Reumatologia pediátrica · Síndromes Inflamatórias e Autoinflamatórias

Febres periódicas e síndromes autoinflamatórias (PFAPA, FMF, CAPS, TRAPS, MKD)

Febre recorrente × infecções repetidas, PFAPA no consultório e sinais de febre hereditária, segundo SBP 2017, AEP, Eurofever/PRINTO 2019 e EULAR/PReS 2024

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Febre recorrente não é o mesmo que infecções repetidas. A febre periódica tem episódios estereotipados, em intervalos regulares, sem foco infeccioso, e a criança fica bem e cresce normalmente entre as crises. O primeiro passo é o diário de febre, com hemograma e PCR na crise e fora dela. A PFAPA (febre periódica, estomatite aftosa, faringite e adenite cervical) é a causa mais comum. Começa em geral antes de 5 anos, com crises de 3 a 7 dias a cada 3 a 6 semanas, e é benigna. Uma dose única de prednisona ou prednisolona (0,5–2 mg/kg) no início da crise corta a febre em horas (SBP 2017). Antes de rotular, exclua neutropenia cíclica (hemogramas seriados) e neoplasia. Nunca use corticoide "de teste". A PFAPA típica fica com o pediatra (🟢). Formas atípicas, suspeita de febre hereditária (FMF, CAPS, TRAPS, MKD) ou necessidade de profilaxia vão ao reumatologista pediátrico (🟡). Toxemia, abdome agudo, citopenias, organomegalia, massa ou febre com neutrófilos < 500/mm³ vão ao pronto-socorro (🔴).

1.O que é e como se apresenta

As doenças autoinflamatórias resultam de desregulação da imunidade inata (excesso de IL-1β), com crises de inflamação sistêmica sem autoanticorpos. A complicação mais temida das monogênicas é a amiloidose AA (doença renal). A PFAPA é autoinflamatória, mas não monogênica (SBP 2017).

Febre recorrente × infecções repetidas (AEP 2020; SBP 2017):

Dado Infecções repetidas Febre periódica
Intervalo Irregular; piora na creche e no inverno Regular ("de relógio" na PFAPA)
Quadro Muda a cada episódio (tosse, coriza, diarreia) Estereotipado
Entre as crises Pode haver sintomas residuais Assintomática, com PCR normal (PFAPA)
Tratamento Antibiótico ajuda se bacteriana Antibiótico não muda; na PFAPA, o corticoide corta a crise

Infecções graves, por germes incomuns ou com déficit de crescimento: investigar imunodeficiência.

Principais síndromes (SBP 2017; AEP 2019):

Síndrome (gene, herança) Início Crise Pistas
PFAPA (não monogênica) 2–5 anos 3–7 dias, a cada 3–6 semanas Faringite (até 90%), adenite cervical (75%), aftas (50%)
Neutropenia cíclica (ELANE, dominante) < 1 ano 3–5 dias, a cada 18–24 dias Aftas, gengivite, infecções; neutrófilos < 500/mm³ no nadir; não responde ao corticoide
FMF, febre familiar do Mediterrâneo (MEFV, recessiva) < 20 anos (metade < 5) 1–3 dias Serosite (peritonite, pleurite), artrite, eritema erisipela-símile nas pernas; origem turca, armênia, judaica ou árabe
MKD, deficiência de mevalonato quinase (hiper-IgD; MVK, recessiva) < 1 ano 3–7 dias, a cada 4–6 semanas Desencadeada por vacinas; adenomegalia dolorosa, dor abdominal, vômitos e diarreia, aftas, exantema
TRAPS (TNFRSF1A, dominante) < 10 anos 1–4 semanas, a cada 3–5 meses Mialgia migratória, edema periorbital, conjuntivite, exantema, dor abdominal ou torácica
CAPS (NLRP3): FCAS, Muckle-Wells, NOMID/CINCA Do nascimento à idade escolar 1–3 dias ou contínua (NOMID) Urticária; frio (FCAS); surdez e amiloidose (Muckle-Wells); meningite asséptica e artropatia (NOMID)

A PFAPA é benigna: costuma desaparecer 3 a 5 anos após o início ou na adolescência, sem sequelas (SBP 2017).

