/kg | Não prevê | Sem posição formal | Não menciona | Não (2008) | 0,2 g/kg; 2 doses em 24 h | — | 200 mg/kg; 2/episódio, 6 em 48 h |
| Bolus / VIG | 2–4 mL/kg; 5–8 | 2 mL/kg; 6–8 | 2 mL/kg; 5–8 | Glicose EV, sem dose | 2 mL/kg; 6–8 | 2 mL/kg | — | 2,5 mL/kg; 60 mL/kg/dia |
| Glucagon / corticoide | Glucagon 0,03 mg/kg IM/SC; corticoide não | Hidrocortisona 5 mg/kg/dose 12/12 h; glucagon 0,025–0,3 mg/kg EV | PES: glucagon 0,5–1 mg; corticoide não | — | — | Corticoide não | — | Glucagon 200 mcg/kg IM (máx. 1 mg) |
| Meta de alta | Não define | Não define | PES: > 50 (até 48 h) e > 60 | ≥ 24 h de vida, mamando, glicemia mantida | — | 24 h sem EV; 3 glicemias > 60 | — | 2 glicemias > 36 (2,0 mmol/L); ≥ 24 h |
Leitura: todas as referências concordam em triar só o RN de risco ou sintomático, em alimentar primeiro o assintomático e em tratar com SG 10% 2 mL/kg seguido de infusão de 5–8 mg/kg/min; o gel de 200 mg/kg tem a mesma dose na SBP, na BAPM e na Johns Hopkins. As divergências estão no momento da 1ª glicemia (30 min após a mamada nos EUA e na SBP; 2–4 h no Reino Unido), nos limiares (≈ 36 mg/dL no Reino Unido; 45–50 mg/dL no Brasil e nos EUA), no glucagon (dose por kg da SBP e da BAPM, dose fixa da PES), no corticoide (previsto pelo MS 2014, desaconselhado pela SBP 2022 e pela PES) e na meta de alta (36 mg/dL no Reino Unido; 60 mg/dL na PES e na Johns Hopkins). Posição do site: a da SBP (quadro AAP, gel, bolus, VIG, glucagon 0,03 mg/kg, sem corticoide de rotina); o bolus de 2 mL/kg segue o MS e o padrão do site; onde a SBP não detalha (limite de gel, alta), BAPM e PES, conforme indicado.
9. Complicações e erros comuns
- Complicações: convulsões, lesão cerebral (parieto-occipital) e sequelas do neurodesenvolvimento — na forma grave ou prolongada e também, em menor grau, na assintomática.
- Erros comuns: triar o RN saudável (ou não triar o de risco); tratar a hipoglicemia sintomática só com dieta; dar bolus sem infusão contínua; usar SG > 12,5% em veia periférica; não recalcular a VIG; dar corticoide "empírico" antes da amostra crítica; não investigar hiperinsulinismo na refratária; dar alta sem glicemias estáveis.
10. Pontos-chave (ENAMED)
- Distúrbio metabólico mais comum do RN; triar pré-termo tardio, PIG, GIG e filho de mãe diabética (e asfixia, sepse, hipotermia).
- A forma assintomática também se associa a pior neurodesenvolvimento: rastrear e tratar pelo limiar, sem esperar sintomas.
- Assintomático: mamada + gel 40% 200 mg/kg. Sintomático (< 40 mg/dL) ou < 25 (0–4 h) / < 35 (4–24 h): SG 10% 2 mL/kg + infusão — nunca só dieta.
- VIG inicial 5–8 mg/kg/min; não mantém > 45 mg/dL com VIG 8 após 24 h → pensar em hiperinsulinismo e colher amostra crítica (glicemia < 50 mg/dL).
- Metas: 47–50 mg/dL até 48 h; 60 mg/dL após 48 h; 70 mg/dL após 72 h.
11. Referências
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento Científico de Endocrinologia. Hipoglicemia neonatal. Documento Científico nº 16, 09 maio 2022. Disponível em: sbp.com.br.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. v. 3, cap. 25 (Distúrbios da glicose). 2. ed. atual. Brasília, 2014. Disponível em: bvsms.saude.gov.br.
- ADAMKIN, D. H.; COMMITTEE ON FETUS AND NEWBORN (AAP). Postnatal glucose homeostasis in late-preterm and term infants. Pediatrics, 2011. doi:10.1542/peds.2010-3851.
- THORNTON, P. S. et al. (Pediatric Endocrine Society). Recommendations from the Pediatric Endocrine Society for evaluation and management of persistent hypoglycemia in neonates, infants, and children. J Pediatr, v. 167, n. 2, p. 238-245, 2015. doi:10.1016/j.jpeds.2015.03.057.
