Temas atualizados em Neonatologia · Cuidados na UTI neonatal

Hipoglicemia neonatal

Recomendações da SIN (09/2025) e protocolos da Johns Hopkins All Children's (10/2025 e 03/2026) comparados com o DC SBP de 2022, AAP 2011/PES 2015, NICE NG3 e BAPM 2024, SENeo e Harvard.

Resumo com convergências e divergências entre as atualizações de 2025–2026 em Neonatologia e as posições da Sociedade Brasileira de Pediatria, AAP, NICE, AEP/SENeo, Ministério da Saúde, Sociedade Italiana de Neonatologia, Harvard (Boston Children's), Johns Hopkins, Oxford e Cambridge (redes neonatais regionais do NHS). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Em 2025–2026 a hipoglicemia neonatal ganhou duas atualizações relevantes: as recomendações da Sociedade Italiana de Neonatologia (SIN, 01/09/2025) (≥ 34 semanas, primeiras 48 h), que adotam não medir a glicemia nas primeiras 2 horas no RN clinicamente bem, limiares únicos para 0–48 h (≥ 45 mg/dL normal; < 25 mg/dL grave) e gel de dextrose 40% com limites de dose; e dois protocolos institucionais da Johns Hopkins All Children's — transicional (05/03/2026), na estrutura da AAP 2011 com gel e meta de alta > 60 mg/dL, e para cardiopatas (21/10/2025), com limiares mais altos (50 e 55 mg/dL) e sem gel. A SBP não publicou documento em 2025–2026: a posição brasileira de referência continua sendo o DC de Endocrinologia de 09/05/2022, alinhado à combinação AAP/PES e que já prevê o gel. Há consenso em triar somente RN de risco ou sintomáticos, na dose do gel (200 mg/kg), no bolus de SG10% 2 mL/kg seguido de infusão de glicose e na coleta de "amostra crítica" na hipoglicemia persistente. As divergências estão no momento da primeira glicemia (30 minutos após a primeira mamada na AAP e na Johns Hopkins; 2–4 horas na BAPM, no NICE e na SIN), na faixa de limiares de intervenção (≈ 36 a 50 mg/dL) e na meta de alta (36–45 mg/dL no Reino Unido e na Itália; 60 mg/dL na PES e na Johns Hopkins). Não localizamos atualização da AAP posterior a 2011 nem protocolo público de Harvard.

1.O que mudou em 2025–2026

Data Instituição Documento O que mudou
01/09/2025 SIN (Itália) — Grupo de Estudo de Nutrição Raccomandazioni per la gestione dell'ipoglicemia neonatale nelle prime 48 ore nei neonati > 34 settimane (v1; Maggio, Paviotti, Cresi) não medir antes de 2 h se o RN está bem; 1ª glicemia com 2–3 h; limiares únicos 0–48 h (45/36/25 mg/dL); gel 40% 200 mg/kg, até 2 doses por episódio e 6 em 48 h; critérios de encaminhamento à UTIN
21/10/2025 Johns Hopkins All Children's Heart — Neonatal Hypoglycemia: Early Management (CVICU) Protocolo para cardiopatas de 0–48 h com limiares mais altos: < 50 mg/dL (0–4 h) e < 55 mg/dL (4–24 h); sem gel; hidratação 80 mL/kg/dia no D0; investigação após 24 h
05/03/2026 Johns Hopkins All Children's NICU — Neonatal Transitional Hypoglycemia (aprovado 03/03/2026) RN ≥ 35 semanas na UTIN; estrutura AAP 2011 com gel incorporado nas faixas intermediárias; máximo 2 doses de gel em 24 h; alta com 3 glicemias > 60 mg/dL e 24 h sem glicose EV

Os protocolos da Johns Hopkins All Children's são institucionais, não diretrizes de sociedade.

2.Posição brasileira (SBP)

Não há documento da SBP de 2025–2026 sobre o tema. A posição mais recente é o Documento Científico "Hipoglicemia neonatal", Departamento Científico de Endocrinologia, 09/05/2022. No Ministério da Saúde, a referência é o capítulo 25 (Distúrbios da glicose) de Atenção à Saúde do Recém-Nascido, v. 3, 2ª ed. (2014), anterior às atualizações recentes.