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve PFAPA típica: critérios preenchidos, crises iguais, criança bem e crescendo, PCR e hemograma normais fora da crise, neutropenia cíclica excluída Seguimento pelo pediatra; diário; dose única de corticoide na crise
🟡 Moderada Quadro atípico (serosite, exantema, artrite, diarreia, dor torácica, crises > 7 dias ou irregulares); início < 1 ano; história familiar; inflamação entre as crises; pouca resposta ao corticoide; intervalos cada vez menores; proteinúria, surdez, urticária ao frio; queda no crescimento Encaminhar ao reumatologista pediátrico, com prioridade se houver proteinúria, surdez, quadro neurológico, déficit de crescimento ou início neonatal; neutropenia no nadir: hematologista (ver "Neutropenias na infância")
🔴 Grave Toxemia, desidratação; abdome agudo (a peritonite da FMF imita apendicite); febre com neutrófilos < 500/mm³; citopenias, organomegalia, adenomegalia supraclavicular ou endurecida, massa, perda de peso; meningismo; sinais de Kawasaki ou de ativação macrofágica Pronto-socorro, sem corticoide antes

Fatores de risco que elevam a gravidade

  • Início antes de 1 ano, consanguinidade, irmão ou pai com doença semelhante, amiloidose ou insuficiência renal na família.
  • PCR ou amiloide A sérica (SAA) elevadas entre as crises; proteinúria (sinal de amiloidose).

3.Diagnóstico no consultório

1. Diário de febre (por 3 a 6 crises): início e fim, temperatura máxima (febre: axilar ≥ 37,5 °C — padrão do site), garganta, aftas, gânglios, dor abdominal, diarreia, manchas, dor articular, olhos, desencadeantes (frio, vacina), contatos doentes, medicamentos e resposta; fotos ajudam.

2. Exame na crise e fora dela: crescimento, orofaringe, todas as cadeias linfonodais (inclusive supraclavicular), fígado e baço, articulações, pele, audição.

3. Critérios da PFAPA:

  • Thomas (Marshall modificados), adotados pela SBP (2017), que exigem todos os itens:
    1. Febre que recorre regularmente, com início precoce (< 5 anos).
    2. Sintomas constitucionais sem infecção de vias aéreas superiores, com pelo menos um destes: estomatite aftosa, linfadenite cervical, faringite.
    3. Exclusão de neutropenia cíclica.
    4. Intervalo completamente assintomático entre os episódios.
    5. Crescimento e desenvolvimento normais.
  • Eurofever/PRINTO 2019 (sensibilidade 0,97, especificidade 0,93), que exige 7 de 8 itens. Presentes: faringoamigdalite, crises de 3–6 dias, linfadenite cervical, periodicidade. Ausentes: diarreia, dor torácica, exantema, artrite. Os itens de ausência ajudam a separar a PFAPA das febres hereditárias.

Thomas é sensível e pouco específico: FMF, MKD e TRAPS podem preenchê-lo (SBP 2017; AEP 2020). A resposta rápida ao corticoide apoia a PFAPA (a MKD pode responder).

4. Exames:

Quando Exames
Na crise Hemograma, PCR (e VHS); teste rápido ou cultura para estreptococo em pelo menos uma crise com faringite (AEP 2020)
Fora da crise (7–10 dias após) Hemograma e PCR, que devem normalizar na PFAPA
Febre a cada 3 semanas, aftas, gengivite ou neutropenia Hemogramas seriados para neutropenia cíclica: 2×/semana por 6 semanas (EHA 2023, conforme "Neutropenias na infância"; a SBP 2017 propõe semanais por 4–6 semanas)
Suspeita de febre hereditária Urina tipo 1 e relação proteína/creatinina (amiloidose), função renal, SAA; ácido mevalônico urinário na crise (MKD); IgD não é específica (sobe também no linfoma de Hodgkin, na tuberculose e no HIV — AEP 2019)

5. Quando pensar em genética (pedida pelo especialista, em geral painel com MEFV, MVK, TNFRSF1A, NLRP3): quadro atípico para PFAPA ou itens de ausência positivos (diarreia, dor torácica, exantema, artrite), início antes de 1 ano, crises irregulares ou longas, serosite, urticária, surdez, inflamação persistente entre as crises, história familiar ou ascendência de risco, proteinúria (SBP 2017; AEP 2020; Eurofever/PRINTO 2019). Uma só variante de MEFV não confirma FMF. O diagnóstico de FMF é clínico (critérios de Tel-Hashomer), e a resposta à colchicina é um dos critérios maiores (AEP 2019).

