Reumatologia pediátrica · Vasculites

Doença de Kawasaki

Critérios, Kawasaki incompleto, lactente com febre prolongada, escore Z, imunoglobulina e AAS, resistência, choque, vacinas e seguimento, segundo SBP 2019 e AHA 2017/2024

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A doença de Kawasaki (DK) é uma vasculite aguda e autolimitada de vasos de médio calibre; sem tratamento, cerca de 25% das crianças têm alterações coronarianas, e cerca de 4% mesmo tratadas (SBP 2019). Pense nela em toda criança com febre por 5 dias ou mais (NICE NG143) e, no lactente com menos de 6 meses, mesmo com poucos sinais. O diagnóstico é clínico: febre ≥ 5 dias com 4 dos 5 critérios principais (conjuntivite bulbar bilateral sem secreção, alterações de lábios e boca, exantema polimorfo, alterações de mãos e pés, linfonodo cervical ≥ 1,5 cm). Nas formas incompletas, PCR, VHS, exames e ecocardiograma com escore Z decidem. Não há tratamento domiciliar da fase aguda: a suspeita de DK, completa ou incompleta com inflamação laboratorial, é 🔴 — hospital no mesmo dia, para imunoglobulina IV 2 g/kg (idealmente até o 10º dia de febre), AAS e ecocardiograma. Depois da alta, o pediatra acompanha com o cardiologista pediátrico: AAS em dose baixa, ecocardiogramas de controle, vacinas vivas adiadas por 11 meses após a imunoglobulina e cuidado com influenza e varicela durante o AAS (síndrome de Reye).

1.O que é e como se apresenta

Epidemiologia (SBP 2019): 85% dos casos antes dos 5 anos, pico entre 9 e 12 meses, discreto predomínio masculino, mais frequente em asiáticos; rara em escolares e adolescentes.

Critérios diagnósticos (AHA 2017, mantidos em 2024; adotados pela SBP 2019 e pela EULAR/PReS): febre persistente por pelo menos 5 dias + pelo menos 4 de 5 critérios principais:

Critério principal Como aparece
Alterações de lábios e cavidade oral Eritema, ressecamento e fissuras labiais, língua em framboesa, hiperemia difusa da orofaringe — sem aftas, úlceras ou exsudato
Conjuntivite Bilateral, bulbar (poupa o limbo), sem secreção, indolor
Exantema polimorfo Tronco e períneo, nos primeiros dias; sem vesículas
Alterações de extremidades Fase aguda: eritema palmoplantar e edema endurecido do dorso de mãos e pés; fase subaguda: descamação periungueal (e perineal precoce)
Linfonodomegalia cervical ≥ 1,5 cm, geralmente unilateral (a menos frequente)

Com 4 ou mais critérios, o diagnóstico pode ser feito no 4º dia de febre (AHA 2017). Os critérios surgem em sequência e podem ter sumido: pergunte por eles e peça fotos (SBP 2019; NICE NG143). Na rotina do site, febre é axilar ≥ 37,5 °C.

Fases (SBP 2019): aguda (febre, critérios, provas inflamatórias altas, miocardite); subaguda (após 7–10 dias: descamação, trombocitose, aneurismas, maior risco de trombose); convalescença (normalização e regressão da maioria dos aneurismas pequenos).

Outros achados: irritabilidade intensa, eritema na cicatriz da BCG, artrite, dor abdominal, hidropsia de vesícula, piúria estéril, meningite asséptica, paralisia facial, uveíte anterior. Tosse, diarreia ou infecção viral documentada não afastam a DK quando os critérios são típicos (SBP 2019).

Kawasaki incompleto: febre prolongada com 2 ou 3 critérios — 20% a 30% dos casos (SBP 2019), mais comum no lactente, o de maior risco coronariano (NICE NG143).

Síndrome do choque do Kawasaki: hipotensão ou má perfusão por disfunção miocárdica e vasodilatação, às vezes antes de completar os critérios; associa-se a resistência e a aneurismas e exige inotrópico e vasopressor com a imunoglobulina (consenso espanhol 2018).

