Sífilis (SBP, GPA nº 226/2025; MS, PCDT 2022): teste não treponêmico pareado mãe–RN em sangue periférico; penicilina cristalina 50.000 UI/kg/dose IV de 12/12 h na 1ª semana e de 8/8 h depois, por 10 dias (procaína 50.000 UI/kg IM 1×/dia por 10 dias se não houver neurossífilis); benzatina 50.000 UI/kg IM dose única só no RN de mãe não tratada ou inadequadamente tratada com exame físico, exames e teste normais. Toxoplasmose (SBP, DC nº 6/2020): sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico por 12 meses. CMV: PCR em urina ou saliva antes de 3 semanas de vida; nos sintomáticos com acometimento moderado a grave, valganciclovir 16 mg/kg/dose VO de 12/12 h por 6 meses (AAP, ECCI 2024 — exceção formal à regra SBP → MS, decisão do Dr. Stefani, 10/2026, porque SBP 2011 e MS 2014, que usam ganciclovir IV, são anteriores ao ensaio de 2015). Herpes: aciclovir 20 mg/kg/dose IV de 8/8 h, 14 dias (pele, olho e boca) ou ≥ 21 dias (SNC ou disseminada), seguido de supressão oral por 6 meses em todos os sobreviventes (AAP). Todo RN com infecção congênita: triagem auditiva, fundo de olho e seguimento do desenvolvimento.
1. Importância do tema
As infecções congênitas (STORCH: sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes; e Zika) vão de restrição de crescimento e malformações a sequelas tardias auditivas, visuais e neurológicas. A maioria dos RN infectados é assintomática ao nascer: 60–90% na sífilis congênita (SBP 2025) e a grande maioria na toxoplasmose (SBP 2020) e no CMV. No Brasil, a sífilis congênita atingiu 10,3 casos/1.000 nascidos vivos em 2022 (SBP 2025). Rastrear na gestação, investigar o RN exposto e tratar cedo mudam o prognóstico.
2. Avaliação inicial
- Revisar as sorologias e o tratamento da gestante (sífilis no 1º trimestre, início do 3º e no parto; toxoplasmose; HIV; hepatites), a idade gestacional da infecção materna e a imagem pré-natal.
- Suspeitar no RN com restrição de crescimento simétrica, microcefalia ou macrocefalia, calcificações intracranianas, hepatoesplenomegalia, icterícia com colestase, petéquias ou plaquetopenia, exantema, lesões cutâneas (pênfigo palmoplantar, vesículas), rinite, coriorretinite, catarata, cardiopatia ou falha na triagem auditiva.
- Enviar a placenta para exame anatomopatológico quando houver suspeita (SBP 2020).
3. Fisiopatologia aplicada
A infecção materna atinge o feto pela placenta (sífilis, toxoplasmose, rubéola, CMV, Zika) ou no parto (herpes, em geral). A gravidade depende da idade gestacional da infecção: no 1º trimestre, maior risco de malformação (rubéola, CMV, toxoplasmose, Zika); no fim da gestação, maior taxa de transmissão com doença menos grave na toxoplasmose. A replicação persistente explica as sequelas tardias (coriorretinite nova, surdez progressiva no CMV) — por isso o seguimento continua após a alta.
4. Investigação
| Agente | Diagnóstico no RN |
|---|---|
| Sífilis | Teste não treponêmico (VDRL ou RPR) pareado mãe–RN em sangue periférico, nunca de cordão; título do RN ≥ 2 diluições acima do materno = sífilis congênita, mas título igual ou menor não exclui. Mãe não tratada ou inadequadamente tratada: hemograma, radiografia de ossos longos, líquor (células, proteína, VDRL), além de glicemia (SBP 2025; PCDT 2022) |
| Toxoplasmose | IgM por captura (ELISA) e IgG do binômio; placenta; fundo de olho; ultrassonografia transfontanelar; hemograma; nos alterados ou sintomáticos, líquor, funções hepática e renal, audiometria e TC de crânio (SBP 2020) |
| CMV | PCR em urina ou saliva antes de 3 semanas de vida (saliva positiva confirmada em urina, pelo risco de contaminação pelo leite); depois de 3 semanas, só o sangue seco do teste do pezinho permite diagnóstico retrospectivo (ECCI 2024; Johns Hopkins 2025). Positivos: hemograma, função hepática, ultrassonografia de crânio (RM se alterada), fundo de olho e avaliação auditiva |
| Herpes simples | Swabs de superfície (olhos, boca, nariz, reto) com cerca de 24 h de vida e de lesões, PCR em sangue e líquor, transaminases (Johns Hopkins 2025) |
| Rubéola | IgM no RN; RT-PCR (secreção de orofaringe, urina); notificação obrigatória (compulsória) |
A investigação para STORCH no RN de mãe com sífilis faz parte da estratégia do MS (Portaria nº 3.502/2017, citada no PCDT 2022).
