Temas atualizados em Neonatologia · Nutrição

Doença metabólica óssea da prematuridade, vitamina D e profilaxia com vitamina K

Reintrodução das recomendações de vitamina K na diretriz NICE NG235 (junho/2026) e protocolo de vitamina D e doença metabólica óssea da Johns Hopkins (outubro/2025), comparados com Ministério da Saúde/SBP, AAP, ESPGHAN, SENeo/PrevInfad, SIN e Harvard.

Resumo com convergências e divergências entre as atualizações de 2025–2026 em Neonatologia e as posições da Sociedade Brasileira de Pediatria, AAP, NICE, AEP/SENeo, Ministério da Saúde, Sociedade Italiana de Neonatologia, Harvard (Boston Children's), Johns Hopkins, Oxford e Cambridge (redes neonatais regionais do NHS). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Na profilaxia com vitamina K, a novidade é a atualização de junho/2026 da diretriz NICE NG235 (assistência intraparto), que reintroduziu as recomendações de prevenção do sangramento por deficiência de vitamina K (texto integral não acessado nesta revisão). O ponto de partida é consensual: 1 mg por via intramuscular a todos os recém-nascidos é o padrão do Ministério da Saúde, da AAP (relatório clínico de 2022, nas primeiras 6 horas), do PrevInfad/AEPap (recomendação forte) e da prática italiana refletida no Choosing Wisely da SIN. As diferenças estão na dose para o prematuro < 1500 g (0,3–0,5 mg/kg na AAP; 0,5 mg IM ou EV no PrevInfad; o MS não especifica) e no esquema oral para famílias que recusam a injeção (a AAP o considera menos eficaz e não o recomenda; a Espanha propõe 2 mg VO em três doses). Na doença metabólica óssea (DMO) da prematuridade, a atualização mais detalhada é o pathway da Johns Hopkins All Children's (10/10/2025): dosagem universal de 25-OH-vitamina D com 2–4 semanas, profilaxia de 200–300 UI/dia além da dieta, tratamento escalonado até 2000 UI/dia e triagem com 4 semanas em < 32 semanas ou < 1500 g. A fosfatase alcalina > 500 U/L é critério comum a JH e SENeo, mas o corte do fósforo diverge (< 5,5 versus < 4 mg/dL), e a dose profilática de vitamina D vai de 200–400 UI/dia (linha AAP) a 400–700 UI/kg/dia, com máximo de 1000 UI/dia (ESPGHAN 2022). No Brasil, a DMO tem posição da SBP no Manual de seguimento do RN de alto risco (2ª ed., 2024), capítulo 20, que adota o algoritmo da AAP: triagem com 4 semanas de vida no RN de risco, FA > 800 UI/L persistente associada a DMO e ≥ 1.000 UI/L com indicação de tratamento, P < 4 mg/dL (e < 5,6 mg/dL associado a raquitismo), 25-OH-D sem dosagem de rotina (alvo ≈ 20 ng/mL), vitamina D 400 UI/dia na prevenção e 800 UI/dia na DMO — posição adotada pelo site. Sobre vitamina K, não há documento da SBP; vale o Ministério da Saúde.

1.O que mudou em 2025–2026

Data Instituição Documento O que mudou
jun/2026 NICE (Reino Unido) NG235 Intrapartum care — Update information Reintroduziu as recomendações de prevenção do sangramento por deficiência de vitamina K ("We have reintroduced recommendations on prevention of vitamin K deficiency bleeding"); o texto das recomendações não foi acessado nesta revisão
10/10/2025 Johns Hopkins All Children's Vitamin D Deficiency and Metabolic Bone Disease in NICU 25-OH-D em todos os RN de 22–41 semanas com 2–4 semanas de vida; profilaxia de vitamina D por peso; tratamento escalonado guiado por nível; critérios bioquímicos de DMO com 4 semanas; rastreio secundário se fosfatase alcalina persistentemente elevada
2025 Espanha — carta em An Pediatr (Chover Martínez et al.) La paradoja EMOP: ¿sabemos tratarla? Inquérito com 81 neonatologistas mostra grande variabilidade na triagem da DMO, apesar do protocolo SENeo 2023 (P < 4 mg/dL e FA > 500 UI/L)
2025–2026 SBP / Ministério da Saúde — Nenhum documento novo em 2025–2026; para DMO e vitamina D no prematuro vale o Manual de seguimento do RN de alto risco da SBP, 2ª ed. (2024), cap. 20; vitamina K sem documento SBP

