Patologias do consultório · Pele

Impetigo, celulite e abscessos

Tratamento tópico ou oral do impetigo, celulite ambulatorial e seus limites, drenagem de abscessos, estafilococo resistente da comunidade e sinais de alarme de síndrome da pele escaldada e fasciite necrosante

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), tratamento em casa e critérios para encaminhar ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais. 📄 Baixar em PDF

Em resumo

O impetigo (não bolhoso ou bolhoso) é causado por Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes. Lesões localizadas são tratadas com antibiótico tópico (mupirocina, ácido fusídico ou retapamulina) por 5–10 dias, até a resolução das lesões (SBP); o NICE prefere peróxido de hidrogênio 1% creme como primeira opção no impetigo localizado. Impetigo extenso (SBP: > 2% da superfície corporal ou dois ou mais segmentos), bolhoso, em menor de 2 anos, com MRSA suspeito ou confirmado (SBP) ou com sintomas sistêmicos recebe antibiótico oral, de preferência cefalexina 50–100 mg/kg/dia, de 6/6 h, por 7 dias, prolongando se não houver melhora (SBP, DC nº 12, de 08/02/2022 — Picadas de inseto; IDSA: 25–50 mg/kg/dia, 7 dias). A celulite sem sinais sistêmicos em criança maior é tratada em casa com cefalexina na mesma dose, por 7 dias, prolongando se não houver melhora (SBP, DC nº 12, de 08/02/2022 — Picadas de inseto; IDSA: 5 dias), com reavaliação em 48 h (🟡). O abscesso é tratado com drenagem; antibiótico é acrescentado se houver sinais sistêmicos, celulite extensa ou fatores de risco, com cobertura para estafilococo resistente adquirido na comunidade (sulfametoxazol-trimetoprima ou clindamicina). Encaminhar ao hospital (🔴): celulite periorbitária em lactente ou com qualquer sinal orbitário, celulite facial extensa, toxemia, lactente < 1–3 meses, falha do antibiótico oral, síndrome da pele escaldada estafilocócica e suspeita de fasciite necrosante (dor desproporcional, progressão rápida, bolhas hemorrágicas, crepitação).

Veja também, nesta Biblioteca: Dermatite atópica no consultório (infecção secundária e eczema herpético).

1.O que é e como se apresenta

  • Impetigo não bolhoso: a forma mais comum (cerca de 70%). Vesícula ou pústula que se rompe e forma crosta melicérica, em face (perinasal, perioral) e membros; pode ocorrer sobre picadas, escoriações, escabiose ou dermatite atópica. S. aureus e S. pyogenes.
  • Impetigo bolhoso: bolhas flácidas de conteúdo claro ou turvo que deixam erosões com colarete; toxina esfoliativa do S. aureus; mais comum no lactente, inclusive na área das fraldas.
  • Ectima: forma ulcerada e mais profunda, com crosta aderente.
  • Celulite e erisipela: área eritematosa, quente, edemaciada e dolorosa, de bordas mal definidas (celulite) ou elevadas e nítidas (erisipela, mais estreptocócica), com ou sem febre. Porta de entrada: trauma, picada, varicela, eczema.
  • Celulite periorbitária (pré-septal): edema e eritema palpebral sem comprometimento do globo ocular; pode vir de lesão de pele ou de sinusite. Celulite orbitária (pós-septal): proptose, dor à movimentação ocular, oftalmoplegia, diminuição da acuidade visual, quemose — emergência.
  • Abscesso e furúnculo: coleção purulenta flutuante; furúnculo centrado em folículo piloso. S. aureus, inclusive resistente à meticilina adquirido na comunidade (CA-MRSA), cuja prevalência varia por região.
  • Síndrome da pele escaldada estafilocócica (SSSS): febre, irritabilidade, eritema doloroso que evolui para descolamento superficial (sinal de Nikolsky), com crostas periorificiais; principalmente em menores de 2 anos (SBP). Emergência pediátrica.
  • Fasciite necrosante: infecção rara, de progressão rápida para necrose da fáscia; pode evoluir para sepse, choque e morte em até 40% dos casos (SBP). Risco após varicela.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Impetigo localizado, poucas lesões, sem febre; furúnculo pequeno; criança em bom estado Tratamento tópico (impetigo) ou compressas mornas e drenagem espontânea (furúnculo); higiene; retorno se piorar
🟡 Moderada Impetigo extenso ou bolhoso; celulite limitada sem sinais sistêmicos em criança > 1 ano; celulite periorbitária pré-septal leve em criança maior, bom estado, olho normal; abscesso drenável Antibiótico oral; drenagem do abscesso; demarcar bordas com caneta; reavaliação em 24–48 h
🔴 Grave Febre alta com toxemia, taquicardia, hipotensão ou má perfusão; celulite orbitária ou qualquer sinal ocular; celulite periorbitária em lactente; celulite facial extensa; lactente < 1–3 meses; imunodeprimido; progressão apesar de 48 h de antibiótico oral; SSSS; suspeita de fasciite necrosante, osteomielite ou artrite séptica Pronto-socorro/hospital: antibiótico parenteral, avaliação cirúrgica ou oftalmológica, imagem