Diagnóstico diferencial que não pode passar:

  • Neutropenia cíclica: ver "Neutropenias na infância"; dor abdominal no nadir pode ser infecção grave.
  • Linfoma e leucemia: sudorese noturna, perda de peso, adenomegalia persistente, endurecida ou supraclavicular, massa mediastinal, citopenias, organomegalia; o corticoide mascara o diagnóstico (AEP 2020).
  • Febre de origem indeterminada: febre contínua e prolongada (não episódica) segue o documento "Febre prolongada e febre de origem indeterminada na criança".
  • Infecção urinária, tuberculose, faringoamigdalite estreptocócica recorrente, AIJ sistêmica, lúpus, Behçet (aftas orais e genitais), doença inflamatória intestinal. Na urticária adquirida ao frio, ao contrário da FCAS, o teste do cubo de gelo é positivo (AEP 2019).

4.Tratamento e seguimento

O pediatra confirma o padrão, exclui infecção, neutropenia cíclica e neoplasia, diagnostica a PFAPA típica e orienta o corticoide. Antitérmicos e AINE não controlam a crise (SBP 2017).

PFAPA, crise: corticoide em dose única ao primeiro sinal da crise. A febre cede em horas; as aftas demoram mais. Não previne crises e encurta o intervalo em 25–50% dos casos (SBP 2017). Só com diagnóstico firmado, nunca na primeira febre.

PFAPA, profilaxia e amigdalectomia (decisão do especialista): crises muito frequentes ou intervalos encurtados pelo corticoide.

  • Colchicina: a SBP (2017) a considera de pouca eficácia. A AEP (2020) relata aumento do intervalo livre e menos crises, sobretudo com variantes de MEFV.
  • Cimetidina (pouco eficaz), vitamina D (evidência insuficiente), anakinra (casos selecionados).
  • Amigdalectomia: a revisão Cochrane (2019; 2 ensaios, 67 crianças, certeza moderada) mostrou menos crises e mais resolução após a cirurgia, com NNT de 2. A SBP (2017) a considera controversa e a reserva a casos selecionados (intervalos muito curtos ou corticoide inadequado). O site segue a SBP.

Febres hereditárias (especialista):

  • FMF: colchicina contínua, por toda a vida, que controla as crises e previne a amiloidose. A dose sobe se as crises ou a inflamação subclínica persistirem com boa adesão. É resistente quem mantém ≥ 1 crise/mês por 6 meses na dose máxima tolerada. Nesse caso, entra o bloqueio de IL-1 (anakinra, canaquinumabe — EULAR/PReS 2024).
  • CAPS: bloqueio de IL-1 precoce (evita surdez e dano neurológico).
  • TRAPS: AINE e cursos de corticoide nas crises; nas crises frequentes, bloqueio de IL-1 (preferido) ou etanercepte (resposta parcial) (AEP 2019).
  • MKD: AINE e corticoide nas crises; biológico nos refratários (AEP 2019).
  • Seguimento com PCR, SAA, proteinúria e, na CAPS, audiometria; vacinas: "Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas (CRIE)".
Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Prednisona ou prednisolona VO, crise de PFAPA 0,5–2 mg/kg (em geral 1 mg/kg); máx. 60 mg Dose única no 1º dia de febre Repetir no 2º dia se a febre persistir SBP 2017; teto do CARRA 2020 (a SBP não fixa máximo)
Betametasona VO, crise de PFAPA 0,1–0,2 mg/kg Dose única Repetir no 2º dia se necessário SBP 2017
Colchicina VO, profilaxia da PFAPA 0,5–1 mg/dia 1–2 tomadas Contínua, enquanto houver benefício SBP 2017 (pouco eficaz); AEP 2020; especialista
Colchicina VO, FMF < 5 anos: ≤ 0,5 mg/dia; 5–10 anos: 0,5–1 mg/dia; > 10 anos: 1–1,5 mg/dia; máx. 2 mg/dia na criança 1 tomada ou dividida Contínua, por toda a vida EULAR/PReS 2024; ajustar por PCR e SAA; diarreia; interações (macrolídeos, azólicos); especialista
Cimetidina VO, PFAPA 20–40 mg/kg/dia Dividida Contínua SBP 2017; pouco eficaz
Canaquinumabe SC, TRAPS, MKD ou FMF resistente 2 mg/kg (7,5–40 kg) ou 150 mg (> 40 kg) A cada 4 semanas Contínua NHS England 200209P (2020); ≥ 2 anos; especialista; fora do SUS
Anakinra SC PFAPA: 1 mg/kg no 1º e 2º dias de febre Diária Conforme especialista SBP 2017. Anvisa 07/2026: CAPS, FMF e Still (≥ 8 meses, ≥ 10 kg); PFAPA fora da bula