5. Sífilis congênita
- Tratamento materno adequado (PCDT 2022; SBP 2025): penicilina benzatina, completo para o estágio, com 1ª dose até 30 dias antes do parto e intervalos respeitados.
- Criança exposta (mãe adequadamente tratada, RN assintomático, teste não reagente ou até 1 diluição acima do materno): sem tratamento; seguimento na atenção básica com teste não treponêmico aos 1, 3, 6, 12 e 18 meses (SBP 2025).
- Mãe não tratada ou inadequadamente tratada: notificar e investigar (seção 4). Tudo normal e teste não reagente → benzatina dose única. Alterado → sífilis congênita, 10 dias de penicilina; com neurossífilis, cristalina (internação).
- Ceftriaxona só na falta de penicilina, sem eficácia comprovada (PCDT 2022).
| Medicamento | Dose | Fonte | Observações |
|---|---|---|---|
| Penicilina G cristalina | 50.000 UI/kg/dose IV, de 12/12 h na 1ª semana de vida e de 8/8 h depois, por 10 dias | MS, PCDT IST 2022 | Obrigatória na neurossífilis; reiniciar se atraso > 24 h |
| Penicilina G procaína | 50.000 UI/kg IM, 1×/dia, por 10 dias | MS, PCDT IST 2022 | Só sem neurossífilis; reiniciar se atraso > 24 h |
| Penicilina G benzatina | 50.000 UI/kg IM, dose única | MS, PCDT IST 2022; SBP 2025 | Só no RN de mãe não ou inadequadamente tratada, com exame físico, exames complementares e teste não treponêmico normais |
| Diagnóstico após 1 mês de idade | Penicilina cristalina 50.000 UI/kg IV de 4/4 h a 6/6 h, por 10 dias | MS, PCDT IST 2022 | — |
Seguimento da sífilis congênita: consultas na 1ª semana e aos 1, 2, 4, 6, 9, 12 e 18 meses; teste não treponêmico aos 1, 3, 6, 12 e 18 meses; avaliações oftalmológica, audiológica e neurológica semestrais por 2 anos; líquor a cada 6 meses se neurossífilis (SBP 2025). Detalhes e divergências: Sífilis congênita (Temas atualizados).
6. Toxoplasmose congênita
Tratar todo RN com infecção confirmada, sintomático ou não, de preferência a partir da 1ª semana de vida, por 12 meses (SBP 2020; MS 2014).
| Medicamento | Dose | Fonte | Observações |
|---|---|---|---|
| Sulfadiazina | 100 mg/kg/dia VO, de 12/12 h, por 12 meses | SBP, DC nº 6/2020; MS 2014 | Comprimidos de 500 mg; solução manipulada |
| Pirimetamina | 2 mg/kg/dia VO de 12/12 h por 2 dias; depois 1 mg/kg/dia em dose única por 6 meses; nos 6 meses seguintes, 1 mg/kg em dias alternados (3×/semana) | SBP, DC nº 6/2020 | MS 2014: 1 mg/kg/dia por 2 a 6 meses, conforme a gravidade, e depois 3×/semana |
| Ácido folínico | 5–10 mg VO 3×/semana; manter 1 semana após suspender a pirimetamina | SBP, DC nº 6/2020 | Neutropenia: 10 mg/dia (SBP) ou 20 mg/dia se < 1.000 neutrófilos (MS); < 500/mm³: suspender a pirimetamina temporariamente. Nunca substituir por ácido fólico (MS) |
| Prednisona | 0,5 mg/kg/dose VO de 12/12 h | SBP, DC nº 6/2020; MS 2014 (1 mg/kg/dia) | Só com retinocoroidite ativa ou proteína do líquor > 1 g/dL; retirar gradualmente após a melhora |
Controles: hemograma com plaquetas semanal no 1º mês e depois mensal; oftalmologista a cada 3 meses no 1º ano e semestral até 6 anos; neuropediatra e fonoaudiologia a cada 3 meses no 1º ano (SBP 2020). Toxoplasmose congênita é de notificação obrigatória (compulsória) — MS 2018.