Fatores de risco que elevam a gravidade

  • Idade < 1 ano (NICE: < 1 mês exige orientação especializada) e recém-nascidos.
  • Imunodepressão, diabetes, desnutrição, doença crônica de pele (dermatite atópica).
  • Varicela recente ou em curso (risco de estreptococo invasivo e fasciite necrosante).
  • Localização em face, órbita, mãos, períneo e genitais.
  • Infecções recorrentes ou contato domiciliar com infecção por CA-MRSA.

3.Diagnóstico no consultório

  • Clínico na grande maioria dos casos.
  • Cultura de secreção: impetigo recorrente ou refratário, abscesso drenado (orienta o antibiótico e mostra a resistência local), surtos.
  • Hemograma, PCR e hemocultura: apenas se sinais sistêmicos ou no hospital.
  • Ultrassonografia: útil para diferenciar celulite de abscesso quando não há flutuação evidente.
  • Tomografia de órbitas: no hospital, na suspeita de celulite orbitária.
  • Demarcar a borda do eritema com caneta para acompanhar a evolução.

Diagnóstico diferencial que não pode passar

  • Eczema herpético sobre dermatite atópica (vesículas agrupadas, erosões em "saca-bocado").
  • Herpes simples, varicela infectada, queimadura (inclusive por maus-tratos), necrólise epidérmica tóxica (mucosas acometidas, uso de medicamento).
  • Picadas de inseto com reação local exuberante (prurido, sem dor intensa, sem febre).
  • Celulite orbitária, osteomielite e artrite séptica sob a celulite.
  • Fasciite necrosante (dor desproporcional ao achado de pele).

4.Tratamento em casa

Impetigo localizado

  • Limpeza com água e sabão e remoção delicada das crostas.
  • NICE NG153: considerar peróxido de hidrogênio 1% creme, 2–3 vezes ao dia por 5 dias; se inadequado, antibiótico tópico de curta duração (ácido fusídico). Essa apresentação é pouco disponível no Brasil.
  • SBP: antibiótico tópico (mupirocina, ácido fusídico ou retapamulina), 2–3 vezes ao dia por 5–10 dias, até a resolução completa das lesões; a bacitracina não é mais recomendada. IDSA: mupirocina ou retapamulina por 5 dias.

Impetigo extenso (> 2% da superfície corporal ou dois ou mais segmentos), bolhoso, em menor de 2 anos, com MRSA suspeito ou confirmado (SBP) ou com sintomas sistêmicos: antibiótico oral — SBP: cefalexina de escolha, 7 dias, prolongando se não houver melhora (DC nº 12, de 08/02/2022); NICE: 5 dias, até 7 conforme a evolução; IDSA: 7 dias.

Celulite sem sinais sistêmicos: antibiótico oral com cobertura para estreptococo e estafilococo sensível à meticilina; de preferência cefalexina 50–100 mg/kg/dia de 6/6 h por 7 dias, prolongando se não houver melhora (SBP, DC nº 12, de 08/02/2022 — Picadas de inseto); IDSA: 5 dias, prolongando se não houver melhora; NICE 5–7 dias. Elevar o membro. Reavaliar em 48 h.