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Criança já tratada, afebril, com provas inflamatórias normalizando e ecocardiograma sem aneurisma (escore Z < 2,5), em AAS em dose baixa; ou diagnóstico retrospectivo na convalescença com eco normal e provas normais Seguimento pelo pediatra junto com o cardiologista pediátrico: AAS conforme prescrito, ecocardiogramas de controle, vacinas conforme os intervalos abaixo
🟡 Moderada Febre de 5 dias ou mais com 2 ou 3 critérios, criança em bom estado, PCR < 3 mg/dL e VHS < 40 mm/h (algoritmo da AHA); ou febre ≥ 5 dias com explicação alternativa provável, mas sinais sugestivos Reavaliação clínica diária e nova PCR/VHS se a febre persistir; ecocardiograma se surgir descamação; passa a 🔴 se as provas subirem, surgirem novos critérios ou o estado piorar
🔴 Grave Suspeita de DK completa; DK incompleta com PCR ≥ 3 mg/dL e/ou VHS ≥ 40 mm/h; lactente < 6 meses com febre ≥ 7 dias sem causa e inflamação laboratorial; diagnóstico após o 10º dia com febre ou provas elevadas; choque, sinais de insuficiência cardíaca, arritmia, dor torácica; aneurisma ao ecocardiograma Hospital no mesmo dia com ecocardiograma e imunoglobulina IV; no choque, estabilizar e transferir com SAMU (ver "Quando encaminhar")

Fatores de risco que elevam a gravidade (risco de aneurisma e de resistência à imunoglobulina)

  • Idade < 6 meses ou > 8 anos, sexo masculino (SBP 2019); ascendência asiática (AHA 2024).
  • Albumina < 3 g/dL, anemia, plaquetopenia na fase aguda, leucócitos > 15.000/mm³, PCR ≥ 10 mg/dL, transaminases altas, hiponatremia (SBP 2019).
  • Escore Z ≥ 2 ao diagnóstico (AHA 2024); imunoglobulina após o 10º dia; choque ou ativação macrofágica (AEP 2020); febre após a imunoglobulina.

3.Diagnóstico no consultório

É clínico. O pediatra levanta a hipótese e documenta os critérios; exames sustentam a forma incompleta e o diferencial.

Algoritmo do Kawasaki incompleto (AHA 2017, reproduzido pela AEP 2020):

  1. Quem avaliar: febre ≥ 5 dias com 2 ou 3 critérios, ou lactente com febre ≥ 7 dias sem outra explicação.
  2. PCR e VHS.
    • PCR < 3 mg/dL e VHS < 40 mm/h: reavaliação clínica seriada; repetir exames se a febre persistir; ecocardiograma se aparecer a descamação típica.
    • PCR ≥ 3 mg/dL e/ou VHS ≥ 40 mm/h: pesquisar os achados complementares.
  3. Achados complementares (3 ou mais = tratar): anemia para a idade; plaquetas ≥ 450.000/mm³ após o 7º dia de febre; albumina ≤ 3 g/dL; ALT elevada; leucócitos ≥ 15.000/mm³; urina com ≥ 10 leucócitos/campo.
  4. Menos de 3 achados: ecocardiograma; eco alterado = tratar; eco normal com febre persistente = repetir o eco e reavaliar.

Lactente < 6 meses: a DK mais se esconde e mais forma aneurismas: febre ≥ 7 dias sem causa pede PCR, VHS e hemograma e, com inflamação, ecocardiograma, mesmo sem critérios (AHA 2017; AEP 2020; NICE NG143).

Exames (SBP 2019): hemograma, PCR e VHS (a VHS sobe após a imunoglobulina — acompanhe pela PCR), albumina, ALT, sódio, urina tipo 1; e o que o diferencial pedir (estreptococo, hemoculturas, SARS-CoV-2).

Ecocardiograma com escore Z na suspeita, por profissional experiente, e não pelo diâmetro absoluto (SBP 2019); usar a mesma equação de escore Z no seguimento (AHA 2024).

Classificação coronariana (AHA 2017; AEP 2020) Escore Z
Sem acometimento < 2
Somente dilatação 2 a < 2,5
Aneurisma pequeno ≥ 2,5 a < 5
Aneurisma médio ≥ 5 a < 10, com diâmetro absoluto < 8 mm
Aneurisma grande ou gigante ≥ 10 ou ≥ 8 mm

Diagnóstico diferencial que não pode passar (SBP 2019; AEP 2020):

  • SIM-P/MIS-C: escolar, 2 a 6 semanas após COVID-19, sintomas gastrointestinais, plaquetopenia, linfopenia, disfunção miocárdica e choque; na DK, idade menor e coronárias (AHA 2024). Conduta em "Miocardite, pericardite e síndrome inflamatória multissistêmica (MIS-C)" (Cardiologia); SIM-P é de notificação obrigatória (compulsória).
  • Infecções: escarlatina, choque tóxico, adenovírus, sarampo, mononucleose, arboviroses, adenite que não responde ao antibiótico; doença meningocócica na febre com petéquias (🔴).
  • Stevens-Johnson, DRESS; artrite idiopática juvenil sistêmica, poliarterite nodosa.

