Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF
A febre reumática (FR) é a complicação tardia da faringoamigdalite pelo estreptococo do grupo A (EGA) mal tratada, sobretudo entre 5 e 14 anos. O Brasil é população de risco moderado a alto: pelos critérios de Jones revisados (AHA 2015, adotados pela SBP 2024), monoartrite, poliartrite ou poliartralgia contam como critério maior, e monoartralgia e VHS ≥ 30 mm como menores. O diagnóstico exige 2 maiores, ou 1 maior + 2 menores, com evidência de estreptococcia recente (dispensada na coreia isolada e na cardite subclínica). Todo caso suspeito faz ecocardiograma com Doppler, mesmo sem sopro. Até confirmar, paracetamol (anti-inflamatório mascara o quadro). Artrite sem cardite e coreia leve são tratadas em casa, com encaminhamento prioritário ao reumatologista ou cardiologista pediátrico (🟡). Cardite moderada ou grave, insuficiência cardíaca, artrite incapacitante e coreia grave são internação (🔴). Prevenção: tratar a faringite e, após o diagnóstico, penicilina G benzatina a cada 21 dias (< 20 kg 600.000 UI; ≥ 20 kg 1.200.000 UI), por tempo definido pela cardite.
1.O que é e como se apresenta
Mecanismo: autoimunidade por mimetismo molecular entre a proteína M do EGA e tecidos do hospedeiro (valvas, miocárdio, gânglios da base). Só 0,3–3% das faringites estreptocócicas não tratadas evoluem para FR. A cardite é a única manifestação que deixa sequela (SBP 2024).
Manifestações maiores (SBP 2024):
- Artrite (> 70%): poliartrite migratória, assimétrica, de grandes articulações, muito dolorosa, 3–5 dias em cada uma, resolve em 2–3 semanas e responde ao anti-inflamatório em 24–48 h. Formas atípicas: aditiva, pequenas articulações, coluna, entesite. Artrite > 6 semanas na mesma articulação sugere outro diagnóstico.
- Cardite (cerca de 50%): pancardite com predomínio de valvite — mitral (sopro holossistólico apical) > mitral e aórtica > aórtica (sopro diastólico). Surge nas 3 primeiras semanas: taquicardia desproporcional à febre, atrito pericárdico, dispneia, insuficiência cardíaca.
- Coreia de Sydenham (5–36%): meninas escolares e adolescentes; latência de 2–4 meses (até 12), por isso VHS, PCR e ASLO podem ser normais. Movimentos involuntários de face e extremidades (às vezes hemicoreia ou "coreia mole"), piora da letra, sinal da ordenha, do pronador e da colher; somem no sono. Labilidade emocional e sintomas obsessivo-compulsivos são comuns. Dura 2–3 meses, até 1 ano.
- Nódulos subcutâneos (2–5%) e eritema marginado (< 3%): raros, associados à cardite.
Critérios de Jones revisados (AHA 2015; SBP 2024):
| Critério | População de baixo risco | População de risco moderado a alto (Brasil) |
|---|---|---|
| Maiores | Cardite (clínica ou subclínica); poliartrite; coreia; nódulos; eritema marginado | Cardite (clínica ou subclínica); monoartrite, poliartrite ou poliartralgia; coreia; nódulos; eritema marginado |
| Menores | Poliartralgia; febre; VHS ≥ 60 mm e/ou PCR ≥ 3,0 mg/dL; PR prolongado | Monoartralgia; febre; VHS ≥ 30 mm e/ou PCR ≥ 3,0 mg/dL; PR prolongado |
- Primeiro surto: 2 maiores, ou 1 maior + 2 menores, mais evidência de estreptococcia recente (cultura ou teste rápido positivo, ASLO ou anti-DNase B elevados, escarlatina recente).
- Recorrência: 2 maiores, 1 maior + 2 menores, ou 3 menores, com evidência de estreptococcia (SBP 2024; CDC 2025).
- Sem exigir estreptococcia: coreia isolada e cardite indolente.
- FR "provável": quadro que não fecha os critérios em população de risco deve receber profilaxia secundária até a reavaliação (diretriz SBC/SBP/SBR 2009; OMS 2004).
Na população de risco moderado a alto, a poliartralgia só conta como critério maior depois de excluídas outras causas (CDC 2025).