- NICE. NG3 — Diabetes in pregnancy: management from preconception to the postnatal period. Atualizada em 16 dez. 2020. nice.org.uk.
- BAPM. Identification and management of neonatal hypoglycaemia in the full term infant (birth–72 hours). Framework for practice, jan. 2024, rev. 16 set. 2024. PDF.
- FERNÁNDEZ LORENZO, J. R.; COUCE PICO, M.; FRAGA BERMÚDEZ, J. M. Hipoglucemia neonatal. Protocolos diagnóstico-terapéuticos SEN-AEP nº 18, 2008. seneo.es.
- JOHNS HOPKINS ALL CHILDREN'S HOSPITAL. NICU — Neonatal Transitional Hypoglycemia. Clinical pathway, 05 mar. 2026. PDF; Neonatal Prolonged Persistent Hypoglycemia, jan. 2024. PDF.
- MAGGIO, L.; PAVIOTTI, G.; CRESI, F. (SIN). Raccomandazioni per la gestione dell'ipoglicemia neonatale nelle prime 48 ore nei neonati > 34 settimane. v1, 01 set. 2025. PDF.
- HARRIS, D. L. et al. Dextrose gel for neonatal hypoglycaemia (the Sugar Babies Study). Lancet, 2013. doi:10.1016/S0140-6736(13)61645-1.
- McKINLAY, C. J. D. et al. (CHYLD Study Team). Association of neonatal glycemia with neurodevelopmental outcomes at 4.5 years. JAMA Pediatr, 2017. PubMed 28783802.
- DIGGIKAR, S. et al. Neonatal hypoglycemia and neurodevelopmental outcomes — an updated systematic review and meta-analysis. Life (Basel), v. 14, n. 12, 1618, 2024. doi:10.3390/life14121618.
Veja também: Hipoglicemia neonatal — Temas atualizados em Neonatologia e Filho de mãe diabética (nesta área).
12. Casos clínicos (estilo ENAMED)
Caso 1. RN GIG, 4.200 g, filho de mãe com diabetes gestacional. Na 2ª hora, assintomático, glicemia de 32 mg/dL.
Questão 1. Conduta inicial mais adequada? (A) Bolus de glicose imediato (B) Mamada, gel de dextrose 40% 200 mg/kg e nova glicemia em 30–60 min (C) Insulina subcutânea (D) Apenas observar sem alimentar (E) Iniciar hidrocortisona
Questão 2. Mecanismo da hipoglicemia nesse RN? (A) Reservas baixas de glicogênio (B) Hiperinsulinismo (hiperglicemia materna → hiperinsulinismo fetal) (C) Sepse (D) Erro inato do metabolismo (E) Insuficiência adrenal
Questão 3. Se evoluísse com tremores e glicemia de 22 mg/dL? (A) Só aumentar a dieta (B) SG 10% 2 mL/kg EV seguido de infusão contínua (C) Glucagon oral (D) Nova aferição em 2 h (E) Soro sem glicose
Caso 2. RN PIG, pré-termo tardio, mantém glicemias baixas apesar da infusão, com VIG crescente (> 12 mg/kg/min).
Questão 4. O que essa refratariedade sugere? (A) Diabetes neonatal (B) Hiperinsulinismo (C) Desidratação (D) Hipernatremia (E) Hipotireoidismo isolado
Questão 5. Qual medicamento é a 1ª escolha no hiperinsulinismo, segundo a SBP? (A) Insulina (B) Diazóxido, pelo especialista (C) Hidrocortisona de rotina (D) Salbutamol (E) Manitol
Questão 6. Investigação apropriada na hipoglicemia persistente? (A) Apenas radiografia (B) Amostra crítica com glicemia < 50 mg/dL (insulina, peptídeo C, beta-hidroxibutirato, ácidos graxos livres, acilcarnitinas, amônia, lactato) (C) Somente hemograma (D) Nenhuma (E) Apenas glicemia capilar
Gabarito comentado. Q1 — B: assintomático e acima de 25 mg/dL nas primeiras 4 h: mamar (± gel) e repetir. Q2 — B: hiperinsulinismo fetal persistente. Q3 — B: sintomático com < 40 mg/dL: bolus seguido de infusão. Q4 — B: VIG alta sugere hiperinsulinismo. Q5 — B: diazóxido (SBP 2022); a SBP não recomenda corticoide fora da insuficiência adrenal. Q6 — B: amostra crítica durante a hipoglicemia.
Revisão: outubro de 2026.