Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), tratamento em casa e critérios para encaminhar ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais. 📄 Baixar em PDF
A maior parte das queixas genitais do menino é benigna e se resolve com observação. A fimose fisiológica é a regra nos primeiros anos: cerca de 90% dos prepúcios são retráteis após os 3 anos (SBP). Não se deve forçar a retração; quando há indicação, o corticoide tópico (betametasona 0,05–0,1%, duas vezes ao dia por 4–8 semanas) resolve mais de 80% dos casos (EAU). A criptorquidia que persiste aos 6 meses (idade corrigida) deve ser encaminhada ao cirurgião pediátrico, sem ultrassonografia prévia e sem tratamento hormonal: a orquidopexia é feita idealmente entre 6 e 12 meses e, depois de 1 ano, logo após o diagnóstico (SBP 2023); AUA e EAU fixam o limite em 18 meses. A hérnia inguinal não regride e tem sempre indicação cirúrgica: encaminhar ao cirurgião logo após o diagnóstico, com prioridade no prematuro e no lactente (SBP); a hérnia umbilical fecha sozinha na maioria e só é operada a partir de 4–5 anos; a hidrocele do lactente costuma regredir no primeiro ano. São urgências (🔴), com encaminhamento imediato: dor escrotal aguda (torção testicular até prova em contrário, janela de 4–6 horas), hérnia encarcerada e parafimose que não reduz. Nessas situações, o exame de imagem não pode atrasar a avaliação do cirurgião.
1.O que é e como se apresenta
- Fimose: impossibilidade de retrair o prepúcio e expor a glande. Na fisiológica, as aderências balanoprepuciais se desfazem espontaneamente (4% retráteis ao nascer, cerca de 50% com 1 ano e 89% aos 3 anos, EAU). A fimose patológica (anel fibroso esbranquiçado) é secundária a retração forçada, balanopostites de repetição ou líquen escleroso (balanite xerótica obliterante). Esmegma acumulado sob o prepúcio ("bolinhas brancas") é normal.
- Parafimose: prepúcio retraído que não volta, formando anel constritivo no sulco coronal com edema progressivo da glande.
- Balanopostite: inflamação da glande e do prepúcio, com hiperemia, edema, dor e secreção; diferenciar da irritação focal leve.
- Criptorquidia: testículo fora da bolsa escrotal, palpável (canal inguinal, ectópico) ou impalpável (abdominal ou ausente). A descida espontânea após os 6 meses é improvável (EAU). O testículo retrátil desce à bolsa por manobra e permanece ali sem tensão; tem risco de ascensão secundária (cerca de 33%, EAU).
- Hérnia inguinal: persistência do conduto peritoneovaginal; abaulamento inguinal ou inguinoescrotal que aumenta ao chorar e reduz em repouso. Mais frequente em prematuros e meninos; nas meninas, pode conter o ovário.
- Hérnia umbilical: defeito da aponeurose umbilical, comum no lactente; raramente encarcera.
- Hidrocele: líquido na túnica vaginal. Comunicante (varia de volume ao longo do dia, comunicação com o peritônio) ou não comunicante (volume estável; no maior, pode ser secundária a trauma, torção ou epididimite).
- Escroto agudo: dor, edema e hiperemia escrotais de início súbito. Causas principais: torção de apêndice testicular (hidátide de Morgagni), torção testicular (picos no período neonatal e na puberdade), epididimite, edema escrotal idiopático, trauma, hérnia encarcerada e vasculite por IgA (púrpura de Henoch-Schönlein).