2.Posição brasileira (SBP)

Para a doença metabólica óssea, a posição da SBP é o capítulo 20, "Avaliação da doença metabólica óssea" (Castro ECM, Palhares DB), do Manual de seguimento do recém-nascido de alto risco, 2ª ed. (DC Neonatologia, 2024), lido na íntegra; ele segue o algoritmo da AAP. Não há documento da SBP sobre profilaxia com vitamina K; a posição nacional mais recente disponível é a do Ministério da Saúde, na Linha de Cuidado de Puericultura (página sem ano informado).

Tema Conteúdo
Documento SBP (DMO) Manual de seguimento do RN de alto risco, 2ª ed., 2024 — cap. 20
Triagem (SBP 2024) RN de risco (MBPN < 1.500 g; 1.500–1.800 g com aporte mineral insuficiente; NP > 4 semanas; DBP com diurético de alça e restrição hídrica; ECN; corticoide prolongado): FA e P com 4 semanas, depois a cada 2 semanas se alterados
Critérios (SBP 2024) FA > 800 UI/L persistente associa-se a DMO; ≥ 1.000 UI/L sugere desmineralização com indicação de tratamento; P < 4 mg/dL (e < 5,6 mg/dL associado a raquitismo no MBPN); Ca sérico não serve; RX de punho e joelho se FA ≥ 800 e aumentando
Vitamina D (SBP 2024) 400 UI/dia na prevenção (25-OH-D sem dosagem de rotina; alvo ≈ 20 ng/mL); 800 UI/dia na DMO
Cálcio e fósforo (SBP 2024) Leite humano aditivado ou fórmula de prematuro; se restrição hídrica ou intolerância: Ca 20 → até 70–80 mg/kg/dia e P 10–20 → até 40–50 mg/kg/dia, sem descontar a dieta
Vitamina K — Ministério da Saúde Linha de Cuidado Puericultura — Assistência neonatal: "Todos os recém-nascidos devem receber 1 mg de vitamina K por via intramuscular após o nascimento"
Vitamina K — pré-termo e recusa Sem dose específica para < 1500 g e sem regime oral descrito; não confirmamos o texto das Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal (MS/CONITEC 2017) sobre a recusa

Não aborda: rastreio secundário da DMO (PTH, reabsorção tubular de fosfato); tratamento da vitamina D guiado pelo nível sérico; dose de vitamina K para < 1500 g; via EV em RN graves ou com colestase; esquema oral para famílias que recusam a via IM.

Ministério da Saúde (guia de 2014): além da Linha de Cuidado de Puericultura, o capítulo 2 de Atenção à Saúde do Recém-Nascido (v. 1, 2ª ed., 2014) prevê 1 mg de vitamina K1 por via intramuscular ou subcutânea ao nascimento, sem dose específica para o < 1.500 g nem esquema oral; o volume 4 (cap. 36) lista a necessidade de 400 UI/dia de vitamina D no pré-termo após a alta, sem protocolo de triagem da DMO.

3.Posição das referências internacionais

Os protocolos da Johns Hopkins All Children's citados neste texto são documentos institucionais (clinical pathways de um hospital), não diretrizes de sociedade.