4.Tratamento e seguimento

Fase aguda — sempre hospitalar, com monitorização cardíaca (SBP 2019). Condutas do hospital, para o pediatra saber o que continuar após a alta:

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Imunoglobulina humana IV 2 g/kg Dose única, infusão em 10–12 h Uma dose Até o 10º dia de febre; depois do 10º dia, se ainda houver febre ou PCR/VHS elevadas, ou alteração coronariana (SBP 2019; AEP 2020). Obeso: peso ajustado (AHA 2024). Insuficiência cardíaca: fracionar conforme o serviço (AEP 2020: 400 mg/kg/dia por 4 dias)
Ácido acetilsalicílico (AAS) — dose da fase aguda 30–50 mg/kg/dia (moderada) ou 50–80 mg/kg/dia (alta) Dividida 6/6 h, VO Até a criança ficar afebril por 2 dias SBP 2019 (que reconhece a falta de evidência de redução de aneurismas). AHA 2017: 30–50 ou 80–100 mg/kg/dia; AHA 2024: doses baixa e moderada parecem tão eficazes quanto a alta
AAS — dose antiplaquetária 3–5 mg/kg/dia Dose única diária, VO 6–8 semanas se não houver alteração coronariana; indefinida se houver SBP 2019; AEP 2020. Máx. 80 mg/dia (SBP 2020; ACR 2022: 81 mg). Preferir o comprimido de 81 mg; o de 100 mg é aceitável acima de 20 kg, porque fica em 3–5 mg/kg/dia (decisão do site)
Metilprednisolona IV — reforço inicial no alto risco 2 mg/kg/dia Dose diária Até ceder a febre; depois prednisolona VO com retirada em 2–3 semanas SBP 2019 (AHA 2017), nos pacientes de alto risco de aneurisma (lista acima)
Metilprednisolona IV em pulso — resistência 30 mg/kg/dose (máx. 1 g) 1 vez ao dia 3 dias SBP 2019, se a febre persistir após a 2ª dose de imunoglobulina
Infliximabe IV — resistência 5 mg/kg Dose única — SBP 2019; AEP 2020 usa 6 mg/kg (1 ou 2 doses). Decisão do reumatologista ou cardiologista pediátrico

Resistência (10–20%; AHA 2017): febre persistente ou que volta 36 h após o fim da infusão. SBP 2019, adotada pelo site: 2ª dose de imunoglobulina 2 g/kg; depois pulso de metilprednisolona; nos refratários, infliximabe, ciclosporina ou ciclofosfamida (AEP 2020: também anakinra). Condutas do especialista.

Antitrombose pelo escore Z (AEP 2020; AHA 2024), pelo cardiologista: aneurisma pequeno, AAS em dose baixa; médio, + clopidogrel; grande ou gigante, AAS + varfarina (INR 2–3) ou heparina de baixo peso.

O que não usar:

  • Ibuprofeno durante o AAS (antagoniza o efeito antiplaquetário; consenso espanhol 2018): use paracetamol 10–15 mg/kg/dose a cada 4–6 h (máx. 75 mg/kg/dia; padrão do site).
  • Corticoide antes do diagnóstico, que mascara a febre e atrasa a imunoglobulina.

Vacinas (coerente com o documento de Imunizações do site e o Manual dos CRIE 2023, Tabela 5):

  • Vivas injetáveis (tríplice ou tetraviral, varicela): adiar 11 meses após imunoglobulina 1,6–2 g/kg, contados da última dose. Inativadas: sem restrição.
  • Influenza inativada em dia para quem usa AAS, a partir de 6 meses (AEP 2020; já na rotina SBP 2026/2027 e PNI).
  • Varicela: evitar salicilatos por 6 semanas após a vacina (Imunobiológicos em Pediatria, do site).

Síndrome de Reye (SBP 2019): oriente o risco de varicela, influenza e dengue durante o AAS. Na influenza ou varicela (ou contato), falar com o cardiologista: o consenso espanhol (2018) troca o AAS por outro antiagregante (clopidogrel) por pelo menos 2 semanas.