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | FR prévia sem cardite ou com lesão valvar leve estável, assintomática, profilaxia em dia | Seguimento pelo pediatra: benzatina a cada 21 dias, adesão, tratar cada faringite, revisão cardiológica periódica |
| 🟡 Moderada | Suspeita de FR aguda em bom estado: artrite não incapacitante, coreia leve a moderada que não impede andar e comer, cardite subclínica ou leve (sem cardiomegalia nem insuficiência cardíaca); interrupção da profilaxia em paciente com lesão valvar | Exames iniciais, paracetamol até confirmar, 1ª dose de penicilina G benzatina e encaminhamento com prioridade ao reumatologista ou cardiologista pediátrico (com urgência se houver sopro novo) |
| 🔴 Grave | Cardite moderada ou grave (taquicardia persistente, sopro intenso ou diastólico, insuficiência cardíaca, cardiomegalia, pericardite); BAV de 2º ou 3º grau ou arritmia; artrite incapacitante; coreia grave (não anda, não come, risco de queda ou de se ferir) | Internação (SBP 2024): pronto-socorro ou hospital com cardiologia pediátrica |
Fatores de risco que elevam a gravidade
- Recorrência (cada surto soma dano valvar) e abandono da profilaxia secundária.
- Lesão valvar prévia, cirurgia valvar, prótese.
- Cardite no 1º surto, nódulos subcutâneos ou eritema marginado.
3.Diagnóstico no consultório
É clínico, apoiado em exames. Perguntar por faringite ou escarlatina nas semanas anteriores, dor migratória, dispneia, mudança na letra ou no comportamento. Auscultar em decúbito lateral esquerdo e sentado. Anti-inflamatório prévio mascara artrite e provas inflamatórias.
Exames (SBP 2024):
| Exame | Para quê |
|---|---|
| VHS e PCR | Critério menor; repetir a cada 15 dias |
| ASLO (2 dosagens com ≥ 15 dias de intervalo) e anti-DNase B | Estreptococcia; pico em 4–6 semanas; ASLO alto isolado não faz diagnóstico |
| Cultura de orofaringe ou teste rápido | Sempre; sensibilidade baixa (20–30%) nessa fase |
| Ecocardiograma com Doppler | Todos os suspeitos, mesmo sem sopro (cardite subclínica) (SBP 2024; CDC 2025) |
| ECG e radiografia de tórax | PR longo, bloqueios; cardiomegalia |
| Hemograma | Leucemia, infecção |
| FAN e anticorpos antifosfolípides | Na coreia (lúpus, síndrome antifosfolípide) |
Cardite subclínica: exame, ausculta, radiografia e ECG normais (exceto PR), com regurgitação mitral ou aórtica patológica ao Doppler — jato holossistólico (mitral) ou holodiastólico (aórtico) identificado em pelo menos 2 planos; o espessamento dos folhetos aumenta a especificidade (diretriz SBC/SBP/SBR 2009). Conta como cardite (critério maior) desde a AHA 2015.
Diagnóstico diferencial que não pode passar (SBP 2024):
- Artrite séptica e osteomielite (monoartrite febril com recusa de apoio: pronto-socorro).
- Leucemia, linfoma, neuroblastoma (dor noturna, palidez, citopenias): hemograma antes de qualquer corticoide.
- Lúpus, AIJ (artrite fixa ≥ 6 semanas), vasculite por IgA, Kawasaki, artrites virais e gonocócica, tuberculose.
- Artrite reativa pós-estreptocócica: até 10 dias da faringite, não migratória, prolongada, responde mal ao AAS, não preenche Jones; a AEP cita profilaxia por 1–2 anos se não surgir cardite.
- Endocardite infecciosa, miocardite e pericardite virais, sopro inocente, valva aórtica bicúspide.
- Coreia: lúpus, síndrome antifosfolípide, encefalite autoimune, medicamentos, tiques (suprimíveis).
4.Tratamento e seguimento
O pediatra suspeita, pede exames, dá paracetamol, aplica a 1ª benzatina, encaminha e depois garante a profilaxia secundária e o tratamento de cada faringite. O especialista (reumatologista e cardiologista pediátricos) confirma, define anti-inflamatório ou corticoide e conduz a insuficiência cardíaca, a coreia grave e a cirurgia.
Medidas gerais (SBP 2024): repouso relativo e retorno gradual conforme a clínica e as provas inflamatórias; na cardite moderada ou grave, repouso relativo por 4 semanas. Reavaliar com provas de fase aguda, ecocardiograma, ECG e radiografia 4 semanas após o início.