Referência Documento e ano Posição resumida
EUA — AAP Hand et al. — Vitamin K and the Newborn Infant, Pediatrics 2022;149(3):e2021056036 (resumo em Afya); Abrams — Calcium and vitamin D requirements of enterally fed preterm infants, Pediatrics 2013 Vitamina K: 1 mg IM (> 1500 g) nas primeiras 6 horas; ≤ 1500 g: 0,3–0,5 mg/kg IM; via oral menos eficaz e não recomendada nos EUA; propõe estratégias para lidar com a recusa parental. DMO/vitamina D: relatório clínico do Committee on Nutrition de 2013 é a base citada pelo pathway da JH; sem atualização em 2025–2026.
Reino Unido — NICE / BAPM NICE NG235 Intrapartum care — atualização jun/2026; NICE NG154 (2020) Vitamina K: recomendações de prevenção do sangramento por deficiência de vitamina K reintroduzidas em junho/2026; o conteúdo exato (dose, via, esquema oral) não foi acessado. DMO: sem documento específico localizado; o NICE NG154 trata de nutrição neonatal especializada (conteúdo sobre DMO não revisado).
Espanha — AEP / SENeo / PrevInfad PrevInfad/PAPPS (AEPap) — Rev Pediatr Aten Primaria 2021; Protocolo SENeo 2023 (via carta An Pediatr 2025) Vitamina K: 1 mg IM a todos (recomendação forte); < 1500 g: 0,5 mg IM ou EV; EV em RN graves ou com colestase conhecida; na recusa da via IM, 2 mg VO ao nascer, aos 4–6 dias e às 4–6 semanas. DMO: SENeo 2023 define risco de osteopenia com P < 4 mg/dL e FA > 500 UI/L; na prática espanhola (81 neonatologistas), triagem às 4 semanas em 58%, população < 1500 g ou < 32 semanas em 67% e PTH/25-OH-D pedidos em apenas 50% das unidades. Posição da SENeo sobre vitamina K: sem documento específico localizado.
Itália — SIN / SIP Choosing Wisely Italia (SIN) — não prescrever vitamina K a RN que receberam a dose IM ao nascer Vitamina K: não prescrever doses adicionais a RN a termo ou pré-termo que receberam a dose IM ao nascer — o que pressupõe a via IM como padrão. Regimes orais italianos: não localizamos documento formal. DMO: sem documento específico localizado da SIN; a referência é a ESPGHAN.
Europa — ESPGHAN / ESPEN Embleton et al. — ESPGHAN 2023, nutrição enteral do pré-termo; Mihatsch et al. — ESPGHAN/ESPEN 2018, Ca, P e Mg na nutrição parenteral ESPGHAN 2022 (Embleton et al.): vitamina D de 400–700 UI/kg/dia, com máximo de 1000 UI/dia — acima da linha norte-americana. O pathway da JH 2025 (citando Corsello 2023) atribui à ESPGHAN 800–1000 UI/dia, valor que não corresponde à recomendação de 2022.
Harvard — Boston Children's — Sem documento específico localizado sobre DMO ou vitamina K.
Johns Hopkins All Children's Vitamin D Deficiency and Metabolic Bone Disease in NICU (10/10/2025) Vitamina D: 25-OH-D em todos os RN de 22–41 semanas com 2–4 semanas; classificação: deficiência grave < 10, moderada 10–19, leve 20–29, suficiência ≥ 30 ng/mL, toxicidade > 100 ng/mL. Profilaxia (a partir de dieta ≥ 80 mL/kg/dia), além do aporte da dieta: < 1250 g 300 UI/dia; ≥ 1250 g 200 UI/dia; termo 400 UI/dia. Tratamento: < 10 ng/mL → 1000 UI/dia; 10–19 → 800 UI/dia; 20–29 → 600 UI/dia; ajustes a cada 2 semanas (+ 600 ou + 400 UI); até 2000 UI/dia sob monitoramento; endocrinologia se < 30 ng/mL após 3 dosagens com 2000 UI/dia; > 80 ng/mL → reduzir à metade ou para 400 UI/dia. DMO: triagem com 4 semanas em < 32 semanas ou < 1500 g (FA, P, Ca); critério FA > 500 U/L com P < 5,5 mg/dL, ou FA > 900 U/L; Ca < 8,5 mg/dL anormal; se FA > 500 U/L persistir após 3 dosagens → PTH, Mg, Ca/P/creatinina urinários, reabsorção tubular de fosfato e radiografia de punho/joelho. Cálcio e fósforo otimizados pela nutricionista (fortificação, NP, suplementos), sem doses numéricas. Não aborda vitamina K.
Oxford — OUH / rede Thames Valley & Wessex (TVW) Lista de diretrizes da TVW (consultada em 10/2026) Oxford University Hospitals (OUH) não publica protocolos neonatais abertos; os documentos citados são da rede regional a que pertence, Thames Valley & Wessex Neonatal ODN (TVW). Sem diretriz de DMO, vitamina D ou vitamina K na rede: segue o NICE (NG235 na vitamina K) e a ESPGHAN.
Cambridge — CUH (Rosie) / rede East of England (EoE) EoE — Vitamin, Iron and Zinc supplementation v2 (11/2024; ratificada em 12/2024) Cambridge University Hospitals (CUH, Rosie Hospital/NICU) não publica protocolos neonatais abertos; os documentos citados são da rede regional a que pertence, East of England Neonatal ODN (EoE). Suplementação de todo RN < 37 semanas: no leite humano não fortificado, colecalciferol 300 UI/dia (não por kg) + polivitamínico; cita a ESPGHAN 2022 (400–700 UI/kg/dia, máx. 1.000) e a dosagem de 25-OH-D com 3–4 semanas; vitamina K oral adicional (50 mcg/dia) a considerar após a alta no < 37 semanas em leite humano exclusivo; zinco se fosfatase alcalina baixa. Sem diretriz específica de DMO.