Celulite periorbitária pré-septal leve em criança maior, olho normal, bom estado e retorno garantido: o NICE recomenda amoxicilina-clavulanato por 7 dias com orientação especializada. O site segue a Nota Técnica SBOP/SBP (2024): amoxicilina-clavulanato com 50–80 mg/kg/dia de amoxicilina, 12/12 h, por 7–10 dias, também quando associada a sinusite; os 90 mg/kg/dia ficam para a sinusite e a OMA, onde o pneumococo é o alvo (divergência).

Abscesso e furúnculo

  • Drenagem é o tratamento principal (IDSA; AEP: em imunocompetentes, muitas vezes suficiente sem antibiótico). Furúnculos pequenos: compressas mornas.
  • Antibiótico após a drenagem se houver sinais de resposta inflamatória sistêmica (febre, taquicardia, taquipneia, leucocitose — IDSA), celulite extensa ao redor, abscessos múltiplos, imunodepressão, lactente ou falha da drenagem. Escolher droga ativa contra CA-MRSA: sulfametoxazol-trimetoprima ou clindamicina; duração de pelo menos 7 dias (SBP).
  • Recorrência: descolonização com mupirocina nasal 2 vezes ao dia por 5 dias para o paciente e os contactantes (SBP), higiene das mãos, não compartilhar toalhas.
Medicamento Dose Intervalo Duração Observação
Mupirocina 2% pomada Aplicar nas lesões 3 vezes ao dia (SBP) 7–10 dias (SBP); 5 dias (IDSA) Impetigo localizado; uso acima de 2 meses (SBP); evitar uso prolongado (resistência)
Ácido fusídico 2% creme Aplicar nas lesões 2–3 vezes ao dia (bula) 7–10 dias (SBP) Opção tópica da SBP, do NICE e da AEP
Retapamulina 1% pomada Aplicar nas lesões 2 vezes ao dia 5 dias (SBP) Uso acima de 9 meses (SBP); quando disponível
Cefalexina 50–100 mg/kg/dia (SBP, DC nº 12, de 08/02/2022 — Picadas de inseto; padrão do site para pele; IDSA: 25–50) 6/6 h (SBP) ou 8/8 h Impetigo e celulite 7 dias, prolongando se não houver melhora (SBP, DC nº 12, de 08/02/2022 — Picadas de inseto); IDSA: impetigo 7 dias, celulite 5 dias Primeira escolha oral (SBP, IDSA); a bula permite dobrar (até 100 mg/kg/dia) em infecção mais grave; máx. 4 g/dia (SBP 2003)
Cefadroxila 30 mg/kg/dia (AEP 2023; SBP 2003) 12/12 h Impetigo 5–7 dias; celulite 7–10 dias (AEP) Posologia cômoda
Amoxicilina-clavulanato Impetigo e celulite de origem cutânea: 25 mg/kg/dia de amoxicilina (IDSA) a 40 mg/kg/dia (AEP); SBP 2003: 40–80 mg/kg/dia; celulite pré-septal: 50–80 mg/kg/dia de amoxicilina (Nota Técnica SBOP/SBP 2024) 12/12 h ou 8/8 h, conforme formulação 5–7 dias; pré-septal 7–10 dias (NT SBOP/SBP 2024; NICE 7) Pré-septal: 50–80 mesmo com sinusite; 90 mg/kg/dia só na sinusite e na OMA
Clindamicina Impetigo 20 mg/kg/dia (IDSA); celulite ou abscesso 25–40 mg/kg/dia (SBP 2003; IDSA, via oral: 30–40; AEP: 10–30), máx. 1,8 g/dia (dose oral de adulto, IDSA) 6/6 h (SBP 2003) ou 8/8 h (IDSA, AEP) 5–10 dias Alergia a betalactâmico; CA-MRSA; sabor ruim da suspensão
Sulfametoxazol-trimetoprima 8–12 mg/kg/dia de trimetoprima (IDSA) 12/12 h ≥ 7 dias após drenagem (SBP) CA-MRSA; cobertura fraca para estreptococo — em celulite não purulenta, associar ou preferir betalactâmico; não usar abaixo de 2 meses (bula)
Claritromicina Por peso (NICE: < 8 kg 7,5 mg/kg/dose; 8–11 kg 62,5 mg; 12–19 kg 125 mg; 20–29 kg 187,5 mg; 30–40 kg 250 mg) 12/12 h 5–7 dias Alergia à penicilina; resistência crescente em S. aureus e S. pyogenes
  • Não usar: antibiótico tópico em lesões extensas; antibiótico sem drenagem em abscesso flutuante; corticoide tópico ou combinações de corticoide com antibiótico no impetigo; doxiciclina em menores de 8 anos (IDSA).
  • Afastamento: manter a criança fora da creche ou escola até 24–48 h de tratamento ou até as lesões secarem, conforme a regra local.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Sinais de sepse ou toxemia: febre alta com prostração, taquicardia, hipotensão, tempo de enchimento capilar aumentado.
  • Celulite orbitária ou qualquer sinal ocular (proptose, dor à movimentação ocular, oftalmoplegia, baixa visual); celulite periorbitária em lactente ou sem melhora em 24–48 h (NICE: encaminhar infecção próxima aos olhos ou ao nariz).
  • Celulite facial extensa, de mãos com comprometimento funcional ou perineal.
  • Lactente < 1–3 meses com celulite ou impetigo bolhoso extenso. A AEP cita lactentes, imunodeprimidos, envolvimento sistêmico e lesões > 5 cm como critérios de internação; o NICE pede orientação especializada abaixo de 1 mês.
  • Progressão apesar de 48 h de antibiótico oral adequado ou incapacidade de ingerir o medicamento.
  • SSSS: emergência (SBP): internação (formas localizadas leves podem receber antibiótico oral com seguimento rigoroso), oxacilina IV (escolha para S. aureus sensível à meticilina), com a clindamicina também como primeira linha; vancomicina só na suspeita de MRSA (SBP); analgesia, hidratação, controle da temperatura e cuidados de pele (evitar sulfadiazina de prata).
  • Suspeita de fasciite necrosante: dor intensa desproporcional, endurecimento lenhoso além do eritema, bolhas hemorrágicas, pele acinzentada, crepitação, anestesia local, progressão em horas, choque. Exige antibiótico IV de amplo espectro com clindamicina e desbridamento cirúrgico precoce (SBP, AEP).
  • Suspeita de osteomielite ou artrite séptica sob a celulite.
  • Abscesso extenso, profundo ou em local de risco (face central, mão, períneo) que exija drenagem sob sedação.