Não usar: corticoide "de teste" em febre sem diagnóstico (mascara linfoma e leucemia — ver "Febre prolongada e febre de origem indeterminada na criança"); antibiótico a cada crise de PFAPA sem teste positivo; corticoide crônico preventivo.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Toxemia, má perfusão, prostração, desidratação.
  • Abdome agudo; dor torácica com dispneia (serosite, derrame).
  • Febre com neutrófilos < 500/mm³ ou dor abdominal no nadir da neutropenia cíclica.
  • Citopenias, blastos, organomegalia, adenomegalia supraclavicular ou endurecida, massa, perda de peso.
  • Meningismo, convulsão; febre ≥ 5 dias com sinais de Kawasaki; ferritina muito alta com citopenias (ativação macrofágica).

Como encaminhar: sem corticoide antes da avaliação; ABC e perfusão; se SpO2 < 94%, oxigênio para manter SpO2 entre 94% e 98%; sepse conforme "Sepse e choque séptico na criança". Relatório com o diário, exames da crise e do intervalo e medicamentos usados.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

"A PFAPA não é contagiosa, não é falta de imunidade e passa com o tempo. Anote cada crise no diário e leve-o às consultas. Dê o corticoide receitado em dose única no início da febre, só depois de o médico confirmar o diagnóstico."

Volte ao pediatra se as crises mudarem (mais de 7 dias, manchas, dor nas juntas, diarreia, dor no peito, olhos inchados, intervalos cada vez menores) ou se a criança não ficar bem entre elas, perder peso ou parar de crescer.

Pronto-socorro: criança muito abatida ou difícil de acordar, pálida ou com manchas roxas; dor de barriga forte e contínua; falta de ar; pescoço duro; gânglios que crescem; febre com neutropenia conhecida.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Documento (versão/data) DC Reumatologia nº 1, Síndrome PFAPA, maio de 2017 Sem PCDT; Nota Técnica CONJUR nº 10/2012 (canaquinumabe), atualizada em 26/11/2015 Sem posição específica localizada Sem diretriz; política NHS England 200209P (canaquinumabe), preparada pelo NICE, fev. 2020 Protocolos PFAPA (2020) e Enfermedades autoinflamatorias (2019) Sem posição específica localizada Sem posição institucional; CARRA 2020 com autores do Boston Children's Segue o NICE
Critérios da PFAPA Thomas (5 itens), início < 5 anos Sem posição Sem posição Sem posição Thomas; Vanoni restritivos demais Sem posição CARRA 2020 Segue o NICE
Crise da PFAPA Prednisona 0,5–2 mg/kg ou betametasona, dose única Sem posição Sem posição Sem posição Prednisona 1–2 mg/kg, dose única Sem posição Prednisolona 1–2 mg/kg (máx. 60 mg) Segue o NICE
Profilaxia da PFAPA Colchicina e cimetidina pouco eficazes Sem posição Sem posição Sem posição Colchicina eficaz (0,5–1 mg/dia) Sem posição Colchicina e cimetidina como planos Segue o NICE
Amigdalectomia Controversa; só casos selecionados Sem posição Sem posição Sem posição Casos selecionados; resolução de 63–92% em séries Sem posição Plano de tratamento CARRA Segue o NICE
Febres hereditárias Investigar se atípico Canaquinumabe fora do SUS Sem posição Canaquinumabe (TRAPS, MKD, FMF) Colchicina na FMF; IL-1 nas demais Sem posição Sem posição Segue o NICE

