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Leucemia Mieloide Aguda (LMA)

1.Importância e epidemiologia

A LMA representa cerca de 15–20% das leucemias agudas da infância (bem menos comum que a LLA), mas tem, em geral, prognóstico mais reservado. Tem distribuição mais uniforme nas idades, com um pico no período neonatal/lactente. Associa-se a condições predisponentes como síndrome de Down (risco aumentado de LMA, em especial a megacarioblástica), anemia de Fanconi e síndromes de falência medular.

2.Fisiopatologia

Proliferação clonal de precursores mieloides (mieloblastos) que tomam a medula e podem infiltrar tecidos. Como na LLA, há falência medular (citopenias), mas a LMA tem manifestações próprias de infiltração mieloide: cloroma (sarcoma mieloide), hiperplasia gengival e infiltração cutânea (leucemia cutis), mais frequentes nos subtipos monocíticos.

3.Quadro clínico

4.Diagnóstico

5.Leucemia promielocítica aguda (LPA / M3)

Emergência

A LPA, com a translocação t(15;17) (PML-RARA), cursa com coagulopatia grave (CIVD) e alto risco de hemorragia fatal precoce. O tratamento específico com ATRA (ácido transretinoico) ± trióxido de arsênico induz diferenciação dos promielócitos e deve ser iniciado precocemente, junto ao suporte transfusional agressivo da coagulopatia. É hoje o subtipo de melhor prognóstico quando manejado a tempo.

6.LLA x LMA — diferenças úteis

LLALMA
Frequência (infância)Mais comumMenos comum
BlastoLinfoideMieloide (bastonetes de Auer)
MieloperoxidaseNegativaPositiva
Achados típicosMassa mediastinal (T), dor ósseaCloroma, hiperplasia gengival, CIVD (LPA)
Prognóstico globalEm geral melhorEm geral mais reservado

7.Tratamento e prognóstico

Quimioterapia intensiva de indução e consolidação (mais curta e mais intensa que a LLA), com forte componente de suporte (neutropenia profunda prolongada, infecções, transfusões). O transplante de medula óssea tem papel maior que na LLA, sobretudo em grupos de risco intermediário/alto. A LPA tem manejo próprio com ATRA/arsênico. A LMA da síndrome de Down (em crianças pequenas) costuma ter melhor resposta.

8.Erros comuns

9.Pontos-chave para a prova

10.Casos clínicos comentados

Caso 1

Adolescente com palidez, febre e sangramento gengival. O esfregaço mostra blastos com estruturas citoplasmáticas em forma de bastonete (bastonetes de Auer); a mieloperoxidase é positiva.

1.O diagnóstico de linhagem é:
Gabarito: B) Bastonetes de Auer e mieloperoxidase positiva são marcadores de linhagem mieloide — confirmam LMA e a diferenciam da LLA (MPO negativa).
2.A hiperplasia gengival e a infiltração cutânea são mais associadas a:
Gabarito: C) A hiperplasia gengival e a leucemia cutis são manifestações de infiltração tecidual mais típicas dos subtipos monocíticos da LMA.
3.O achado citológico patognomônico de linhagem mieloide citado é:
Gabarito: A) Os bastonetes de Auer, inclusões citoplasmáticas em bastão, são característicos de blastos mieloides. Reed-Sternberg é do Hodgkin; Howell-Jolly indica hipoesplenismo.
0/3 acertos
Caso 2

Criança com leucemia aguda apresenta sangramentos cutâneo-mucosos intensos e exames com queda de fibrinogênio, plaquetopenia, aumento de D-dímero e tempos de coagulação alargados. A citogenética revela t(15;17).

1.O subtipo e a complicação são:
Gabarito: B) A t(15;17) (PML-RARA) define a leucemia promielocítica aguda, classicamente associada à coagulação intravascular disseminada (CIVD) com alto risco hemorrágico.
2.O tratamento específico que deve ser iniciado precocemente é:
Gabarito: C) Na LPA, o ATRA induz diferenciação dos promielócitos e reduz a coagulopatia; deve ser iniciado precocemente, junto ao suporte transfusional (plaquetas, fibrinogênio/plasma) pelo risco de hemorragia fatal.
3.Com manejo adequado e precoce, o prognóstico da LPA é:
Gabarito: A) Embora a fase inicial seja perigosa pela coagulopatia, a LPA tratada precocemente com ATRA/arsênico tornou-se um dos subtipos de melhor prognóstico — daí a urgência do reconhecimento.
0/3 acertos

11.Referências selecionadas