Erradicação do estreptococo: na suspeita de FR, mesmo com cultura negativa; no 1º surto, essa dose inicia a profilaxia secundária (diretriz 2009).
Medicamentos:
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação e referência |
|---|---|---|---|---|
| Paracetamol (até confirmar o diagnóstico) | 10–15 mg/kg/dose; máx. 75 mg/kg/dia, nunca > 4 g/dia | 4–6 h (máx. 5 doses/dia) | Até definir o diagnóstico | SBP 2024; padrão do site (efeito cumulativo em 48–72 h) |
| Naproxeno (artrite) | 10–20 mg/kg/dia | 12/12 h | Cerca de 4 semanas, por clínica, VHS e PCR | Preferido (SBP 2024) |
| Ibuprofeno (artrite) | 30–40 mg/kg/dia | 6/6 a 8/8 h | Cerca de 4 semanas | SBP 2024 (dose anti-inflamatória) |
| Ácido acetilsalicílico (artrite) | 80–100 mg/kg/dia; após 2 semanas, com melhora, 60 mg/kg/dia | 6/6 h | Cerca de 4 semanas | SBP 2024; suspender em infecção viral (Reye) |
| Prednisona (cardite moderada ou grave) | 2 mg/kg/dia, máx. 60 mg/dia | 1x/dia ou fracionada | Plena 2 semanas, depois −20–25% por semana; total 12 semanas (4–8 na cardite leve) | SBP 2024 |
| Metilprednisolona IV (cardite grave refratária) | 30 mg/kg/dia | 1x/dia | 3 dias | SBP 2024 (sem teto; máx. 1 g conforme especialista); hospitalar |
| Haloperidol (coreia moderada ou grave) | 0,5–1 mg/dia; máx. 5 mg/dia | Especialista | Até 2–4 semanas após melhorar | SBP 2024 |
| Carbamazepina (coreia) | 3,5–10 mg/kg/dose | 12/12 h | Idem | SBP 2024 |
| Ácido valproico (coreia) | 7,5–10 mg/kg/dose | 12/12 h | Idem | SBP 2024; AEP prefere ao haloperidol |
| Prednisona (coreia grave) | 1 mg/kg/dia | 1x/dia | 2 semanas + desmame em 2 | SBP 2024 |
- Cardite leve e subclínica: corticoide controverso, em dose e tempo menores, a critério do especialista. Nenhum anti-inflamatório reduziu a sequela valvar (SBP 2024); a OMS (2024) não recomenda a favor nem contra.
- Insuficiência cardíaca: diurético, restrição hídrica e de sal, IECA na regurgitação aórtica, digoxina com cautela (SBP 2024; ver "Insuficiência cardíaca na criança"); cirurgia se houver ruptura de cordoalha ou perfuração valvar.
- Coreia leve: sem medicamento — ambiente calmo e apoio escolar.
- Sem corticoide na artrite isolada (diretriz 2009); imunoglobulina IV não muda a evolução (SBP 2024).
Profilaxia primária — tratar a faringite estreptocócica conforme "Faringoamigdalite (viral × estreptocócica)": penicilina G benzatina IM dose única (< 20 kg 600.000 UI; ≥ 20 kg 1.200.000 UI) ou amoxicilina 30–50 mg/kg/dia de 8/8 ou 12/12 h por 10 dias (Diretriz SBC/SBP/SBR 2009; a dose única diária da IDSA, 50 mg/kg/dia, máx. 1 g, é divergência); penicilina V: criança 250 mg e adolescente 500 mg, 2–3x/dia, por 10 dias (SBP 2024); na alergia, azitromicina 12 mg/kg/dia (máx. 500 mg) por 5 dias ou clindamicina (SBP 2024).