Tema Conteúdo
Quem triar Somente RN com fatores de risco (prematuro, PIG, GIG, filho de mãe diabética, asfixia, entre outros) ou com sinais clínicos; não triar o RN saudável
Limiares Adota AAP/PES: 0–48 h ≈ 47–50 mg/dL; 48–72 h 60 mg/dL; > 72 h 70 mg/dL
Gel de dextrose Gel 40% 200 mg/kg na mucosa jugal, antes da mamada
Tratamento EV Bolus de SG10% 2–4 mL/kg seguido de infusão; VIG inicial 5–8 mg/kg/min, podendo chegar a 15–20 mg/kg/min se persistente
Hipoglicemia persistente Duração > 3 dias ou necessidade de VIG > 10 mg/kg/min → amostra crítica com glicemia < 50 mg/dL (insulina, peptídeo C, β-hidroxibutirato, ácidos graxos livres, lactato, acilcarnitinas, amônia etc.), com ou sem teste do glucagon

Não aborda: algoritmo de triagem por horas de vida (momento da 1ª glicemia, intervalos e duração do monitoramento); número máximo de doses de gel; critérios de alta; conduta específica em cardiopatas; posição sobre gel profilático.

Ministério da Saúde: o capítulo 25 (v. 3, 2014) define hipoglicemia como glicose plasmática < 45 mg/dL (sangue total < 40); no RN assintomático com 25–45 mg/dL, alimentar e repetir em 30–60 min; < 25 mg/dL ou sintomático, SG 10% 2 mL/kg + VIG 6–8 mg/kg/min; reduzir a VIG após 24 h de glicemias estáveis > 50 mg/dL; com VIG > 12 mg/kg/min, considerar hidrocortisona. Em veia periférica, concentração máxima de glicose de 12,5% (padrão do site). Não prevê gel de dextrose nem meta de alta.