Leitura: SBP (2017) e AEP (2020) concordam nos critérios de Thomas, na exclusão da neutropenia cíclica, na dose única de corticoide, no encurtamento do intervalo em 25–50% e na amigdalectomia para casos selecionados. Divergem na colchicina profilática na PFAPA: pouco eficaz para a SBP, com boa resposta para a AEP, sobretudo com variantes de MEFV. Os critérios Eurofever/PRINTO (2019) somam itens de ausência que ajudam a separar as febres hereditárias. Na FMF, a EULAR/PReS (2024) fixa a colchicina por faixa etária, até 2 mg/dia na criança, e o bloqueio de IL-1 na resistência. O NICE não tem diretriz (só a política do NHS England sobre o canaquinumabe); o MS não tem PCDT; AAP e Johns Hopkins sem posição localizada; Harvard só pelo CARRA; Oxford e Cambridge seguem o NICE. Posição adotada pelo site: SBP 2017 — critérios de Thomas, prednisona ou prednisolona 0,5–2 mg/kg em dose única só com diagnóstico firmado, amigdalectomia em casos selecionados e profilaxia a critério do especialista. Na FMF, sem posição da SBP nem do MS, segue a EULAR/PReS 2024.

Pontos práticos
  1. Antes de rotular a PFAPA: diário de febre e hemograma e PCR na crise e fora dela.
  2. Febre a cada 3 semanas com aftas e gengivite pede hemogramas seriados: a neutropenia cíclica não responde ao corticoide.
  3. Corticoide só com diagnóstico firmado, em dose única no início da crise. O "de teste" mascara linfoma e leucemia.
  4. Diarreia, dor torácica, exantema, artrite, início < 1 ano, história familiar ou PCR alta entre as crises sugerem febre hereditária: reumatologista pediátrico.
  5. Na FMF, a colchicina é contínua e por toda a vida, porque previne a amiloidose; vigie a proteinúria.
  6. Gânglio endurecido ou supraclavicular, perda de peso ou citopenias: pronto-socorro.

Veja também, nesta Biblioteca: Febre prolongada e febre de origem indeterminada na criança (Infectologia); Neutropenias na infância (fora da quimioterapia) (Hematologia); Faringoamigdalite (viral × estreptocócica) e Linfonodomegalias e linfadenites na criança (Patologias do consultório); Artrite idiopática juvenil (AIJ) e Síndrome de ativação macrofágica e linfo-histiocitose hemofagocítica (HLH) (nesta área); Miocardite, pericardite e síndrome inflamatória multissistêmica (MIS-C) (Cardiologia); Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas (CRIE) (Imunizações).

8.Fontes

  • Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Reumatologia. Síndrome PFAPA. Documento Científico nº 1, maio de 2017. PDF
  • AEP. Fernández Silveira L, García Ruiz-Santa Quiteria MI, Camacho Lovillo M. Síndrome PFAPA. Protoc diagn ter pediatr, 2020;2:391-400. PDF
  • AEP. Llobet Agulló MP, Moure González JD. Diagnóstico y manejo de las enfermedades autoinflamatorias en Pediatría. Protoc diagn ter pediatr, 2019;2:453-69. PDF
  • Gattorno M et al.; Eurofever/PRINTO. Classification criteria for autoinflammatory recurrent fevers. Ann Rheum Dis, 2019;78(8):1025-32. PubMed
  • Ozen S et al. EULAR/PReS recommendations for the management of FMF: 2024 update. Ann Rheum Dis, 2025;84(6):899-909. PubMed; resumo CEREMAIA link
  • Burton MJ et al. Tonsillectomy for PFAPA. Cochrane Database Syst Rev, 2019;12:CD008669. PubMed
  • Amarilyo G et al.; CARRA PFAPA Work Group. Consensus treatment plans for PFAPA. Pediatr Rheumatol, 2020. PMC
  • NHS England (preparado pelo NICE). Clinical Commissioning Policy: Canakinumab for periodic fever syndromes (TRAPS, HIDS/MKD, FMF), ref. 200209P, fev. 2020. PDF
  • Anvisa. Anvisa aprova novo medicamento para tratar doenças autoinflamatórias (Kineret®, anacinra; RE nº 2.871/2026), 27/07/2026. gov.br/anvisa
  • Ministério da Saúde, Consultoria Jurídica. Nota Técnica nº 10/2012 — canaquinumabe (atualizada em 26/11/2015). PDF