Profilaxia secundária — começa no diagnóstico:
| Medicamento | Dose | Intervalo | Observação e referência |
|---|---|---|---|
| Penicilina G benzatina IM | < 20 kg 600.000 UI; ≥ 20 kg 1.200.000 UI | A cada 21 dias | Escolha (SBP 2024; diretriz SBC/SBP/SBR 2009) |
| Penicilina V | 250 mg | 12/12 h | Alternativa, menos eficaz (diretriz 2009) |
| Alergia: sulfadiazina | < 30 kg 500 mg/dia; ≥ 30 kg 1 g/dia | 1x/dia | SBP 2024 |
| Alergia à penicilina e à sulfa: eritromicina | 250 mg | 12/12 h | SBP 2024 |
Duração da profilaxia secundária (SBP 2024):
| Situação | Duração |
|---|---|
| FR sem cardite prévia | Até 21 anos ou 5 anos após o último surto (o que for mais longo) |
| FR com cardite prévia; insuficiência mitral leve residual ou resolução da lesão | Até 25 anos ou 10 anos após o último surto (o que for mais longo) |
| Lesão valvar residual moderada a grave | Até os 40 anos ou por toda a vida |
| Após cirurgia valvar | Por toda a vida |
- Alergia à penicilina: investigar antes de rotular — cerca de 90% das crianças rotuladas toleram (SBP 2020); anafilaxia: adrenalina IM 0,01 mg/kg, máx. 0,3 mg (adolescente 0,5 mg).
- A profilaxia secundária não substitui o tratamento de nova faringite nem a profilaxia de endocardite quando indicada — decidir com o cardiologista (ver "Endocardite infecciosa e profilaxia antibiótica").
- Doença reumática cardíaca latente (ecocardiograma de rastreio): a profilaxia reduz a progressão em 2 anos (SBP 2024; OMS 2024).
- Gestação: manter a profilaxia; evitar AINE, valproato, carbamazepina, haloperidol, IECA e sulfadiazina (diretriz 2009).
- Vacinas em dia (influenza e varicela); não usar AAS na influenza ou varicela.
- Notificação: a FR não consta da Lista Nacional de Notificação Compulsória (PRC nº 4/2017, Anexo V, na redação da Portaria GM/MS nº 10.175/2026); seguir a norma do estado ou município, onde houver.
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Cardite moderada ou grave: dispneia, cansaço aos esforços, taquicardia em repouso, sopro intenso ou diastólico, galope, hepatomegalia, edema, atrito pericárdico, dor torácica.
- Síncope, bradicardia ou BAV de 2º ou 3º grau ao ECG.
- Artrite incapacitante (não anda, dor que não cede).
- Coreia grave: não anda, não come ou não se veste, quedas, disfagia.
- Monoartrite febril com dor intensa e recusa de apoio (afastar artrite séptica).
- Febre prolongada com sopro em paciente com valvopatia (afastar endocardite).
Como encaminhar
- Repouso, semissentada se houver dispneia; sem anti-inflamatório nem corticoide antes da avaliação.
- Oxigênio para manter SpO2 entre 94% e 98% se houver desconforto (padrão do site); FC e PA.
- Acesso venoso sem hiper-hidratar na suspeita de insuficiência cardíaca.
- SAMU (192) se houver insuficiência cardíaca, síncope ou arritmia; contato prévio com serviço com cardiologia pediátrica.
- Relatório: faringite e tratamento, exames feitos, doses de benzatina aplicadas, alergias.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "A benzetacil é aplicada a cada 21 dias, sem atrasar: cada novo surto pode piorar a válvula do coração."
- "Toda dor de garganta com febre precisa ser avaliada; a injeção não dispensa o tratamento."
- "A coreia passa em alguns meses; a criança não está fazendo de propósito. Avise a escola."
- Pronto-socorro se houver: falta de ar, cansaço, inchaço, dor no peito, desmaio, coração disparado, movimentos que impedem andar ou comer.
- Pediatra se houver: dor ou inchaço nas juntas, febre, dor de garganta, injeção atrasada.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Diagnóstico | Jones AHA 2015 por risco; Brasil moderado/alto (DC nº 175/2024) | Sem protocolo específico localizado | AHA 2015 (CDC 2025) | Sem diretriz de FR | Jones AHA 2015 e OMS (SERPE 2020) | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Ecocardiograma | Todos os suspeitos (2024) | Sem posição localizada | Todos os suspeitos (CDC 2025) | — | Doppler em todos (2020) | — | — | — |
| Artrite | Naproxeno ou ibuprofeno preferidos; AAS alternativo | — | Salicilato ou AINE (CDC 2025) | — | AAS 80–100 mg/kg/dia 1ª linha; naproxeno 15–20 | — | — | — |
| Cardite | Prednisona 2 mg/kg/dia, máx. 60 mg | — | — | — | Prednisona 2 mg/kg/dia, máx. 80 mg | — | — | — |
| Profilaxia primária | Benzatina, corte 20 kg | AIDPI 2017: benzatina, corte 20 kg | AHA 2009 (endossada): corte 27 kg | NG84 (2018): penicilina V 5–10 dias | Benzatina, corte 27 kg | — | — | Segue o NICE |
| Profilaxia secundária | 21/21 dias; até 21/25/40 anos ou vida | Sem protocolo específico localizado | 3–4 semanas; ao menos até 21 anos (CDC 2025) | — | A cada 4 semanas | — | — | — |
Versões consultadas: SBP — DC nº 175, 10/2024, e Diretrizes SBC/SBP/SBR, 2009; MS — AIDPI, 2017; AAP — AHA 2009 (endossada) e CDC, 08/2025; NICE — NG84, 01/2018; AEP — SERPE, 2020; apoio — AHA 2015 e OMS 2024.
