Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra.
Guia Completo de Imunização Infantil
A vacinação é o escudo mais poderoso que podemos oferecer aos nossos filhos. Desde o nascimento, o sistema imunológico do bebê, ainda imaturo, precisa ser treinado para combater vírus e bactérias que causam doenças graves. Este guia detalha as principais vacinas, as atualizações mais recentes e as diferenças entre os calendários disponíveis no Brasil.
Conhecendo as Principais Vacinas do seu Bebê
BCG (Bacilo de Calmette-Guérin)
Aplicada preferencialmente nas primeiras 12 horas de vida, a BCG protege contra as formas mais graves e letais da tuberculose, como a meningite tuberculosa. É ela que deixa a característica marquinha no braço direito do bebê.
Hepatite B
Também administrada na maternidade, previne a infecção pelo vírus da Hepatite B, que pode causar inflamação crônica, cirrose e câncer de fígado. É essencial que a primeira dose seja dada logo após o nascimento, de preferência nas primeiras 12 horas de vida.
Pentavalente (DTP + Hib + HB)
Uma vacina combinada e extremamente importante que protege contra cinco doenças em uma única injeção: Difteria (doença respiratória grave que pode causar asfixia), Tétano (infecção por bactéria presente no solo que causa paralisia muscular), Coqueluche (tosse convulsa muito perigosa para bebês), Meningite por Haemophilus influenzae tipo b e Hepatite B.
Poliomielite Inativada (VIP)
Previne a paralisia infantil. Graças a essa vacina, a doença está erradicada nas Américas desde 1994, mas a vacinação contínua é fundamental para impedir o retorno do vírus. Hoje todas as doses são de vacina injetável (VIP) — a gotinha (VOP) não é mais usada: são 5 doses, aos 2, 4, 6 e 15 meses e aos 4 anos. O 2.º reforço aos 4 anos voltou ao SUS em agosto de 2026; confira a caderneta.
Pneumocócica (Pneumo 20 ou 15) Protege contra a bactéria pneumococo, principal causadora de pneumonias graves, meningites e otites (infecções de ouvido) em crianças pequenas. Os números indicam a quantidade de tipos da bactéria que a vacina combate. Desde junho de 2026 o SUS usa a Pneumo 20 (VPC20) aos 2, 4 e 12 meses; enquanto durar o estoque antigo, a dose dos 4 meses pode ser a Pneumo 10. A SBP recomenda a Pneumo 20 ou 15 aos 2, 4, 6 e 12–15 meses.
Rotavírus
Vacina em gotinhas que previne infecções pelo rotavírus, o principal causador de diarreia grave e desidratação severa em bebês. Deve ser administrada nos primeiros meses de vida (2 e 4 meses; ou 2, 4 e 6 meses, conforme a vacina) — se a 1.ª dose não for dada até 11 meses e 29 dias, ela não é mais aplicada.
Meningocócica (C ou ACWY)
Combate a bactéria meningococo, causadora da meningite meningocócica, uma infecção de evolução muito rápida e perigosa. A vacina tipo C protege contra a cepa mais comum, enquanto a ACWY amplia a proteção para outras três cepas importantes. No SUS, o bebê recebe a meningo C aos 3 e 5 meses e, desde julho de 2025, a ACWY aos 12 meses (e de novo dos 11 aos 14 anos). A SBP recomenda a ACWY desde os 2 meses e a vacina contra a meningite B.
Tríplice Viral e Varicela
A Tríplice Viral protege contra o Sarampo (doença respiratória altamente contagiosa), Caxumba (inflamação das glândulas salivares que pode causar surdez) e Rubéola. A vacina contra Varicela previne a Catapora e suas complicações, como infecções secundárias de pele e pneumonias. São 2 doses de cada, aos 12 e 15 meses (no SUS, a 2.ª dose de varicela é aos 4 anos). Não aplicar no mesmo dia da febre amarela em menores de 2 anos — o ideal é um intervalo de 30 dias.
A Proteção Essencial contra o VSR (Vírus Sincicial Respiratório) O VSR é o principal causador da bronquiolite, uma infecção respiratória que leva milhares de bebês à internação hospitalar todos os anos, especialmente nos meses de outono e inverno. A proteção contra este vírus tornou-se uma das prioridades da pediatria moderna.
Proteção Materna (Gestantes):
O Ministério da Saúde e a SBP recomendam a vacinação da gestante (com a vacina Abrysvo®) a partir da 28ª semana de gestação — gratuita no SUS desde dezembro de 2025. O corpo da mãe produz anticorpos que atravessam a placenta, garantindo que o bebê nasça protegido nos seus primeiros e mais vulneráveis meses de vida.
Proteção para Recém-Nascidos (Anticorpo Monoclonal):
Para bebês que nascem sem a proteção materna (mãe não vacinada na gestação, ou vacinada menos de 14 dias antes do parto), a SBP recomenda o anticorpo monoclonal — Nirsevimabe (Beyfortus) ou Clesrovimabe (Enflonsia) —, de preferência ainda na maternidade. Todo bebê prematuro (menos de 37 semanas) recebe o anticorpo, mesmo que a mãe tenha sido vacinada. Trata-se de um anticorpo pronto, aplicado em dose única, que atua como um "escudo imediato" contra o VSR durante toda a estação de maior circulação do vírus. No SUS, o Nirsevimabe está disponível desde fevereiro de 2026 para prematuros (até 36 semanas e 6 dias) e para crianças menores de 2 anos com doenças que aumentam o risco (como cardiopatias, doença pulmonar da prematuridade e síndrome de Down).