Como encaminhar

  1. Avaliar via aérea, respiração e circulação; oxigênio para manter SpO2 entre 94% e 98% (evitando hiperóxia) ou se houver choque.
  2. Acesso venoso e expansão com cristaloide se má perfusão, se houver estrutura.
  3. Analgesia adequada (a dor da fasciite é intensa); antitérmico.
  4. Se houver demora no transporte e suspeita de sepse, considerar a primeira dose de antibiótico parenteral após contato com o serviço.
  5. Demarcar a borda da lesão e anotar o horário, para documentar a progressão.
  6. Contatar o serviço de destino (cirurgia pediátrica ou oftalmologia, conforme o caso); acionar o SAMU (192) se instabilidade.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Lave as feridas com água e sabão, retire as crostas com delicadeza e aplique a pomada. Corte as unhas e lave as mãos com frequência."
  • "Não compartilhe toalhas, roupas ou lâminas."
  • "Com antibiótico, a vermelhidão deve parar de crescer em 48 horas. Se ultrapassar a marca de caneta, volte no mesmo dia."
  • Retornar em 48 h em toda celulite e após a drenagem de abscesso.
  • Ir ao pronto-socorro se: febre alta com a criança muito abatida; dor muito forte que piora rápido; manchas roxas, bolhas escuras ou pele acinzentada; inchaço do olho com olho "saltado", dor ao mexer o olho ou visão embaçada; pele que descola como queimadura; vômitos ou recusa do remédio.