2.Classificação de gravidade
| Gravidade | Critérios clínicos | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Fimose fisiológica assintomática; testículo retrátil; hérnia umbilical redutível; hidrocele sem hérnia no primeiro ano; balanopostite leve e localizada | Orientação, higiene sem retração forçada, observação e revisão nas consultas de rotina |
| 🟡 Moderada | Criptorquidia persistente aos 6 meses; hérnia inguinal redutível; hidrocele comunicante ou persistente; fimose sintomática; balanopostite com celulite ou recorrente; torção de apêndice testicular já confirmada; recém-nascido estável com critério de investigação de distúrbio da diferenciação sexual — DDS (gônadas não palpáveis bilaterais, hipospádia proximal ou com gônada não palpável) | Encaminhar ao cirurgião pediátrico (hérnia inguinal com prioridade); tratamento clínico e reavaliação em 24–48 h nas infecções; recém-nascido com critério de DDS: não dar alta com simples encaminhamento — internado ou em alojamento, com eletrólitos, até a avaliação urgente da endocrinologia pediátrica |
| 🔴 Grave | Dor escrotal aguda com suspeita de torção; hérnia encarcerada ou estrangulada; parafimose que não reduz; retenção urinária; recém-nascido com genitália atípica e vômitos, recusa alimentar, perda de peso, desidratação ou letargia (crise de perda de sal) | Encaminhar ao pronto-socorro com cirurgião pediátrico ou urologista imediatamente; crise de perda de sal: pronto-socorro, conforme "Genitália atípica e diferenças do desenvolvimento sexual" |
Fatores de risco que elevam a gravidade
- Prematuridade e idade < 1 ano (maior risco de encarceramento da hérnia inguinal).
- Adolescência e período neonatal (picos da torção testicular); testículo não descido (maior risco de torção).
- Retração forçada do prepúcio e balanopostites de repetição (fimose patológica).
- Demora na procura: após 4–6 horas de torção o dano testicular passa a ser irreversível (EAU).
3.Diagnóstico no consultório
Fimose e prepúcio
- Diagnóstico clínico; observar se há anel fibroso esbranquiçado (líquen escleroso), balonamento com jato fino e dificuldade miccional.
- Urina tipo 1 e urocultura apenas se houver febre ou sintomas urinários.
Testículos
- Examinar em ambiente aquecido, criança relaxada, deitada e de cócoras; "ordenhar" do anel inguinal para a bolsa.
- Classificar em palpável, impalpável ou retrátil e registrar em todas as consultas até a puberdade (SBP; AUA).
- Não pedir ultrassonografia antes de encaminhar: raramente muda a conduta (AUA; EAU). A localização do impalpável é feita pelo cirurgião (exame sob anestesia e laparoscopia, EAU).
- Testículos impalpáveis bilaterais ou criptorquidia com hipospádia: investigar distúrbio da diferenciação sexual, com avaliação endocrinológica (AUA; EAU) — 🟡 no recém-nascido estável, 🔴 na crise de perda de sal (ver "Genitália atípica e diferenças do desenvolvimento sexual").
Hérnias e hidrocele
- Hérnia inguinal: diagnóstico clínico, inclusive pelo relato fidedigno dos pais ou por foto do abaulamento. Não depende de ultrassonografia.
- Hidrocele: massa escrotal cística, com polo superior palpável; a transiluminação não exclui hérnia no lactente. Ultrassonografia se houver dúvida sobre a natureza da massa ou suspeita de hidrocele abdominoescrotal (EAU).
Escroto agudo
- Torção testicular: dor súbita e intensa, frequentemente com náuseas e vômitos; testículo elevado, horizontalizado, endurecido e muito doloroso; reflexo cremastérico ausente.
- Torção de apêndice testicular: dor mais gradual e localizada no polo superior; às vezes "ponto azul" visível pela pele; reflexo cremastérico presente.
- Epididimite: início gradual, dor no epidídimo, às vezes sintomas urinários e febre; no pré-púbere, investigar ITU e anomalias urinárias; no adolescente sexualmente ativo, pesquisar IST.
- Escore TWIST (apoio à decisão, não substitui o exame): edema testicular (2), testículo endurecido (2), reflexo cremastérico ausente (1), testículo elevado (1), náuseas ou vômitos (1). Cortes originais (Barbosa 2013, exame por urologistas): 0–2 baixo, 3–4 intermediário, 5–7 alto. Aplicado por técnicos de emergência (não médicos), 0 foi baixo risco e 6–7 alto risco, com valor preditivo negativo de 100% e positivo de 93,5% (Sheth 2016). O NHS (GIRFT 2026) usa os cortes originais: 5 ou mais com dor há menos de 48 h indica exploração sem aguardar imagem; 0–4 não exclui a torção (1 em 25 torções tem 0–2). A suspeita clínica basta para encaminhar, qualquer que seja o escore.