Seguimento:

  • Ecocardiograma no diagnóstico, em 1–2 e em 6–8 semanas (SBP 2019); com aneurisma, bem mais frequente até estabilizar.
  • Sem aneurisma: AAS suspenso com eco, plaquetas e PCR normais; controlar fatores de risco cardiovascular, pois a disfunção endotelial pode persistir (SBP 2019).
  • Com aneurisma: cardiologia por toda a vida, com transição para a de adultos (AHA 2024); esporte com liberação do cardiologista.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Suspeita de DK completa (febre ≥ 5 dias + 4 critérios, ou 4 critérios já no 4º dia).
  • DK incompleta com PCR ≥ 3 mg/dL e/ou VHS ≥ 40 mm/h, com achados complementares ou eco alterado.
  • Lactente < 6 meses com febre ≥ 7 dias sem causa e inflamação laboratorial.
  • Diagnóstico tardio (descamação) com febre, provas elevadas ou eco alterado.
  • Febre que volta após a alta (resistência ou recorrência).
  • Choque, taquicardia desproporcional, má perfusão, dispneia, hepatomegalia, arritmia, dor torácica ou síncope.

Como encaminhar

  1. Contato prévio: o destino precisa ter ecocardiografia pediátrica e imunoglobulina IV.
  2. Não iniciar AAS nem corticoide no consultório; paracetamol se necessário.
  3. No choque: oxigênio para SpO2 entre 94% e 98%, acesso venoso, cristaloide em alíquotas pequenas com reavaliação após cada uma (disfunção miocárdica; ver "Sepse e choque séptico na criança"); SAMU (192).
  4. Relatório: início da febre, critérios com datas (e fotos), exames, medicamentos e vacinas recentes.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "O tratamento no hospital, com imunoglobulina, protege os vasos do coração e é feito o quanto antes."
  • "O AAS em dose baixa é dado uma vez por dia até o médico suspender. Não troque o antitérmico por ibuprofeno; se precisar, use paracetamol."
  • "Gripe, catapora ou contato com catapora durante o AAS: avise o médico no mesmo dia."
  • "As vacinas de vírus vivo (tríplice viral, tetraviral e catapora) ficam para 11 meses depois da imunoglobulina; as outras vacinas, incluindo a da gripe, seguem normalmente."
  • Procurar o pronto-socorro se houver: febre que volta, criança muito abatida ou irritada, mãos e pés frios, falta de ar, dor no peito, desmaio, sangramentos (em anticoagulante).

7.Comparação com as referências

Versões consultadas: SBP — DC nº 06, Reumatologia (11/2019), o mais recente; MS — sem protocolo de DK localizado (vacinas: Manual dos CRIE 2023); AAP — sem diretriz própria, segue a AHA (2017 e 13/11/2024), comparadas na Pediatrics (08/2025); NICE — NG143 (2019); AEP — protocolo de 2020 e consenso de 2018; Johns Hopkins e Harvard — páginas inacessíveis na consulta (10/2026); Oxford e Cambridge — sem protocolo local localizado.

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Critérios e incompleto AHA e EULAR/PReS; incompleta com exames e escore Z > 2,5 Sem protocolo específico localizado AHA 2017, mantidos em 2024 Pensar em DK com febre ≥ 5 dias; < 1 ano com menos sinais Algoritmo da AHA; lactente ≥ 7 dias de febre Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Imunoglobulina 2 g/kg até o 10º dia; depois se febre ou provas altas Sem protocolo específico localizado 2 g/kg; peso ajustado no obeso (2024) Sem recomendação de tratamento 2 g/kg em 12 h Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
AAS na fase aguda 30–50 ou 50–80 mg/kg/dia; baixa dose após 2 dias afebril — 30–50 ou 80–100; 2024: baixa ou moderada parece igual — 30–50 mg/kg/dia ou ibuprofeno; baixa após 36–72 h afebril — — —
Alto risco e resistência Metilprednisolona 2 mg/kg/dia no alto risco; 2ª IGIV, pulso, infliximabe — Escore norte-americano (< 6 meses, asiático, Z ≥ 2, PCR); corticoide ou infliximabe — Alto risco < 12 meses e laboratório; pulso de 30 mg/kg; infliximabe, anakinra — — —
Ecocardiograma Diagnóstico, 1–2 e 6–8 semanas; escore Z — Diagnóstico, 1–2 e 4–6 semanas; mais vezes se Z > 2,5 — Antiagregação conforme escore Z — — —
Vacinas e Reye Alerta para varicela, influenza e dengue com AAS Vivas 11 meses após 2 g/kg (CRIE 2023) Adiar vivas 11 meses; influenza inativada — Vivas 11 meses; influenza para quem usa AAS — — —