7.Comparação com as referências

Item SBP / MS AAP / IDSA NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Versão consultada SBP, DC Infecções bacterianas superficiais cutâneas (08/12/2022); SBP, DC nº 12 (08/02/2022); SBP Infectologia (2001–2003); Nota Técnica SBOP/SBP (dez/2024) IDSA, SSTI (Stevens et al., 2014) NG153 (26/02/2020); NG141 (27/09/2019) Protocolos de Infectología da AEP (2023) Johns Hopkins All Children's — Pediatric Skin & Soft Tissue Infections Clinical Pathway (out/2023) Boston Children's — páginas Impetigo e Cellulitis (para famílias, sem data) Sem protocolo local aberto — segue o NICE
Impetigo localizado Mupirocina, ácido fusídico ou retapamulina tópicos, 5–10 dias IDSA 2014 (referência nos EUA): mupirocina ou retapamulina, 5 dias Peróxido de hidrogênio 1% por 5 dias; se inadequado, ácido fusídico Mupirocina ou ácido fusídico, 5–7 dias Antibiótico tópico 2x/dia por 5 dias (pode ser associado ao oral) Poucas lesões: antibiótico tópico Segue o NICE
Impetigo extenso Oral se > 2% da superfície, ≥ 2 segmentos, < 2 anos, bolhoso ou MRSA; cefalexina de escolha, 50–100 mg/kg/dia, 7 dias, prolongando se não houver melhora Cefalexina 25–50 mg/kg/dia, 7 dias (IDSA) Tópico ou oral; oral se bolhoso ou sistemicamente doente; flucloxacilina 5 (até 7) dias Cefadroxila 30 mg/kg/dia, 5–7 dias Oral por 5 dias: cefalexina 50 mg/kg/dia de 8/8 h (máx. 500 mg/dose); alergia: clindamicina 10 mg/kg/dose de 8/8 h Muitas lesões: antibiótico oral Segue o NICE
Celulite ambulatorial Cefalexina 50–100 mg/kg/dia, 7 dias, prolongando se não houver melhora (DC nº 12, de 08/02/2022 — Picadas de inseto), ou amoxicilina-clavulanato Cefalexina, 5 dias (IDSA) Flucloxacilina 5–7 dias; face e periorbitária: amoxicilina-clavulanato 7 dias com orientação especializada Cefadroxila ou amoxicilina-clavulanato, 7–10 dias Cefalexina 50 mg/kg/dia de 8/8 h por 5 dias; alergia ou falha em 48 h: clindamicina; pode piorar nas primeiras 24 h Antibiótico oral ou IV, compressas mornas, elevação do membro Segue o NICE
Abscesso Drenagem; SMX-TMP ou clindamicina ≥ 7 dias Drenagem; antibiótico se sinais sistêmicos (IDSA) Encaminhar se não responde ou grave Drenagem muitas vezes suficiente; clindamicina ou SMX-TMP se CA-MRSA Drenagem; < 5 cm, sem sintomas sistêmicos e bem drenado pode dispensar antibiótico; se indicado, SMX-TMP, doxiciclina ou clindamicina (MRSA) ou cefalexina (baixo risco de MRSA), 5 dias Cirurgia quando necessário (sem detalhes) Segue o NICE
Internação Celulite grave: cefazolina, oxacilina, ceftriaxona IV; SSSS e fasciite Sinais sistêmicos, fasciite < 1 mês (especialista); órbita, osteomielite, artrite séptica, fasciite, sepse; perto de olhos ou nariz Lactentes, imunodeprimidos, sistêmico, > 5 cm Instabilidade, toxemia, imunodepressão, suspeita de necrosante, infecção circunferencial, falha ambulatorial; cefazolina IV ou vancomicina se MRSA ou instável Conforme a gravidade: antibiótico e hidratação IV no hospital Segue o NICE

Leitura: todas as referências tratam o impetigo localizado topicamente e reservam o antibiótico oral para doença extensa, bolhosa ou sistêmica; o NICE se diferencia ao propor o peróxido de hidrogênio para poupar antibióticos. O antibiótico oral preferido varia pela disponibilidade local — cefalexina (SBP, IDSA), cefadroxila (AEP), flucloxacilina (NICE) —, todos com cobertura antiestafilocócica e antiestreptocócica. Há convergência sobre a drenagem como base do tratamento do abscesso e sobre a cobertura de CA-MRSA com sulfametoxazol-trimetoprima ou clindamicina quando o antibiótico é necessário. O NICE é o mais explícito nos critérios de encaminhamento da celulite periorbitária e facial. O protocolo do Johns Hopkins (out/2023) converge na cefalexina como primeira escolha oral, mas com 50 mg/kg/dia por 5 dias, e reserva SMX-TMP, doxiciclina ou clindamicina ao abscesso com risco de MRSA; o Boston Children's (páginas para famílias) não detalha doses. Posição do site: segue a SBP — cefalexina 50–100 mg/kg/dia de 6/6 h por 7 dias, prolongando se não houver melhora (DC nº 12/2022); os 5 dias da IDSA, do NICE e do Johns Hopkins ficam como divergência.