- Doppler: útil, mas fluxo presente não exclui torção e o exame depende do operador (EAU). Nunca atrasar o cirurgião para fazer imagem.
Diagnóstico diferencial que não pode passar
- Hérnia encarcerada confundida com hidrocele ou linfonodo.
- Torção testicular tratada como "epididimite" ou "orquite".
- Tumor testicular (massa endurecida e indolor).
- Balanite por líquen escleroso ou lesões sugestivas de abuso sexual.
- Criptorquidia bilateral no recém-nascido: excluir hiperplasia adrenal congênita em criança 46,XX virilizada.
4.Tratamento em casa
| Medicamento | Dose | Intervalo | Duração | Observação |
|---|---|---|---|---|
| Betametasona creme ou pomada 0,05–0,1% (fimose) | Fina camada no anel prepucial (EAU) | 12/12 h (EAU) | 4–8 semanas (EAU; SBP: melhores resultados com cerca de 8 semanas) | Sucesso > 80%, recidiva de até 17% (EAU); associar retração suave, sem dor, a partir de alguns dias de uso; reavaliar em 4–8 semanas |
| Ibuprofeno | 5–10 mg/kg/dose (SBP) | 6–8 h, conforme bula | Enquanto houver dor | Torção de apêndice testicular e epididimite (EAU); a partir de 6 meses (SBP, Diretriz nº 177/2024) |
| Paracetamol | 10–15 mg/kg/dose (SBP) | 4–6 h (máx. 5 doses/dia) | Enquanto houver dor | Máx. 75 mg/kg/dia (SBP), nunca > 4 g/dia; teto por dose da apresentação (bulas: gotas 200 mg/mL máx. 35 gotas, suspensão 32 mg/mL máx. 15 mL e 100 mg/mL máx. 2,5 mL abaixo de 12 anos; comprimidos só a partir de 12 anos; nunca > 1 g/dose) (padrão do site) |
| Antibiótico oral (balanopostite com celulite) | Conforme bula (ex.: cefalexina) | Conforme bula | 5–7 dias | Só se houver sinais de infecção bacteriana; guiar por cultura de secreção quando possível |
Paracetamol. Atenção ao efeito cumulativo: o uso repetido por 48–72 h, especialmente em doses no limite máximo, em criança desidratada, desnutrida, com jejum prolongado ou somando mais de um produto com paracetamol, aumenta o risco de hepatotoxicidade — não ultrapassar a dose diária, não usar por mais de 48–72 h sem reavaliação médica e conferir outros medicamentos que contenham paracetamol.
Fimose
- Fimose fisiológica assintomática: apenas higiene com água durante o banho; não fazer "exercícios" nem massagens de retração (SBP; AAP).
- Corticoide tópico se houver sintomas (balonamento com dificuldade miccional, balanopostite, dor) ou persistência após 3–4 anos. A SBP relata melhores resultados com cerca de 8 semanas do que com 30 dias.
- Indicações formais de cirurgia (SBP): líquen escleroso (balanite xerótica obliterante) e afecções do trato urinário (uropatia com ITU). Indicações relativas: falha do corticoide, parafimose prévia e balanopostites recorrentes.
Balanopostite
- Higiene suave, banhos de assento mornos 3 vezes ao dia por 3–4 dias; analgesia; evitar retração até melhorar (Pediatría Integral, 2024).
- Antibiótico tópico não tem benefício demonstrado (RCH 2025); antifúngico tópico (clotrimazol ou miconazol) se houver suspeita de Candida (RCH 2025); antibiótico oral só com celulite ou pus, guiado pela cultura quando possível; episódios recorrentes indicam avaliação cirúrgica.
Criptorquidia
- Encaminhar aos 6 meses (idade corrigida) se o testículo não desceu, e prontamente se o diagnóstico for feito depois dessa idade (MS; AUA).
