Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
A síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P, ou MIS-C) é uma resposta imune tardia ao SARS-CoV-2: aparece 2 a 6 semanas após a infecção, muitas vezes assintomática, com febre persistente, dor abdominal, vômitos e diarreia, exantema, conjuntivite não purulenta e acometimento cardíaco em cerca de 80% dos casos (SBP 2020) — disfunção ventricular, choque e alterações coronárias. Ficou rara desde 2022, mas a letalidade no Brasil foi de 6,9% (MS). Não há SIM-P leve para casa: criança com febre após COVID-19 ou contato e sinais de mais de um sistema vai ao pronto-socorro no mesmo dia (🟡) e, se houver choque, taquicardia desproporcional, hipotensão, dor abdominal intensa ou prostração, imediatamente, pelo SAMU (🔴). Só a criança em bom estado, sem sinais de órgão e sem inflamação laboratorial fica em casa, com reavaliação em 24–48 h (SBP 2020). O tratamento é hospitalar: imunoglobulina IV 2 g/kg e metilprednisolona, anakinra nos refratários, AAS em dose baixa e anticoagulação conforme o risco. A SIM-P é de notificação obrigatória (compulsória).
1.O que é e como se apresenta
Conceito. Condição pós-infecciosa e hiperinflamatória, imunomediada, com sobreposição com a doença de Kawasaki, o choque tóxico e a síndrome de ativação macrofágica (SBP 2020); sintomas respiratórios podem faltar (MS 2024).
Epidemiologia no Brasil (MS, Boletim COE nº 162/2024): casos confirmados — 743 em 2020, 868 em 2021, 448 em 2022, 76 em 2023 e 16 em 2024 (até a SE 18); letalidade de 5% a 9% ao ano. Predomínio masculino (58%) e da faixa de 1 a 4 anos (38% dos casos). O MS atribui a queda à ômicron e à vacinação pediátrica.
Quadro clínico (SBP 2020; MS 2024):
- Febre persistente (em geral ≥ 3 dias) e prostração.
- Gastrointestinal (muito frequente): dor abdominal, às vezes simulando apendicite, vômitos, diarreia.
- Mucocutâneo: conjuntivite não purulenta, exantema, lábios fissurados, língua em framboesa, edema de mãos e pés (Kawasaki completo ou incompleto).
- Cardiovascular: taquicardia desproporcional, hipotensão, choque, disfunção ventricular, pericardite, arritmias, dilatação ou aneurisma coronário.
- Neurológico e outros: cefaleia, sonolência, convulsão; lesão renal aguda, hepatite, serosites.
Definições de caso (para notificação e vigilância — não para atrasar o tratamento):
| Item | Ministério da Saúde (2020, base OPAS/OMS) | CDC/CSTE (vigente desde 01/01/2023) |
|---|---|---|
| Idade | Até 19 anos | < 21 anos |
| Febre | > 38 °C e persistente (≥ 3 dias) | ≥ 38,0 °C, referida ou medida |
| Gravidade | Hospitalizado | Hospitalização ou óbito |
| Inflamação | VHS, PCR ou procalcitonina elevadas | PCR ≥ 3,0 mg/dL (30 mg/L) |
| Órgãos | ≥ 2 de: mucocutâneo; hipotensão ou choque; disfunção miocárdica, pericardite, valvulite ou coronárias (eco, troponina, NT-proBNP); coagulopatia (TP, TTPa, D-dímero); gastrointestinal | ≥ 2 de: cardíaco (FEVE < 55%, coronárias ou troponina elevada); mucocutâneo; choque; gastrointestinal; hematológico (plaquetas < 150.000 ou linfócitos < 1.000/µL) |
| SARS-CoV-2 | RT-PCR, antígeno ou sorologia positivos, ou contato com caso | RT-PCR ou antígeno até 60 dias antes ou durante a internação, anticorpos, ou contato próximo nos 60 dias anteriores |
| Exclusão | Outras causas infecciosas e inflamatórias (sepse, choque estafilocócico ou estreptocócico) | Diagnóstico alternativo mais provável |
O MS admite casos com Kawasaki ou choque tóxico completos ou parciais. Os limiares de 38 °C são das definições de caso; na rotina do site, febre é temperatura axilar ≥ 37,5 °C.