3.Posição das referências internacionais

Referência Documento e ano Posição resumida
EUA — AAP / PES Adamkin DH, AAP Committee on Fetus and Newborn — Postnatal glucose homeostasis in late-preterm and term infants (Pediatrics 2011); Thornton PS et al., Pediatric Endocrine Society — recomendações sobre hipoglicemia neonatal (J Pediatr 2015) AAP: triar pré-termo tardio (34–36 6/7 sem), PIG, GIG e filho de mãe diabética (FMD/GIG por 12 h; PIG e pré-termo tardio por 24 h); 1ª glicemia 30 min após a 1ª mamada; 0–4 h: < 25 mg/dL → mamada e recheque em 1 h, EV se persiste; 25–40 → realimentar ou EV; 4–24 h: < 35 → EV após falha; 35–45 → realimentar ou EV; alvo ≥ 45 mg/dL pré-mamada; sintomático < 40 → EV; SG10% 2 mL/kg e/ou 5–8 mg/kg/min. PES: alvo > 50 mg/dL nas primeiras 48 h, > 60 mg/dL após 48 h e > 70 mg/dL se há suspeita de distúrbio persistente. Não localizamos atualização da AAP posterior a 2011 nem posição formal da AAP sobre o gel.
Reino Unido — NICE / BAPM BAPM — Identification and management of neonatal hypoglycaemia in the full term infant, birth–72 hours (2024); NICE NG3 — Diabetes in pregnancy (atualizado 16/12/2020) BAPM: ≥ 37 sem; risco = restrição de crescimento (< 2º percentil), FMD, betabloqueador materno; 1ª glicemia antes da 2ª mamada (2–4 h); < 1,0 mmol/L (≈ 18 mg/dL) → EV urgente; < 2,5 mmol/L (≈ 45) com sinais → intervir; < 2,0 mmol/L (≈ 36) assintomático → plano alimentar e gel; gel 40% 200 mg/kg (~0,5 mL/kg), até 2 doses por episódio e 6 em 48 h, sempre com plano alimentar; gel profilático não recomendado; alta com 2 medidas > 2,0 mmol/L, alimentação eficaz e permanência mínima de 24 h. NICE NG3 (FMD): glicemia às 2–4 h; mamar em 30 min e a cada 2–3 h; manter ≥ 2,0 mmol/L (≈ 36 mg/dL); não menciona o gel.
Espanha — AEP / SENeo Protocolo SEN-AEP nº 18 — Hipoglucemia neonatal (Fernández Lorenzo, Couce Pico, Fraga Bermúdez; 2008); Protocolos SENeo 2023 2008: manter > 45 mg/dL; controle na 1ª hora, a cada 2 h nas primeiras 8 h e depois a cada 4–6 h até 24 h; bolus SG10% 2 mL/kg (4 mL/kg se convulsão); infusão 6–8 mg/kg/min; sem gel. Há capítulo atualizado nos Protocolos SENeo 2023, cujo texto não pôde ser consultado.
Itália — SIN SIN, GdS Nutrizione — Raccomandazioni ipoglicemia neonatale nelle prime 48 ore, > 34 settimane (v1, 01/09/2025) ≥ 34 sem sem necessidade de UTIN; lista ampla de fatores de risco (inclui pré-eclâmpsia, gemelar discordante, pós-termo); não medir nas primeiras 2 h se bem; 1ª glicemia com 2–3 h (antes da 2ª mamada), 2ª até 6 h, depois a cada 3 h; suspender após 3 pré-prandiais ≥ 45 mg/dL. Limiares únicos 0–48 h: ≥ 45 normal; 36–44 leve; 25–35 moderada; < 25 grave → EV imediato. Gel 40% 200 mg/kg (0,5 mL/kg), até 2 doses por episódio e 6 em 48 h. EV: SG10% 2 mL/kg + ≥ 60 mL/kg/dia de SG10%, aumentando 1,5–3 g/kg/dia de glicose se necessário. UTIN e investigação se < 25 persistente, > 48 h, recorrente ou sem fator de risco.
Harvard — Boston Children's / Brigham Sem documento específico localizado Não localizamos protocolo público do Boston Children's ou do Brigham sobre hipoglicemia neonatal.
Johns Hopkins All Children's NICU — Neonatal Transitional Hypoglycemia (05/03/2026); Heart — Neonatal Hypoglycemia: Early Management, CVICU (21/10/2025); Neonatal Prolonged Persistent Hypoglycemia (jan/2024) Transicional (≥ 35 sem na UTIN): 1ª glicemia 30 min após a 1ª mamada, depois antes de cada mamada até 3 valores normais; 0–4 h: < 25 → EV, 25–40 → gel + mamada; > 4–24 h: < 35 → EV, 35–45 → gel + mamada; > 24–48 h: < 45 → EV; sintomático < 40 (0–4 h), < 35 (4–24 h), < 45 (24–48 h) → EV; gel 40% 0,2 g/kg (0,5 mL/kg), máx. 2 doses em 24 h; alta com 24 h sem EV e 3 glicemias > 60 mg/dL. CVICU (cardiopatas 0–48 h): < 50 mg/dL (0–4 h) e < 55 mg/dL (4–24 h); SG10% 2 mL/kg se < 25 ou sintomático grave; 80 mL/kg/dia no D0; sem gel; > 24 h → lactato, insulina, β-hidroxibutirato e endocrinologia. Persistente: < 60 mg/dL após 72 h; amostra crítica com glicemia < 50; alvo > 70 no hiperinsulinismo; diazóxido 5–15 mg/kg/dia; teste de jejum ≥ 6 h com glicemias > 60 antes da alta.
Evidência — gel de dextrose Harris DL et al. — Sugar Babies (Lancet 2013); Harding JE et al. — hPOD (PLoS Med 2021) Sugar Babies: gel 200 mg/kg reduziu a falha de tratamento da hipoglicemia — base da dose atual. hPOD avaliou o uso profilático, não recomendado pela BAPM.
Oxford — OUH / rede Thames Valley & Wessex (TVW) Lista de diretrizes da TVW (consultada em 10/2026) Oxford University Hospitals (OUH) não publica protocolos neonatais abertos; os documentos citados são da rede regional a que pertence, Thames Valley & Wessex Neonatal ODN (TVW). Sem diretriz própria de hipoglicemia: segue o BAPM (framework 2024) e o NICE.
Cambridge — CUH (Rosie) / rede East of England (EoE) Lista de diretrizes da EoE (consultada em 10/2026) Cambridge University Hospitals (CUH, Rosie Hospital/NICU) não publica protocolos neonatais abertos; os documentos citados são da rede regional a que pertence, East of England Neonatal ODN (EoE). Sem diretriz própria de hipoglicemia: segue o BAPM (framework 2024) e o NICE.