- Idade da cirurgia (SBP 2023, Departamento de Endocrinologia): orquidopexia idealmente entre 6 e 12 meses; em criança com mais de 1 ano, logo após o diagnóstico; consulta obrigatória se o testículo estiver fora da bolsa com 1 ano. EAU: antes de 12 meses, no máximo até 18; AUA: "no ano seguinte" aos 6 meses. O texto da SBP para famílias de 2025 (Urologia pediátrica) fala em cirurgia "até os 2 anos", que o site não adota.
- Técnica de exame, retrátil, ascendente e testículos impalpáveis bilaterais: ver "Testículo não descido (criptorquidia) e testículo retrátil" (Cirurgia pediátrica).
- Não usar hormônio para induzir a descida (AUA; EAU na criptorquidia unilateral).
- Testículo retrátil: sem tratamento, mas reexaminar ao menos uma vez por ano até a puberdade (AUA; EAU).
Hérnias e hidrocele
- Hérnia inguinal: não regride e tem sempre indicação cirúrgica (SBP); encaminhar ao cirurgião pediátrico logo após o diagnóstico, com prioridade no prematuro e no lactente; irredutível é urgência. No prematuro internado, o ensaio HIP (JAMA, 2024; 338 prematuros) mostrou menos eventos adversos graves com a correção após a alta da UTI neonatal (18% contra 28%), sobretudo abaixo de 28 semanas e na displasia broncopulmonar; decisão com o cirurgião e orientação dos pais sobre sinais de encarceramento.
- Hérnia umbilical: observação (CIPE 2019); encaminhar (eletivo) se persistir após 4–5 anos (padrão do site; CIPE: após 3–6 anos), se o anel for > 1,5–2 cm após 2 anos sem redução, ou se houver dor recorrente ou encarceramento. Não usar faixas, moedas ou esparadrapo.
- Hidrocele: a não comunicante do lactente é observada (EAU 2026: 92% regride antes de 1 ano). Encaminhar se for comunicante (varia de volume), tensa, volumosa ou abdominoescrotal, com suspeita de hérnia associada ou de doença testicular (cirurgia mais precoce, EAU), se persistir após o 1º–2º ano ou surgir no menino maior. Não usar esclerosantes (EAU).
- Detalhes (redução, prematuro, apneia pós-anestésica, hérnia epigástrica): "Hérnia inguinal, hérnia umbilical e hidrocele na criança" (Cirurgia pediátrica).
5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar
- Dor escrotal aguda com suspeita de torção testicular (exploração cirúrgica urgente, EAU); lembrar que dor abdominal ou inguinal no adolescente pode ser torção: sempre examinar a bolsa.
- Hérnia encarcerada: abaulamento doloroso, endurecido e irredutível, com choro inconsolável ou vômitos; hiperemia ou sinais de obstrução intestinal sugerem estrangulamento.
- Parafimose que não reduz com manobra simples.
- Retenção urinária por fimose ou balanopostite grave.
- Balanopostite ou celulite escrotal com toxemia.
- Recém-nascido com genitália atípica e vômitos, recusa alimentar, perda de peso, desidratação ou letargia (crise de perda de sal).
Como encaminhar
- Suspeita de torção: não pedir exames no consultório; ligar para o serviço com cirurgião pediátrico ou urologista e encaminhar imediatamente. Manter jejum. A detorção manual (rotação de dentro para fora) pode ser tentada pelo especialista, sem atrasar a cirurgia (EAU).
- Hérnia encarcerada: jejum, analgesia, posição confortável; a tentativa de redução deve ser feita pelo cirurgião ou pela equipe do PS com analgesia adequada; não insistir em manobras vigorosas no consultório.
- Parafimose: analgesia; redução do edema com faixa compressiva firme por 10–15 min (RCH 2025), açúcar granulado ou gaze com soro hipertônico (Pediatría Integral, 2024) e tentativa de redução empurrando a glande com os polegares enquanto os dedos puxam o prepúcio; se falhar, encaminhar para redução sob anestesia ou incisão dorsal (EAU; Pediatría Integral).
- Relatório com hora de início da dor, achados e medicações.
6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família
- "A pele do pênis vai se soltar sozinha com o tempo. Não puxe; lave com água no banho."