Leitura: as referências concordam nos critérios clínicos, no algoritmo do Kawasaki incompleto, na imunoglobulina 2 g/kg em dose única o mais cedo possível, no escore Z para classificar as coronárias, no adiamento das vacinas vivas por 11 meses e na vigilância de influenza e varicela durante o AAS. As divergências estão no AAS da fase aguda: SBP aceita 30–50 ou 50–80 mg/kg/dia; a AHA usa 30–50 ou 80–100 e, em 2024, vê doses baixas ou moderadas como tão eficazes; a AEP usa a moderada ou ibuprofeno (que o consenso espanhol de 2018 não associa ao AAS). Divergem também a troca para dose baixa (SBP: 2 dias afebril; AEP: 36 a 72 h), o eco tardio (SBP 6–8 semanas; AHA 4–6), os critérios de alto risco (SBP: lista da AHA 2017; AEP: < 12 meses e cortes laboratoriais; AHA 2024: escore norte-americano) e a dose de infliximabe (SBP 5 mg/kg; AEP 6 mg/kg). O site adota a posição da SBP (2019) em todos esses pontos e, onde ela não fala (vacinas vivas), o Manual dos CRIE 2023 do Ministério da Saúde.

Pontos práticos
  1. Febre por 5 dias ou mais: procure ativamente os 5 critérios, inclusive os que já sumiram, e pense em Kawasaki incompleto.
  2. Lactente com menos de 6 meses e febre por 7 dias ou mais sem causa: PCR, VHS e, se houver inflamação, ecocardiograma, mesmo sem critérios.
  3. Suspeita de DK é hospital no mesmo dia: imunoglobulina 2 g/kg idealmente até o 10º dia de febre, e ainda depois se a febre ou a inflamação persistirem.
  4. AAS conforme a SBP: 30–50 ou 50–80 mg/kg/dia até 2 dias sem febre e depois 3–5 mg/kg/dia (máx. 80 mg) por 6–8 semanas (ou indefinidamente com aneurisma); sem ibuprofeno junto.
  5. Febre 36 horas após a imunoglobulina é resistência: volta ao hospital para a 2ª dose.
  6. Vacinas vivas 11 meses após a imunoglobulina; influenza em dia; avisar o médico se surgir gripe ou catapora em uso de AAS.

Veja também, nesta Biblioteca: Miocardite, pericardite e síndrome inflamatória multissistêmica (MIS-C) (Cardiologia); Síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica (SIM-P / MIS-C) (nesta área); Febre prolongada e febre de origem indeterminada na criança (Infectologia); Linfonodomegalias e linfadenites na criança e Doenças exantemáticas (Patologias do consultório); Sepse e choque séptico na criança (Urgências); A pele como sinal de doença sistêmica na criança (Dermatologia); Guia Vacinal Completo (Imunizações).

8.Fontes

  • Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Reumatologia. Doença de Kawasaki (Documento Científico nº 06), novembro de 2019. PDF
  • American Heart Association. McCrindle BW et al. Diagnosis, Treatment, and Long-Term Management of Kawasaki Disease (Scientific Statement). Circulation, 2017;135:e927–e999. PubMed
  • American Heart Association. Jone PN et al. Update on Diagnosis and Management of Kawasaki Disease: A Scientific Statement. Circulation, 2024;150:e481–e500. PubMed
  • Choueiter NF, Jone PN, Harahsheh AS. Comparing the 2024 and 2017 Kawasaki Disease Statements From the American Heart Association. Pediatrics (AAP), 2025;156:e2024069800. PubMed
  • NICE. NG143 — Fever in under 5s: assessment and initial management, 2019, atualizada em 2021. nice.org.uk
  • AEP. Sánchez-Manubens J. Enfermedad de Kawasaki. Protocolos diagnósticos y terapéuticos en Reumatología Pediátrica, 2020. PDF
  • Barrios Tascón A et al. Consenso nacional sobre diagnóstico, tratamiento y seguimiento cardiológico de la enfermedad de Kawasaki. Anales de Pediatría, 2018;89:188.e1–188.e22. PDF
  • Ministério da Saúde. Manual dos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), 6ª ed., 2023, Tabela 5 (intervalo entre imunoglobulina e vacinas vivas).
  • SBP. Nota de Alerta — SIM-P, 07/08/2020 (teto do AAS). PDF