4.Concordâncias e discordâncias

Tema SBP MS AAP NICE/UK AEP/SENeo Itália Harvard J. Hopkins Oxford / Cambridge Leitura
Versão e data DC Endocrinologia (09/05/2022) Atenção à Saúde do RN, v. 3, cap. 25 (2014) Adamkin (2011); PES (2015) BAPM (2024); NG3 (2020) SEN-AEP nº 18 (2008); SENeo (2023) SIN v1 (01/09/2025) — JHACH (05/03/2026; 21/10/2025; 01/2024) Sem diretriz própria nas redes TVW e EoE (seguem BAPM 2024) —
Quem triar Risco ou sinais Grupos de risco PTT, PIG, GIG, FMD Risco (≥ 37 sem); FMD Risco (2008) Risco amplo, ≥ 34 sem — ≥ 35 sem na UTIN Seguem o BAPM Concordância: não triar RN saudável
1ª glicemia Não especifica 1 h (GIG) ou 2 h (PIG) 30 min após 1ª mamada 2–4 h 1ª hora 2–3 h; nada antes de 2 h — 30 min após 1ª mamada Seguem o BAPM Discordância EUA × UK/Itália
Limiar de intervenção 0–48 h ≈ 47–50 mg/dL < 45 plasma; 25–45 assintomático: mamada e recheque; < 25 ou sintomas: EV < 25 / < 35; alvo ≥ 45 < 36 (2,0 mmol/L); < 18 → EV > 45 45 / 36 / 25 — AAP; cardiopatas 50/55 Seguem o BAPM Faixa 36–50 mg/dL; sem consenso
Após 48 h 60; > 72 h 70 — PES > 60 — — Fora do escopo — Alta > 60 Seguem o BAPM PES influencia SBP e JH
Gel 40% 200 mg/kg Não prevê Sem posição formal localizada 200 mg/kg; 2/episódio; 6/48 h Não (2008) 200 mg/kg; 2/episódio; 6/48 h — 0,2 g/kg; 2/24 h; não em cardiopatas Seguem o BAPM Dose convergente; limites diferem
Gel profilático Não aborda — — Não — — — Não previsto Seguem o BAPM Lacuna na SBP
Bolus / VIG 2–4 mL/kg; 5–8 mg/kg/min SG 10% 2 mL/kg; VIG 6–8; periférica ≤ 12,5% 2 mL/kg; 5–8 — 2 mL/kg; 6–8 2 mL/kg + ≥ 60 mL/kg/dia — 2 mL/kg; 80 mL/kg/dia (CVICU) Seguem o BAPM Concordância
Persistente > 3 d ou VIG > 10; amostra < 50 VIG > 12: hidrocortisona PES > 48 h > 2 medidas < 36 em 72 h Painel completo > 48 h ou recorrente → UTIN — < 60 após 72 h; amostra < 50 Seguem o BAPM Concordância no painel
Meta de alta Não especifica Não define PES: > 60 ≥ 24 h; 2 × > 36 — 3 × ≥ 45 — 24 h sem EV; 3 × > 60 Seguem o BAPM Discordância (36–45 × 60)

Leitura: o MS (2014) converge com a SBP e a AAP no bolus de SG 10% 2 mL/kg e na VIG de 6–8 mg/kg/min, e traz o limite de 12,5% de glicose em veia periférica, que o site adota; não prevê o gel de dextrose nem meta de alta. Oxford e Cambridge não têm protocolo próprio e seguem o BAPM 2024 (limiares de 36 e 18 mg/dL, gel 200 mg/kg). Posição do site: segue a SBP (DC 2022) nos limiares e na meta pré-alta; na concentração periférica máxima, o MS (12,5%) — exceção formal registrada nos padrões do site, com a SBP (central > 15–20%) como divergência; gel de dextrose pela SBP (200 mg/kg).

5.Síntese

O ponto de partida é comum a todas as referências: a hipoglicemia transicional é fisiológica nas primeiras horas, a triagem deve ser restrita a RN com fatores de risco ou sinais clínicos, a primeira intervenção no RN assintomático é alimentar — apoiada pelo gel de dextrose 40% 200 mg/kg, dose idêntica na SBP, BAPM, SIN e Johns Hopkins — e a glicose EV começa com bolus de SG10% de 2 mL/kg seguido de infusão de 5–8 mg/kg/min. Também há concordância na coleta da amostra crítica com glicemia < 50 mg/dL na hipoglicemia persistente.

As divergências são de calendário e de alvo. A escola norte-americana (AAP 2011, reproduzida no protocolo transicional da Johns Hopkins de 2026) mede a glicemia 30 minutos após a primeira mamada e usa limiares escalonados por horas de vida; a britânica (BAPM 2024, NICE NG3) e agora a italiana (SIN 2025) esperam 2–4 horas, evitando medir durante o nadir fisiológico. Os limiares vão de ≈ 36 mg/dL (2,0 mmol/L, BAPM/NICE) a 45–50 mg/dL (AAP, SIN, SBP), e a meta de alta diverge ainda mais: 36–45 mg/dL no Reino Unido e na Itália, mas > 60 mg/dL na PES e na Johns Hopkins. O protocolo de cardiopatas da Johns Hopkins (limiares de 50 e 55 mg/dL, sem gel) mostra que subgrupos com maior vulnerabilidade e menor tolerância a falhas da via oral merecem alvos próprios.