- "Se puxar a pele e ela não voltar, ou se a cabeça do pênis inchar e ficar roxa, procure atendimento na hora."
- "O testículo precisa estar na bolsa até os 6 meses; se não estiver, vamos encaminhar ao cirurgião."
- "Hérnia na virilha precisa de cirurgia. Se ficar dura, dolorida, não voltar ou vier com vômitos, vá ao pronto-socorro."
- "Dor forte e súbita no testículo é emergência: vá imediatamente ao pronto-socorro, sem esperar melhorar e sem dar comida."
- Retornar se houver jato urinário fraco, dor ao urinar, febre, vermelhidão ou inchaço do prepúcio.
7.Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Documento (versão/data) | DC Fimose (2023); Criptorquidismo, Endocrinologia (03/2023); Seguimento do prematuro (2012); CIPE (11/2019) | CAB nº 33 (2012) | HealthyChildren (2023 e 2025); AUA 2014, reafirmada 2018 e 2025; clinical report de hérnia (07/2023) | Sem diretriz NG para esses temas | Pediatría Integral (2024); AEPap (2022) | Sem posição específica localizada | Boston Children's (páginas atuais) | Segue o NICE; Cambridge (CUH), folhetos de hérnia e hidrocele (2025–2026) |
| Fimose | Não forçar; betametasona cerca de 8 semanas; cirurgia no líquen escleroso e na uropatia | — | Não forçar; higiene com água | — | Betametasona 0,05% 2x/dia, 4–8 semanas | — | — | Segue o NICE |
| Criptorquidia | Ideal 6–12 meses; após 1 ano, logo após o diagnóstico; consulta se fora da bolsa com 1 ano | Encaminhar aos 6 meses | AUA: encaminhar aos 6 meses; sem imagem nem hormônio | — | 12–18 meses (AEPap) | — | Se não desceu até 1 ano | Segue o NICE |
| Hérnia inguinal | Indicação cirúrgica; emergência se irredutível | — | Prematuro: após a alta da UTI (2023; ensaio HIP 2024) | — | Corrigir ao diagnóstico | — | Logo após o diagnóstico | Cambridge: mais pressa quanto menor |
| Hérnia umbilical | Fecha até 2 anos no pré-termo (2012); CIPE: cirurgia após 3–6 anos | — | — | — | A partir de 4 anos | — | Cirurgia se não fechar até 5 anos | Segue o NICE |
| Hidrocele | — | — | Observar até 12–18 meses | — | Cirurgia após 18–36 meses | — | — | Cambridge: cirurgia após 3 anos |
| Escroto agudo | — | — | — | — | Torção é a prioridade; cirurgia imediata | — | — | Segue o NICE |
Leitura: as referências convergem em não forçar a retração do prepúcio, usar corticoide tópico antes da circuncisão, encaminhar a criptorquidia aos 6 meses sem ultrassonografia nem hormônio, operar a hérnia inguinal após o diagnóstico e tratar a dor escrotal aguda como torção até prova em contrário. A diretriz europeia de apoio (EAU) fixa a orquidopexia antes de 12 meses e no máximo aos 18. As divergências: a idade da orquidopexia (SBP 2023 e EAU: 6–12 meses; AUA e AAP: até 18; AEPap: 12–18; texto da SBP para famílias de 2025: até 2 anos); o momento da herniorrafia no prematuro (AAP 2023 e ensaio HIP favorecem a correção após a alta da UTI neonatal); a idade de cirurgia da hidrocele (12–18 meses na AAP, 18–36 na AEP, após 3 anos em Cambridge) e da umbilical (3–6 anos). O NICE não tem diretriz para esses temas e Oxford segue o NICE; Johns Hopkins não tem posição localizada. Posição do site: a da SBP — orquidopexia idealmente entre 6 e 12 meses e, depois de 1 ano, logo após o diagnóstico; hérnia inguinal sempre cirúrgica, com prioridade no prematuro e no lactente; onde a SBP não se posiciona, o MS (encaminhar a criptorquidia aos 6 meses), a CIPE na hérnia umbilical e a EAU na hidrocele e no escroto agudo.