4.Concordâncias e discordâncias

Tema SBP MS AAP NICE/UK AEP/SENeo Itália Harvard J. Hopkins Oxford / Cambridge Leitura
Versão e data Manual de seguimento, 2ª ed. (2024), cap. 20 Atenção à Saúde do RN, v. 1, cap. 2, e v. 4, cap. 36 (2014); Linha de Cuidado Hand (2022); Abrams (2013) NG235 (06/2026); NG154 (2020) PrevInfad (2021); SENeo (2023) Choosing Wisely SIN — JHACH (10/10/2025) EoE Vitamin/Iron v2 (11/2024) · TVW: sem diretriz —
Documento 2025–26 Não (DMO: Manual SBP 2024; vit. K: sem documento) Não (2014) Não (2022; 2013) Sim (vit. K, jun/2026) Não (2021; 2023) Não Não Sim (DMO, out/2025) Não (EoE 11/2024) Atualizações recentes só fora do Brasil
Vit. K — padrão Sem documento (vale o MS) 1 mg IM ou SC ao nascimento 1 mg IM em ≤ 6 h Reintroduzido 2026 (texto não acessado) 1 mg IM (forte) IM — Não aborda Segue o NICE Concordância: IM para todos
Vit. K — < 1500 g Não especifica Não especifica 0,3–0,5 mg/kg IM — 0,5 mg IM/EV — — — Segue o NICE Lacuna brasileira
Vit. K — oral na recusa Não descreve Não descreve Menos eficaz; não recomendado Texto não acessado 2 mg VO × 3 Sem documento — — Segue o NICE Divergência
Vit. K — dose extra após IM — — — — — Não prescrever — — Considerar 50 mcg/dia VO após a alta (< 37 sem, leite humano exclusivo — EoE) Choosing Wisely
Triagem DMO Manual 2024: RN de risco, 4 sem — Relatório 2013 Sem doc. < 1500 g/< 32 sem (prática variável) Sem doc. — < 32 sem ou < 1500 g, 4 sem Sem diretriz localizada JH mais objetivo
Critério bioquímico FA > 800 persistente / ≥ 1.000; P < 4 — — — P < 4 + FA > 500 — — FA > 500 + P < 5,5, ou FA > 900 — FA e P divergem; site segue a SBP
Vit. D profilática pré-termo 400 UI/d; 800 UI/d na DMO 400 UI/dia (necessidade após a alta) Linha 200–400 UI/d ESPGHAN ESPGHAN ESPGHAN — 200–300 UI/d + dieta 300 UI/dia + polivitamínico (EoE); cita ESPGHAN Divergência: ESPGHAN 400–700 UI/kg/d (máx. 1000)
25-OH-D de rotina Não (alvo ≈ 20) — — — Pedida em 50% — — Universal, 2–4 sem; meta ≥ 30 Cita ESPGHAN (3–4 sem e mensal) JH mais intervencionista
Tratamento guiado por nível — — — — — — — 600–2000 UI/d escalonado — Só JH

Leitura: o MS é a referência nacional para vitamina K e admite a via subcutânea além da IM — ponto em que difere da AAP, que exige IM. Na vitamina D, o MS (400 UI/dia) e a SBP (400 UI/dia; 800 na DMO) estão alinhados; a rede de Cambridge usa 300 UI/dia no leite humano não fortificado e, ao contrário do Choosing Wisely italiano, admite vitamina K oral suplementar após a alta no pré-termo em leite humano exclusivo. Oxford não tem diretriz e segue o NICE. Posição do site: vitamina K 1 mg IM a todos ao nascer (MS; SC só quando a IM não for possível); DMO e vitamina D pela SBP (Manual de seguimento, 2024), coerente com "Doença metabólica óssea da prematuridade" (Neonatologia).