O DC da SBP de 2022 está bem alinhado com a combinação AAP/PES nos limiares (47–50 mg/dL até 48 h; 60 e 70 mg/dL depois) e foi precoce em adotar o gel, mas não define quando colher a primeira glicemia, com que frequência repetir, quantas doses de gel usar nem quando dar alta. Na ausência de documento de 2025–2026, a leitura da SIN 2025 e da BAPM 2024 (para a organização do monitoramento e do gel) em conjunto com a PES (para a meta de alta de RN de risco) oferece um roteiro coerente com a posição brasileira.

Observações críticas
  1. Não triar o RN saudável a termo; triar pré-termo tardio, PIG/restrição de crescimento, GIG, filho de mãe diabética, uso materno de betabloqueador e RN com sinais clínicos.
  2. Gel de dextrose 40% 200 mg/kg (0,5 mL/kg) na mucosa jugal, sempre seguido de mamada; após 2 doses sem resposta, glicose EV. Não usar gel de forma profilática (BAPM); o protocolo da Johns Hopkins para cardiopatas não inclui o gel.
  3. Glicose EV: bolus de SG10% 2 mL/kg seguido de infusão de 5–8 mg/kg/min; glicemia < 25 mg/dL (SIN, Johns Hopkins; na AAP, mamada e recheque em 1 h antes da via EV) ou RN sintomático (< 40 mg/dL nas primeiras 4 h) exige via EV.
  4. Momento da 1ª glicemia: a medida muito precoce capta o nadir fisiológico; medir antes da 2ª mamada (2–3 h, como SIN e BAPM) ou 30 minutos após a 1ª mamada (AAP) — o serviço deve escolher um algoritmo e aplicá-lo de forma consistente.
  5. Antes da alta de RN de risco, especialmente após 48 h de vida, buscar glicemias pré-mamada ≥ 60 mg/dL (SBP/PES/Johns Hopkins); necessidade de VIG > 10 mg/kg/min ou hipoglicemia além de 72 h indica investigação com amostra crítica.
  6. Cardiopatas nas primeiras 48 h podem justificar limiares mais altos (50–55 mg/dL) e hidratação EV desde o D0.

6.Fontes

  • SBP. Hipoglicemia neonatal. Documento Científico, Departamento Científico de Endocrinologia, 09/05/2022. sbp.com.br
  • Adamkin DH; AAP Committee on Fetus and Newborn. Postnatal glucose homeostasis in late-preterm and term infants. Pediatrics 2011. doi
  • Thornton PS et al. Recomendações da Pediatric Endocrine Society sobre hipoglicemia neonatal. J Pediatr 2015. doi
  • BAPM. Identification and management of neonatal hypoglycaemia in the full term infant (birth–72 hours). Framework for practice, jan/2024, revisado 16/09/2024. PDF
  • NICE. NG3 — Diabetes in pregnancy: management from preconception to the postnatal period. Atualizado 16/12/2020. nice.org.uk
  • Fernández Lorenzo JR, Couce Pico M, Fraga Bermúdez JM. Hipoglucemia neonatal. Protocolos diagnóstico-terapéuticos SEN-AEP nº 18, 2008. PDF; SENeo. Protocolos de la SENeo 2023. seneo.es
  • Maggio L, Paviotti G, Cresi F; SIN, Gruppo di Studio di Nutrizione. Raccomandazioni per la gestione dell'ipoglicemia neonatale nelle prime 48 ore nei neonati > 34 settimane. v1, 01/09/2025. PDF
  • Johns Hopkins All Children's Hospital. NICU — Neonatal Transitional Hypoglycemia. Clinical pathway, 05/03/2026. PDF
  • Johns Hopkins All Children's Hospital. Heart — Neonatal Hypoglycemia: Early Management (CVICU). Clinical pathway, 21/10/2025. PDF
  • Johns Hopkins All Children's Hospital. Neonatal Prolonged Persistent Hypoglycemia. Clinical pathway, jan/2024. PDF
  • Harris DL et al. Ensaio Sugar Babies — gel de dextrose no tratamento da hipoglicemia neonatal. Lancet 2013. doi
  • Harding JE et al. Ensaio hPOD — gel de dextrose profilático. PLoS Med 2021. doi
  • Brasil. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido: guia para os profissionais de saúde. 2ª ed. Brasília, 2014. v. 3, cap. 25 (Distúrbios da glicose). BVS MS
  • Thames Valley & Wessex Neonatal ODN e East of England Neonatal ODN (redes regionais de Oxford e Cambridge). Listas de diretrizes consultadas em 10/2026 — sem diretriz de hipoglicemia. TVW · EoE