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Febre após COVID-19 ou contato, bom estado geral, sinais vitais normais, sem sinais de órgão (sem dor abdominal importante, exantema, conjuntivite, edema) e, se feitos, exames sem inflamação | Casa, antitérmico do padrão do site, reavaliação em 24–48 h (SBP 2020) e sinais de alerta por escrito; febre que persiste ou sinal novo = 🟡 |
| 🟡 Moderada | Suspeita de SIM-P: febre persistente com ≥ 1 sinal de órgão (gastrointestinal, mucocutâneo, Kawasaki completo ou parcial) após COVID-19 ou contato, com sinais vitais normais e boa perfusão | Pronto-socorro no mesmo dia (cardio-pediatria e UTI disponíveis) para exames, ECG e eco; interna se houver critério (abaixo); notificação obrigatória (compulsória) |
| 🔴 Grave | Choque ou má perfusão, hipotensão, taquicardia desproporcional, galope, hepatomegalia, arritmia; desconforto respiratório, SpO2 < 92%; sonolência, convulsão, déficit focal; dor abdominal intensa, vômitos incoercíveis, desidratação; oligúria; sangramento | Pronto-socorro imediatamente, pelo SAMU (192), com estabilização (ver "Como encaminhar"); UTI pediátrica |
Critérios de internação (SBP 2020): além dos sinais 🔴, Kawasaki completo ou parcial, lesão renal ou hepática, coagulopatia, doença de base de risco, impossibilidade de seguimento, PCR > 10 mg/dL, ECG alterado ou enzima miocárdica elevada.
Fatores que elevam a gravidade
- Choque, disfunção ventricular, troponina e NT-proBNP muito elevados, linfopenia e plaquetopenia acentuadas, ferritina muito alta (ativação macrofágica).
- Risco de trombose: idade > 12 anos, UTI, cateter central, D-dímero > 5 vezes o normal (ACR 2022).
- Doença de base (cardiopatia, pneumopatia, imunodeficiência, doença autoimune, neoplasia, imunossupressor — SBP 2020); demora no diagnóstico.
3.Diagnóstico no consultório
O que é clínico: a suspeita. Pergunte por COVID-19 ou contato nas últimas 6 semanas, vacinação, dias de febre, sintomas gastrointestinais, manchas, olhos vermelhos, sonolência e diurese. Exame: FC (taquicardia desproporcional é alarme), PA, enchimento capilar, SpO2, galope, fígado, sinais de Kawasaki, abdome e consciência.
Exames — quando e quais (no serviço de urgência; nunca atrasar o encaminhamento do caso grave). O ACR 2022 propõe dois níveis:
- Nível 1 (triagem): hemograma com diferencial, PCR, VHS, eletrólitos, função renal e hepática, albumina, RT-PCR ou antígeno e sorologia para SARS-CoV-2. Prossegue para o nível 2 quem tem VHS e/ou PCR elevadas e ≥ 1 achado sugestivo: linfopenia, neutrofilia, plaquetopenia, hiponatremia ou hipoalbuminemia.
- Nível 2: ECG, ecocardiograma, troponina, BNP/NT-proBNP, D-dímero, coagulograma, ferritina, procalcitonina, LDH, esfregaço periférico; hemoculturas; urina tipo 1; radiografia de tórax e ultrassonografia de abdome conforme o quadro.
Diagnóstico diferencial que não pode passar:
- Sepse e choque tóxico: toda SIM-P moderada ou grave colhe hemocultura e recebe antibiótico até a exclusão (SBP 2020).
- Doença de Kawasaki: em geral abaixo de 5 anos, sem choque nem dor abdominal predominante, com plaquetose na fase subaguda; a SIM-P tem mais choque, disfunção ventricular, linfopenia e plaquetopenia, sintomas gastrointestinais e faixa etária mais ampla (ACR 2022). Quem preenche critérios de Kawasaki recebe imunoglobulina de qualquer forma.
- Apendicite, miocardite viral, dengue, febre maculosa, sarampo, adenovírus; ativação macrofágica, lúpus, leucemia (citopenias, blastos), DRESS.
4.Tratamento e seguimento
Do especialista e do hospital: a decisão é multidisciplinar. Abordagem escalonada: imunoglobulina IV e corticoide em dose baixa a moderada na maioria dos internados; imunoglobulina isolada ou só monitorização em casos leves selecionados (ACR 2022). O suporte segue o documento de Sepse: na hipotensão, adrenalina em infusão contínua é a droga inicial (SBP 2020), 0,05–1 mcg/kg/min titulada (padrão do site); dobutamina ou milrinona na disfunção ventricular com PA adequada (SBP 2020). Antiviral não tem papel estabelecido (SBP 2020).