Pontos práticos
  1. Impetigo localizado: tratamento tópico por 5–10 dias, até a resolução das lesões (SBP); oral se extenso, bolhoso, em menor de 2 anos, com MRSA ou com sintomas sistêmicos.
  2. Cefalexina 50–100 mg/kg/dia (SBP, DC nº 12, de 08/02/2022 — Picadas de inseto), de 6/6 h por 7 dias (prolongando se não houver melhora), é a primeira escolha oral para impetigo extenso e celulite de pele.
  3. Abscesso flutuante se drena; antibiótico apenas se houver sinais sistêmicos ou fatores de risco, com cobertura para CA-MRSA.
  4. Demarcar a celulite com caneta e reavaliar em 48 h.
  5. Celulite periorbitária: examinar sempre o olho; qualquer sinal orbitário ou lactente vai ao hospital; via oral, amoxicilina-clavulanato com 50–80 mg/kg/dia de amoxicilina (Nota Técnica SBOP/SBP 2024).
  6. Dor desproporcional, progressão em horas ou pele que descola: fasciite necrosante ou SSSS até prova em contrário.

8.Fontes

  • Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamentos Científicos de Dermatologia e Infectologia. Infecções bacterianas superficiais cutâneas, 2022. PDF
  • Sociedade Brasileira de Pediatria (PRONAP; Departamento de Infectologia). Antimicrobianos na prática clínica pediátrica — guia prático para manejo no ambulatório, na emergência e na enfermaria. Fascículo Dermatologia (Gontijo B, Pereira LB, Silva CMR), gestão 2001–2003: cefalexina 25–50 mg/kg/dia, 6/6 h, 7–10 dias (duração substituída no site pelos 7 dias do DC nº 12, de 08/02/2022). O DC de Infecções bacterianas superficiais cutâneas (2022) não traz a dose; a dose do site, 50–100 mg/kg/dia, vem do DC nº 12, de 08/02/2022 (Picadas de inseto).
  • Infectious Diseases Society of America (Stevens et al.). Practice guidelines for the diagnosis and management of skin and soft tissue infections, 2014. academic.oup.com
  • NICE. NG153 — Impetigo: antimicrobial prescribing, 2020 (resumo visual). PDF
  • NICE. NG141 — Cellulitis and erysipelas: antimicrobial prescribing, 2019. nice.org.uk
  • AEP. Protocolos de Infectología — Infecciones de piel y partes blandas (Marín Cruz, Carrasco Colom), 2023. PDF
  • SBP, Departamento Científico de Dermatologia. Picadas de inseto — prurigo estrófulo ou urticária papular (DC nº 12), 2022 — cefalexina 50–100 mg/kg/dia por 7 dias, prolongando se não houver melhora. PDF
  • SBOP e SBP (com o CBO). Recomendações para avaliação ocular pelo pediatra (Nota Técnica), dez/2024 — celulite pré-septal: amoxicilina-clavulanato 50–80 mg/kg/dia de amoxicilina, 12/12 h, 7–10 dias. PDF
  • Johns Hopkins All Children's Hospital. Pediatric Skin & Soft Tissue Infections (SSTI) Clinical Pathway, outubro de 2023. PDF
  • Boston Children's Hospital (Harvard Medical School). Impetigo (página para famílias, sem data; consultada em 02/10/2026). childrenshospital.org
  • Boston Children's Hospital (Harvard Medical School). Cellulitis (página para famílias, sem data; consultada em 02/10/2026). childrenshospital.org
  • SBP, Departamento de Infectologia. Nascimento-Carvalho CM, Berezin EN. Recomendação para antibioticoterapia de crianças e adolescentes com infecção por Staphylococcus aureus, 2003 — cefalexina 50–100 mg/kg/dia (máx. 4 g/dia), cefadroxila 30 mg/kg/dia, amoxicilina-clavulanato 40–80 mg/kg/dia e clindamicina 25–40 mg/kg/dia, 6/6 h. PDF