Leitura: todas as referências convergem nos critérios de Jones revisados (AHA 2015, mantidos pela OMS 2024), no ecocardiograma para todo suspeito, na penicilina G benzatina como base das duas profilaxias e na profilaxia de longo prazo guiada pela cardite. As divergências são quatro: intervalo da benzatina — 21 dias na SBP e na diretriz brasileira; 28 dias na AEP e na AHA/AAP 2009 (21 dias só nas recorrências), 3–4 semanas no CDC; corte de peso — 20 kg no Brasil, 27 kg nos EUA e na Espanha; primeira linha na artrite — a AEP mantém o AAS em dose alta, a SBP 2024 prefere naproxeno ou ibuprofeno pela segurança; teto da prednisona — 60 mg/dia na SBP 2024, 80 mg/dia na diretriz 2009 e na AEP. O NICE não tem diretriz de FR; o MS, só a AIDPI. O site adota a posição da SBP: critérios de risco moderado a alto, ecocardiograma em todos, naproxeno preferido, prednisona máx. 60 mg/dia e benzatina a cada 21 dias.
- No Brasil, monoartrite e poliartralgia contam como critério maior; ecocardiograma em todo suspeito, mesmo sem sopro.
- Até confirmar o diagnóstico, paracetamol: anti-inflamatório precoce apaga a artrite migratória e as provas inflamatórias.
- Coreia isolada fecha o diagnóstico sozinha, mesmo com ASLO normal: ecocardiograma e profilaxia.
- Cardite moderada ou grave, insuficiência cardíaca, artrite incapacitante e coreia grave: internação.
- Benzatina < 20 kg 600.000 UI e ≥ 20 kg 1.200.000 UI a cada 21 dias; a duração depende da cardite (21, 25, 40 anos ou toda a vida).
Veja também, nesta Biblioteca: Faringoamigdalite (viral × estreptocócica) e Dor em membros (dor de crescimento e sinais de alerta) (Patologias do consultório); Abordagem da criança com artrite (mono, oligo e poliartrite), Artrite idiopática juvenil (AIJ) e Lúpus eritematoso sistêmico juvenil (nesta área); Miocardite, pericardite e síndrome inflamatória multissistêmica (MIS-C), Insuficiência cardíaca na criança e Endocardite infecciosa e profilaxia antibiótica (Cardiologia); Glomerulonefrite pós-estreptocócica e síndrome nefrítica (Nefrologia e Urologia); Osteomielite e artrite séptica na criança (Infectologia); Trombose venosa e trombofilias na criança e no adolescente (Hematologia); A pele como sinal de doença sistêmica na criança (Dermatologia).
8.Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Reumatologia. Febre reumática — diagnóstico, tratamento e profilaxia (Documento Científico nº 175), 2024. PDF
- SBC, SBP e SBR. Diretrizes Brasileiras para o Diagnóstico, Tratamento e Prevenção da Febre Reumática — guia de bolso, 2009. PDF
- Ministério da Saúde. AIDPI Criança 2 meses a 5 anos — Manual de quadros de procedimentos, 2017. PDF
- AEP/SERPE. Mosquera Angarita JM, Antón López J. Fiebre reumática y artritis posestreptocócica. Protoc diagn ter pediatr, 2020. PDF
- CDC. Diagnosing Acute Rheumatic Fever e Clinical Guidance for ARF, 08/2025. diagnóstico; conduta
- World Health Organization. WHO guideline on the prevention and diagnosis of rheumatic fever and rheumatic heart disease, 2024. PDF
- NICE. Sore throat (acute): antimicrobial prescribing (NG84), 2018. nice.org.uk
- AHA (Gerber MA et al.), endossada pela AAP. Prevention of rheumatic fever. Pediatrics, 2009. AAP