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Imunoglobulina IV | 2 g/kg pelo peso ideal (máx. 100 g) | Dose única, infusão de cerca de 12 h; com disfunção cardíaca ou instabilidade, 1 g/kg/dia | 1 dia (ou 2 dias, se dividida) | ACR 2022; AEP 2021; SBP 2020 (1–2 g/kg em 12 h, repetível no refratário); vigiar sobrecarga de volume |
| Metilprednisolona (dose baixa a moderada) | 1–2 mg/kg/dia IV | Diária | Até a melhora; depois prednisolona oral com desmame em 2–3 semanas ou mais, guiado por clínica e exames | ACR 2022; AEP 2021. SBP 2020: só nos graves ou refratários |
| Metilprednisolona (pulso) | 10–30 mg/kg/dia IV (máx. 1 g) | 1 vez/dia | 1–3 dias; depois 2 mg/kg/dia por 5 dias e desmame em 2–3 semanas | Choque, vasopressor, disfunção ventricular ou refratário à 1ª linha (SBP 2020; ACR 2022; máx. 1 g — AEP 2021) |
| Anakinra | > 4 mg/kg/dia IV ou SC | Conforme o serviço | Conforme a resposta | Refratário ou ativação macrofágica (ACR 2022); AEP 2021: 2–8 mg/kg/dia, máx. 400 mg; SBP 2020: reumatologista. Anvisa 07/2026 (Still, CAPS, FMF): MIS-C fora da bula |
| Infliximabe | 5–10 mg/kg IV | Dose única | — | Refratário (ACR 2022) |
| Ácido acetilsalicílico (AAS) | 3–5 mg/kg/dia (máx. 80 mg/dia) | 1 vez/dia | Até plaquetas normais e coronárias normais com ≥ 4 semanas do diagnóstico | ACR 2022 (máx. 81 mg); SBP 2020 (máx. 80 mg), só com Kawasaki ou plaquetas ≥ 450.000/µL; evitar se plaquetas ≤ 80.000/µL (SBP 2020; ACR 2022); preferir o comprimido de 81 mg, e o de 100 mg é aceitável acima de 20 kg (decisão do site); ver nota abaixo |
| Enoxaparina | Dose terapêutica, alvo anti-Xa 0,5–1,0 | Conforme o hematologista | Trombose: 3 meses (ACR 2022); FE < 35%: até FE > 35% (ACR) e ≥ 2 semanas após a alta (SBP 2020) | Aneurisma com escore z ≥ 10: AAS + enoxaparina, por tempo indefinido (SBP 2020); profilaxia nos demais conforme o risco (ACR 2022) |
- AAS na criança que preenche critérios de Kawasaki: a SBP 2020 e a AEP 2021 começam com 30–50 mg/kg/dia até 48 h sem febre e então 3–5 mg/kg/dia; o ACR 2022 usa só a dose baixa. Nesses casos, seguir o documento "Doença de Kawasaki" e o especialista.
- Antibiótico empírico no choque ou sinais de sepse (SBP 2020: ceftriaxona com clindamicina foi a mais usada), conforme "Sepse e choque séptico na criança".
- Não usar: AAS ou corticoide no consultório antes do diagnóstico; corticoterapia prolongada após a alta; ibuprofeno em choque, desidratação, lesão renal ou suspeita de dengue. Antitérmico: dipirona 15 mg/kg/dose ou paracetamol 10–15 mg/kg/dose (padrão do site), sem alternar.
O que o pediatra faz após a alta:
- Acompanha o desmame do corticoide definido pelo especialista.
- Mantém o AAS em dose baixa até a liberação pelo cardiologista; orienta contato se houver varicela ou influenza (síndrome de Reye).
- Garante o seguimento cardiológico: ecocardiograma com 7–14 dias e 4–6 semanas (ACR 2022) e, se houve alteração, outros controles definidos pelo cardiologista; esporte só com liberação do cardiologista (após miocardite, 3–6 meses — SBC 2022).
- Vacinas: inativadas no calendário; vivas injetáveis (tríplice viral, varicela) só 11 meses após imunoglobulina 1,6–2 g/kg (Manual dos CRIE 2023, Tabela 5); após corticoide imunossupressor, ver "Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas (CRIE)". Vacina contra COVID-19 após SIM-P: decidir com o cardiologista.