5.Síntese

Na profilaxia com vitamina K, a concordância é praticamente total quanto ao essencial: dose única de 1 mg por via intramuscular logo após o nascimento para todos os recém-nascidos, posição do Ministério da Saúde, da AAP, do PrevInfad e implícita na recomendação italiana de não repetir a vitamina K em quem recebeu a dose IM. A atualização de junho/2026 do NICE NG235 recoloca o tema na diretriz britânica; sem acesso ao texto integral, não é possível afirmar se houve mudança de dose, via ou esquema oral. As diferenças práticas estão em dois pontos que a Linha de Cuidado do MS não trata: a dose para o prematuro de muito baixo peso (0,3–0,5 mg/kg na AAP; 0,5 mg IM ou EV no PrevInfad) e a conduta diante da recusa da injeção. Aqui as referências se afastam: a AAP considera a via oral menos eficaz e não a recomenda, preferindo estratégias de convencimento, enquanto o PrevInfad oferece um esquema estruturado de 2 mg VO ao nascer, aos 4–6 dias e às 4–6 semanas. A ausência de orientação nacional para esse cenário é uma lacuna concreta.

Na doença metabólica óssea da prematuridade, o documento mais recente e mais operacional é o pathway institucional da Johns Hopkins All Children's (outubro/2025), que combina triagem bioquímica com 4 semanas em < 32 semanas ou < 1500 g, critérios explícitos (FA > 500 U/L com P < 5,5 mg/dL ou FA > 900 U/L), rastreio secundário escalonado e manejo da vitamina D guiado pela 25-OH-D. O limiar de fosfatase alcalina de 500 U/L é comum ao protocolo SENeo 2023, mas o fósforo de corte difere (< 5,5 mg/dL na JH, < 4 mg/dL na SENeo), o que muda substancialmente a proporção de prematuros classificados como em risco. A SBP (Manual de seguimento, 2024) segue o algoritmo da AAP, com cortes mais altos de FA (> 800 UI/L persistente; ≥ 1.000 UI/L para tratar) e P < 4 mg/dL, como a SENeo. O inquérito espanhol de 2025 mostra que, mesmo com protocolo nacional, a prática varia muito.

A dose profilática de vitamina D é a divergência conceitual mais importante: a linha norte-americana, representada pelo relatório de 2013 da AAP e adotada pela JH, trabalha com 200–400 UI/dia (a JH soma 200–300 UI/dia ao aporte da dieta e trata conforme o nível sérico), enquanto a ESPGHAN 2022 recomenda 400–700 UI/kg/dia, com máximo de 1000 UI/dia. A SBP toma partido na linha norte-americana: 400 UI/dia na prevenção e 800 UI/dia na DMO, sem dosagem de rotina da 25-OH-D (Manual de seguimento, 2024, cap. 20) — posição adotada; a ESPGHAN fica como divergência. O próprio Manual registra, no capítulo de nutrição, 800 UI/dia como "a mais aceita" no 1º ano de idade corrigida; o site usa 400 UI/dia como rotina e 800 UI/dia na DMO, conforme o capítulo específico.