Entendendo as Diferenças: SUS vs. Rede Privada (SBP)
Tanto o calendário do Ministério da Saúde quanto o da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) são excelentes e garantem proteção. A diferença principal reside na amplitude da cobertura e na tecnologia de algumas vacinas.
Calendário Nacional de Vacinação (Ministério da Saúde - Atualização 2026) O SUS oferece gratuitamente um dos melhores e mais completos programas de imunização do mundo, garantindo cobertura universal contra as principais doenças da infância.
Idade Vacinas Recomendadas (SUS - 2026)
Ao Nascer BCG e Hepatite B (prematuros: Nirsevimabe)
2 Meses Penta (DTP+Hib+HB), Pólio inativada (VIP),
Pneumocócica 20, Rotavírus
3 e 5 Meses Meningocócica C
4 Meses Penta, VIP, Pneumocócica (20 ou 10, na
fase de transição), Rotavírus
6 Meses Penta, Pólio inativada (VIP), COVID-19
(1.ª) e Influenza
7 e 9 Meses COVID-19 (2.ª e 3.ª); aos 9 meses, Febre
Amarela
12 Meses Pneumocócica 20 (reforço), Meningocócica
ACWY e Tríplice viral (Sarampo, Caxumba,
Rubéola)
15 Meses Reforço DTP, Reforço VIP, Tríplice viral
(2.ª), Varicela (Catapora) e Hepatite A
4 Anos Reforço DTP, 2.º Reforço VIP, Varicela
(2.ª) e Febre Amarela (reforço)
Todo ano (6 meses a Influenza
menores de 6 anos)Calendário da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP - Atualização 2026/2027) A SBP inclui todas as vacinas do SUS, mas recomenda, sempre que financeiramente possível para a família, a utilização de vacinas com tecnologia acelular (que causam significativamente menos reações, como febre e dor) e vacinas de espectro ampliado.
Vacina no SUS Recomendação Ampliada SBP (2026/2027)
Pentavalente Celular Pentavalente ou Hexavalente Acelular:
Mesma proteção, porém com tecnologia que
reduz drasticamente as reações adversas
(febre, dor local, choro contínuo).
Pneumocócica 20 (2, 4 e 12 Pneumocócica 20 ou 15 com uma dose a mais
meses) (2, 4, 6 e 12–15 meses). O esquema do SUS
também é completo e protege.Meningocócica C (3 e 5 meses) Meningocócica ACWY desde os 2 meses:
+ ACWY aos 12 meses Protege contra a cepa C e adiciona proteção
contra as cepas A, W e Y. Além disso, a SBP
recomenda fortemente a vacina contra a
Meningite B (não disponível no SUS).
Hepatite A (dose única) Hepatite A em 2 doses (12 e 18 meses).
Influenza (6 meses a < 6 anos) Influenza todo ano, de 6 meses a 19 anos.
HPV (dose única, 9 a 14 anos) HPV em 2 doses, dos 9 aos 19 anos.
Rotavírus (Monovalente) Rotavírus Pentavalente: Amplia a proteção
contra cinco sorotipos do vírus.
Sem cobertura Dengue (Qdenga): Recomendada a partir dos
4 anos de idade para prevenção de formas
graves da doença.
Independentemente do calendário escolhido, o mais importante é manter a caderneta de
vacinação sempre em dia. O atraso vacinal deixa a criança vulnerável a doenças graves e
compromete a imunidade coletiva. Converse sempre com seu pediatra para montar o melhor
esquema vacinal para seu filho.Este guia compara as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), do Ministério da Saúde, da Academia Americana de Pediatria (AAP), do NICE (Reino Unido), da Associação Espanhola de Pediatria (AEP), do Johns Hopkins, de Harvard (Boston Children's), de Oxford e de Cambridge.
Onde concordam:
- Vacinas protegem e são seguras; autismo, timerosal e alumínio são mitos (SBP, AAP, NICE, AEP, Johns Hopkins).
- Pólio só com vacina injetável, tríplice viral e varicela em 2 doses, pneumocócica 20 ou 15 e proteção do bebê contra o VSR (vacina na gestante ou anticorpo).
- Vacina atrasada se completa sem recomeçar o esquema.
- Johns Hopkins e Harvard (Boston Children's) seguem o calendário da AAP; Oxford e Cambridge, o do NHS.
Onde há diferenças:
- Mais doses na SBP: a SBP recomenda pneumocócica com 4 doses, meningite ACWY desde os 2 meses, meningite B, hepatite A em 2 doses e gripe todo ano até 19 anos; o SUS usa esquemas mais curtos (por exemplo, pneumocócica com 3 doses e meningite C nos primeiros meses), que também são completos e protegem; AAP, NICE e AEP têm calendários próprios. Este guia segue a SBP como opção ampliada e considera o esquema do SUS completo.
- HPV: o SUS, o Reino Unido e a Espanha usam dose única; a SBP prefere 2 doses da vacina de 9 tipos. Este guia segue a SBP, e as duas estratégias protegem.
- EUA: em 2026 o CDC deixou várias vacinas para decisão compartilhada; a AAP manteve calendário próprio, e é ela a referência americana aqui.
Fontes conferidas em outubro de 2026.