- Vigia recaída no desmame, sequelas emocionais e o retorno escolar.
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Febre persistente após COVID-19 ou contato com qualquer sinal de órgão (gastrointestinal, mucocutâneo, Kawasaki) — mesmo dia.
- Choque (taquicardia desproporcional, enchimento lento, extremidades frias, hipotensão, oligúria), galope, hepatomegalia, arritmia, SpO2 < 92%, alteração neurológica, dor abdominal intensa, desidratação — imediatamente.
- Febre que persiste na reavaliação de 24–48 h da criança 🟢.
Como encaminhar
- Não atrasar o transporte por exames.
- Oxigênio para manter SpO2 entre 94% e 98%, evitando hiperóxia; posição de conforto.
- Choque ou má perfusão: SAMU (192), acesso venoso ou intraósseo; cristaloide em alíquotas de 10 mL/kg com reavaliação após cada uma — a disfunção miocárdica é frequente e a sobrecarga piora o quadro; parar se surgir hepatomegalia ou estertores (ver "Sepse e choque séptico na criança").
- Suspeita de sepse ou púrpura febril com remoção demorada: antibiótico conforme "Sepse e choque séptico na criança" (meningococcemia: ceftriaxona 100 mg/kg, máx. 4 g, IV ou IM).
- Não dar AAS, corticoide nem ibuprofeno; antitérmico conforme o padrão do site.
- Contato prévio com o serviço de destino (UTI pediátrica, ecocardiografia).
- Relatório: data da COVID-19 ou do contato, vacinação, dias de febre, sinais vitais, exames e medicamentos.
- Notificação obrigatória (compulsória) da SIM-P associada à COVID-19 (Lista Nacional, Portaria GM/MS nº 10.175/2026, item 58), em formulário do MS (REDCap), pelo serviço que atende.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "Nas 6 semanas depois da COVID-19, febre que dura mais de 2–3 dias com dor de barriga, vômitos, manchas na pele ou olhos vermelhos precisa de avaliação no mesmo dia."
- Pronto-socorro imediatamente se houver: respiração rápida ou difícil, palidez, pele fria ou manchada, lábios roxos, sonolência ou confusão, convulsão, dor de barriga forte, vômitos que não param, urina pouca ou ausente, coração disparado, desmaio.
- Depois da alta: "O corticoide é reduzido aos poucos; não suspenda por conta própria. O AAS segue até o cardiologista liberar; se aparecer catapora ou gripe, ligue antes de dar a próxima dose. Os exames do coração de controle são indispensáveis."
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Versão consultada | Nota de Alerta, 07/08/2020 (DCs Infectologia, Reumatologia, Cardiologia, Terapia Intensiva e Emergência) | Definição de caso 2020; Portaria GM/MS nº 10.175/2026; Boletim COE nº 162, abr. 2024 | Orientação provisória, jul. 2020 (revisada em dez. 2020) | Sem diretriz localizada | Consenso SIM-PedS, An Pediatr 2021 | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Definição | ≤ 19 anos, febre ≥ 3 dias, ≥ 2 sistemas (adota a do MS) | Idem, base OPAS/OMS | Descreve fenótipos (Kawasaki, choque, hiperinflamação) | — | Definições da OMS, CDC e RCPCH | — | — | — |
| Exames | Inflamação, coagulação, troponina, NT-proBNP, ECG e eco | Vigilância via REDCap | Eco, ECG, troponina, pró-BNP, D-dímero | — | Eco em todos | — | — | — |
| Internação | Critérios clínicos; PCR > 10 mg/dL; casa com reavaliação em 24–48 h se sem inflamação | — | Abordagem multidisciplinar | — | Estabilização em UTI no choque | — | — | — |
| Imunomodulação | IGIV 1–2 g/kg nos moderados e graves; MP com IGIV só nos graves ou refratários (pulso 10–30); biológico no refratário | — | IGIV, corticoide, anakinra | — | IGIV 2 g/kg; MP 1–2 mg/kg ou 30 mg/kg (máx. 1 g) | — | — | — |
| AAS e anticoagulação | AAS só se Kawasaki ou plaquetas ≥ 450.000: 30–50 → 3–5 mg/kg/dia (máx. 80); enoxaparina se z ≥ 10, trombose ou FE < 35% | — | Consulta à hematologia | — | AAS 30–50 → 3–5 por 6–8 semanas; HBPM se D-dímero ≥ 6 vezes | — | — | — |
