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Linfoma de Hodgkin

1.Importância e epidemiologia

O linfoma de Hodgkin é um dos cânceres mais comuns do adolescente e adulto jovem (incidência crescente após os 10 anos, raro em menores de 5 anos). Associa-se à infecção prévia pelo vírus Epstein-Barr (EBV) em parte dos casos. É altamente curável, com sobrevida em geral > 90%.

2.Fisiopatologia e histologia

A célula maligna é a célula de Reed-Sternberg (grande, binucleada, em "olhos de coruja"), de origem B, presente em um fundo inflamatório reativo. A disseminação tende a ser contígua, de uma cadeia ganglionar para a vizinha. O subtipo mais comum em adolescentes é a esclerose nodular.

3.Quadro clínico

Sinal de alerta

Linfonodo supraclavicular, > 2 cm, endurecido, indolor e que só cresce ao longo de semanas merece biópsia — não apenas observação ou ciclos repetidos de antibiótico.

4.Diagnóstico

5.Estadiamento (Ann Arbor)

EstágioDefinição
IUma região linfonodal
IIDuas ou mais regiões do mesmo lado do diafragma
IIIRegiões em ambos os lados do diafragma
IVAcometimento extranodal disseminado (medula, fígado, pulmão)

Acrescenta-se "A" (sem sintomas sistêmicos) ou "B" (com sintomas B). Os sintomas B pioram o prognóstico e influenciam a intensidade do tratamento.

6.Tratamento e prognóstico

Combina quimioterapia (poliquimioterapia) com radioterapia em campos selecionados, conforme estágio e resposta (avaliada por PET). A estratégia atual busca reduzir doses/radioterapia para diminuir sequelas tardias (cardiotoxicidade, hipotireoidismo, segundas neoplasias, infertilidade), preservando as altas taxas de cura (> 90% nos estágios iniciais).

7.Hodgkin x linfoma não Hodgkin

HodgkinNão Hodgkin
Idade típicaAdolescente/adulto jovemPode ocorrer em crianças menores
DisseminaçãoContígua, ordenadaErrática, rápida, frequentemente extranodal
Célula marcanteReed-SternbergDepende do subtipo (Burkitt, linfoblástico…)
VelocidadeIndolente/intermediáriaMuitas vezes muito agressivo (emergência)

8.Erros comuns

9.Pontos-chave para a prova

10.Casos clínicos comentados

Caso 1

Adolescente de 15 anos com linfonodo cervical e supraclavicular endurecido, indolor, que cresce há 6 semanas. Refere febre vespertina, sudorese noturna que molha o lençol e perda de 6 kg. Radiografia de tórax mostra alargamento do mediastino.

1.A principal hipótese e o exame diagnóstico de escolha são:
Gabarito: B) Adenomegalia supraclavicular indolor e crescente, com sintomas B e massa mediastinal em adolescente, é altamente sugestiva de Hodgkin; o diagnóstico se faz por biópsia excisional (não por PAAF).
2.Febre, sudorese noturna e perda > 10% do peso constituem:
Gabarito: C) Febre inexplicada, sudorese noturna profusa e perda > 10% do peso são os sintomas B, que acrescentam o "B" no estadiamento e indicam pior prognóstico.
3.A célula característica encontrada na biópsia é:
Gabarito: A) A célula de Reed-Sternberg, grande e binucleada ("olhos de coruja"), é a marca histológica do linfoma de Hodgkin.
0/3 acertos
Caso 2

Confirmado o linfoma de Hodgkin, o estadiamento mostra acometimento de cadeias cervicais e mediastinais, todas acima do diafragma, sem doença abaixo dele. O paciente apresenta sintomas B.

1.Pelo sistema de Ann Arbor, esse acometimento corresponde a:
Gabarito: B) Duas ou mais regiões linfonodais do mesmo lado do diafragma correspondem ao estágio II de Ann Arbor.
2.Como os sintomas B modificam a classificação?
Gabarito: C) A presença de sintomas B acrescenta o sufixo "B" ao estágio (II-B), refletindo pior prognóstico e influenciando a intensidade do tratamento.
3.No seguimento de longo prazo desses pacientes, é prioritário vigiar:
Gabarito: A) Pela alta cura e longa sobrevida, o seguimento foca as sequelas tardias da quimio/radioterapia — cardiovasculares, tireoidianas, segundas neoplasias e fertilidade.
0/3 acertos

11.Referências selecionadas