- Fimose fisiológica não se trata com retração forçada; corticoide tópico por 4–8 semanas quando houver indicação.
- Examinar os testículos em todas as consultas; criptorquidia aos 6 meses vai ao cirurgião, sem ultrassonografia.
- Hérnia inguinal sempre tem indicação cirúrgica; hérnia umbilical e hidrocele do lactente geralmente não.
- Dor escrotal aguda é torção até prova em contrário: encaminhar imediatamente, sem aguardar exame de imagem.
- Parafimose e hérnia encarcerada são urgências; a demora aumenta o risco de necrose.
- Testículos impalpáveis bilaterais ou com hipospádia no recém-nascido exigem investigação de distúrbio da diferenciação sexual: o bebê estável não recebe alta com simples encaminhamento; sinais de perda de sal levam ao pronto-socorro.
Veja também, nesta Biblioteca (Cirurgia pediátrica): Testículo não descido (criptorquidia) e testículo retrátil; Hérnia inguinal, hérnia umbilical e hidrocele na criança; Escroto agudo — torção testicular, torção de apêndice e orquiepididimite; Fimose, parafimose, balanopostite, hipospádia e sinéquia de pequenos lábios.
8.Fontes
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial e Grupo de Trabalho de Cirurgia Pediátrica. Fimose — tratamento clínico x tratamento cirúrgico, 2023. PDF
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Endocrinologia. Criptorquidismo (Pediatria para Famílias), março de 2023. PDF
- SBP, Departamento de Neonatologia. Seguimento ambulatorial do prematuro de risco, 2012. PDF
- Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE). Nota técnica — hérnia umbilical, 2019. cipe.org.br
- Ministério da Saúde. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento — Cadernos de Atenção Básica nº 33, 2012. PDF
- American Academy of Pediatrics (HealthyChildren.org). Inguinal Hernia in Infants & Children, 2023. healthychildren.org
- American Academy of Pediatrics. Khan FA et al. Assessment and Management of Inguinal Hernias in Children. Pediatrics, 2023. PubMed
- Boston Children's Hospital. Undescended Testicles; Inguinal Hernia; Umbilical Hernia. Criptorquidia, Inguinal, Umbilical
- Cambridge University Hospitals. Inguinal hernia in children; Hydrocele in boys. Hérnia, Hidrocele
- AEPap. Criptorquidia en pediatría — Guía de Algoritmos en Pediatría de Atención Primaria, 2022. PDF
- Sociedade Brasileira de Pediatria, Grupo de Trabalho de Cirurgia Pediátrica. Urologia pediátrica (Pediatria para Famílias), 11/2025. sbp.com.br
- American Academy of Pediatrics. Care for an Uncircumcised Penis (HealthyChildren.org). healthychildren.org
- American Urological Association. Evaluation and Treatment of Cryptorchidism (versão vigente). auanet.org
- European Association of Urology. Paediatric Urology Guidelines — Phimosis; Management of Undescended Testes; Hydrocele; Acute Scrotum. Fimose, Criptorquidia, Hidrocele, Escroto agudo
- HIP Trial Group. Effect of Early vs Late Inguinal Hernia Repair on Serious Adverse Event Rates in Preterm Infants. JAMA, 2024. resumo
- Souto Romero H, Rico Espiñeira C, Espinosa Góngora R. Cirugía programada — calendario quirúrgico. Pediatría Integral (SEPEAP/AEP), 2024. pediatriaintegral.es
- Pontón Martino B, Cebrián Muiños C. Patologías genitourinarias más frecuentes. Pediatría Integral, 2024. pediatriaintegral.es
- Barbosa JA et al. Development and initial validation of a scoring system to diagnose testicular torsion in children. J Urol, 2013. PubMed
- Sheth KR et al. Diagnosing testicular torsion before urological consultation and imaging — validation of the TWIST score. J Urol, 2016. PubMed
- NHS England, GIRFT. Testicular torsion pathway, versão 2.1, maio de 2026. PDF
- The Royal Children's Hospital Melbourne. The penis and foreskin, 2025. rch.org.au