Leitura: as referências convergem no essencial — síndrome pós-infecciosa, exclusão de sepse e Kawasaki, eco em todos, imunoglobulina com corticoide, anakinra nos refratários e seguimento cardiológico. Divergem na definição (MS/OMS até 19 anos e febre ≥ 3 dias; CDC 2023, apoio, < 21 anos e PCR ≥ 3 mg/dL), na imunoglobulina (SBP 1–2 g/kg; AEP e ACR 2022, apoio, 2 g/kg), no corticoide (SBP só nos graves ou refratários, em pulso; ACR e AEP 1–2 mg/kg/dia na maioria), no AAS (SBP só com Kawasaki ou plaquetose, iniciando com 30–50 mg/kg/dia, como a AEP; ACR, dose baixa em todos) e na heparina (AEP pelo D-dímero; SBP e ACR por trombose, função ventricular e coronárias). NICE, Johns Hopkins e Harvard sem documento localizado; a AAP só tem a orientação provisória de 2020. O site adota a definição do MS e a SBP na internação e na anticoagulação; no tratamento segue, como o documento de Cardiologia, o ACR 2022, com a SBP 2020 registrada como divergência (decisão pendente do Dr. Stefani).
- Febre persistente com dor abdominal, exantema ou conjuntivite nas 6 semanas após COVID-19 ou contato = pense em SIM-P e encaminhe ao pronto-socorro no mesmo dia.
- Taquicardia desproporcional, enchimento capilar lento ou hipotensão = choque: SAMU, oxigênio para SpO2 94–98% e alíquotas de 10 mL/kg com reavaliação.
- Sepse e Kawasaki são os grandes diferenciais: hemocultura e antibiótico até excluir sepse; quem preenche Kawasaki recebe imunoglobulina.
- Tratamento hospitalar: imunoglobulina 2 g/kg e metilprednisolona, pulso nos graves, anakinra nos refratários, AAS 3–5 mg/kg/dia (máx. 80 mg).
- Após a alta: desmame do corticoide, AAS até a liberação, eco com 7–14 dias e 4–6 semanas, vacinas vivas só 11 meses após a imunoglobulina.
- Notificação obrigatória (compulsória) de todo caso suspeito.
Veja também, nesta Biblioteca: Miocardite, pericardite e síndrome inflamatória multissistêmica (MIS-C) (Cardiologia); Doença de Kawasaki e Síndrome de ativação macrofágica e linfo-histiocitose hemofagocítica (HLH) (nesta área); Sepse e choque séptico na criança (Urgências); Febre prolongada e febre de origem indeterminada na criança (Infectologia); Trombose venosa e trombofilias na criança e no adolescente (Hematologia); Vacinação da criança imunocomprometida e com doenças crônicas (CRIE) e Guia Vacinal Completo (Imunizações); A pele como sinal de doença sistêmica na criança (Dermatologia).
8.Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamentos Científicos de Infectologia, Reumatologia, Cardiologia, Terapia Intensiva e Emergência. Nota de Alerta — Notificação obrigatória no Ministério da Saúde dos casos de SIM-P potencialmente associada à COVID-19, 07/08/2020. PDF
- Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 10.175, de 23/01/2026 — Lista Nacional de Notificação Compulsória (item 58, SIM-P associada à covid-19). bvsms.saude.gov.br
- Ministério da Saúde, SVSA. Boletim Epidemiológico Especial COVID-19 nº 162 — Vigilância da covid-19 no Brasil, abril de 2024 (seção SIM-P). PDF
- American College of Rheumatology. Henderson LA et al. Clinical Guidance for MIS-C Associated With SARS-CoV-2 and Hyperinflammation in Pediatric COVID-19, Version 3. Arthritis Rheumatol 2022;74(4):e1–e20. PMC
- CDC/CSTE. Multisystem Inflammatory Syndrome in Children (MIS-C) — 2023 surveillance case definition. cdc.gov
- American Academy of Pediatrics. MIS-C interim guidance, julho de 2020 (resumo). contemporarypediatrics.com
- AEP/SECIP/SERPE e outras. García-Salido A et al. Documento español de consenso sobre diagnóstico, estabilización y tratamiento del SIM-PedS. An Pediatr 2021;94:116.e1–116.e11. analesdepediatria.org