Observações críticas
  1. Vitamina K a todos, por via IM, logo após o nascimento: 1 mg IM (MS, AAP — nas primeiras 6 horas —, PrevInfad). No prematuro < 1500 g, ajustar a dose conforme protocolo local: 0,3–0,5 mg/kg IM (AAP) ou 0,5 mg IM/EV (PrevInfad); considerar a via EV em RN graves ou com colestase conhecida.
  2. Recusa da injeção: informar que a via oral é menos eficaz (AAP). Se a família mantiver a recusa, o único esquema estruturado nas referências revisadas é o espanhol — 2 mg VO ao nascer, aos 4–6 dias e às 4–6 semanas —, que exige adesão às três doses. Não repetir vitamina K em quem já recebeu a dose IM (Choosing Wisely/SIN).
  3. Triagem de DMO (SBP, Manual de seguimento 2024): no RN de risco (< 1.500 g, NP > 4 semanas, DBP com diurético, ECN, corticoide prolongado), dosar fosfatase alcalina e fósforo com 4 semanas de vida; FA > 800 UI/L persistente ou ≥ 1.000 UI/L e P < 4 mg/dL indicam DMO (RX de punho e joelho). JH (FA > 500 com P < 5,5) e SENeo (FA > 500 com P < 4) usam cortes de FA mais baixos (divergência).
  4. Fosfatase alcalina persistentemente elevada (> 800 UI/L na SBP; > 500 U/L na JH): ampliar a investigação com PTH, magnésio, cálcio/fósforo/creatinina urinários e reabsorção tubular de fosfato, e considerar radiografia de punho ou joelho (JH), revisando os aportes de cálcio e fósforo com a nutrição.
  5. Vitamina D no prematuro: 400 UI/dia na prevenção e 800 UI/dia na DMO (SBP 2024); 200–300 UI/dia além da dieta (JH) e 400–700 UI/kg/dia, até 1000 UI/dia (ESPGHAN 2022), como divergência. Na DMO, Ca 20 → 70–80 mg/kg/dia e P 10–20 → 40–50 mg/kg/dia adicionais (SBP 2024). Quando houver 25-OH-D disponível, o tratamento escalonado da JH (600–1000 UI/dia conforme o nível, até 2000 UI/dia com monitoramento) e o alerta de toxicidade > 100 ng/mL são um modelo útil.
  6. Lacuna nacional: a DMO tem posição da SBP (Manual de seguimento, 2024, cap. 20), mas não há documento da SBP sobre vitamina K; recomenda-se protocolo institucional escrito com as condutas para vitamina K no muito baixo peso e na recusa parental.

6.Fontes

  • Ministério da Saúde. Linha de Cuidado Puericultura — Unidade hospitalar, planejamento terapêutico (assistência neonatal). linhasdecuidado.saude.gov.br
  • Ministério da Saúde/CONITEC. Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal, 2017. bvsms.saude.gov.br
  • SBP, Departamento Científico de Neonatologia. Manual de seguimento do recém-nascido de alto risco, 2ª ed. São Paulo: SBP, 2024. Cap. 20 — Avaliação da doença metabólica óssea (Castro ECM, Palhares DB), p. 105–111. PDF
  • Hand et al.; AAP. Vitamin K and the Newborn Infant. Pediatrics 2022;149(3):e2021056036. publications.aap.org
  • Abrams; AAP Committee on Nutrition. Calcium and vitamin D requirements of enterally fed preterm infants. Pediatrics 2013. doi.org/10.1542/peds.2013-0420
  • NICE. NG235 Intrapartum care — Update information (junho/2026). nice.org.uk
  • NICE. NG154 (2020). nice.org.uk
  • Embleton et al. ESPGHAN — recomendações de nutrição enteral do recém-nascido pré-termo. J Pediatr Gastroenterol Nutr 2023. doi.org/10.1097/MPG.0000000000003642
  • Mihatsch et al. ESPGHAN/ESPEN — diretriz de nutrição parenteral pediátrica, cálcio, fósforo e magnésio. Clin Nutr 2018. doi.org/10.1016/j.clnu.2018.06.950
  • PrevInfad/PAPPS (AEPap). Recomendação sobre profilaxia com vitamina K no recém-nascido. Rev Pediatr Aten Primaria 2021. scielo.isciii.es
  • Chover Martínez et al. La paradoja EMOP: ¿sabemos tratarla? (carta). An Pediatr 2025;102(5). analesdepediatria.org
  • Choosing Wisely Italia (SIN). Non prescrivere la vitamina K ai neonati a termine e pretermine che hanno ricevuto la somministrazione per via intramuscolare alla nascita. choosingwiselyitaly.org
  • Johns Hopkins All Children's Hospital. Vitamin D Deficiency and Metabolic Bone Disease in NICU — Clinical Pathway (10/10/2025). hopkinsmedicine.org
  • Brasil. Ministério da Saúde. Atenção à Saúde do Recém-Nascido: guia para os profissionais de saúde. 2ª ed. Brasília, 2014. v. 1, cap. 2 (vitamina K); v. 4, cap. 36 (Alimentação após a alta). BVS MS
  • East of England Neonatal ODN (rede regional de Cambridge). Vitamin, Iron and Zinc supplementation guidelines v2, 11/2024 (ratificada em 12/2024). PDF
  • Thames Valley & Wessex Neonatal ODN (rede regional de Oxford). Lista de diretrizes consultada em 10/2026 — sem diretriz de DMO ou vitaminas. TVW