7. Citomegalovírus congênito
- Quem testar antes de 3 semanas: falha na triagem auditiva, restrição de crescimento simétrica, microcefalia, alteração de imagem, hepatoesplenomegalia, petéquias ou infecção materna primária (ECCI 2024).
- Posição do site (exceção formal — decisão do Dr. Stefani, 10/2026): valganciclovir oral por 6 meses (AAP; ECCI 2024), no lugar do ganciclovir IV da SBP 2011 e do MS 2014, anteriores ao ensaio de Kimberlin (2015); o ganciclovir IV fica para quando a via oral não for possível.
- Doença moderada a grave ou com SNC (microcefalia, calcificações, coriorretinite, líquor alterado, perda auditiva com outros achados): antiviral iniciado no 1º mês.
- Perda auditiva neurossensorial isolada: valganciclovir por 6 semanas, iniciado idealmente antes de 1 mês (Red Book 2024–2027; Johns Hopkins 2025, até 12 semanas e 6 dias; ECCI 2024 recomenda tratar).
- Assintomático sem perda auditiva: não tratar fora de pesquisa (ECCI 2024; Johns Hopkins 2025; MS 2014).
| Medicamento | Dose | Fonte | Observações |
|---|---|---|---|
| Valganciclovir | 16 mg/kg/dose VO de 12/12 h por 6 meses (6 semanas na perda auditiva isolada) | Kimberlin, NEJM 2015; ECCI 2024; Red Book 2024–2027 | Hemograma (neutropenia) e função hepática e renal seriados |
| Ganciclovir (se a via oral não for possível) | 8–12 mg/kg/dia IV de 12/12 h, por 6 semanas | MS 2014 | Neutropenia < 500 ou plaquetas < 50.000: reduzir para 4–6 mg/kg/dia; creatinina > 2 mg/dL: contraindicação (MS 2014). SBP 2011: 10 mg/kg/dia por 2–4 semanas |
Seguimento auditivo em todo CMV congênito, inclusive assintomático: audiometria a cada 3 meses no 1º ano e a cada 6 meses até 3 anos (Johns Hopkins 2025). Mais detalhes: CMV congênito e herpes simples neonatal.
8. Herpes simples neonatal
- Aciclovir 20 mg/kg/dose IV de 8/8 h (padrão do site para < 3 meses; Johns Hopkins 2025; BASHH/RCOG), 12/12 h se idade pós-menstrual < 30 semanas (Johns Hopkins): 14 dias na doença de pele, olho e boca; ≥ 21 dias na doença do SNC ou disseminada, com PCR do líquor negativa antes de suspender (Johns Hopkins 2025).
- RN de alto risco (lesão materna de 1º episódio no parto): swabs, PCR em sangue e líquor e aciclovir empírico sem esperar resultados (BASHH/RCOG 2024).
- Supressão oral com aciclovir 300 mg/m²/dose VO 3×/dia por 6 meses em todos os sobreviventes (posição do site — AAP e Johns Hopkins; decisão do Dr. Stefani, 10/2026); a BASHH/RCOG restringe às formas SNC ou disseminada (divergência). Melhora o neurodesenvolvimento após doença do SNC (Kimberlin, NEJM 2011).
9. Rubéola, Zika e outras
- Rubéola congênita (catarata, glaucoma, cardiopatia — persistência do canal arterial, estenose pulmonar —, surdez, microcefalia, púrpura): sem tratamento específico; suporte e seguimento multiprofissional; precaução de contato, pois o RN pode excretar o vírus por meses; notificação obrigatória (compulsória). Prevenção pela vacinação da mulher antes da gestação.
- Síndrome congênita associada ao Zika (microcefalia grave, calcificações subcorticais, artrogripose, alterações oculares): notificação e seguimento conforme o Ministério da Saúde.
- Oropouche (transmissão vertical descrita a partir de 2024): ver Febre do Oropouche e transmissão vertical.
Notificação obrigatória (compulsória) na DNV: a microcefalia e as demais anomalias estruturais da infecção congênita (catarata, cardiopatia) — além da notificação própria da sífilis, da toxoplasmose, da rubéola e da SCZ — é anomalia congênita (CID-10, capítulo Q) e deve ser registrada na Declaração de Nascido Vivo — campo 6 assinalado e descrição detalhada no campo 41, sem agrupar; no óbito fetal ou infantil, na Declaração de Óbito (Portaria GM/MS nº 10.175, de 23/01/2026; NT nº 3/2026-SVSA/MS).
10. Gravidade e encaminhamento
| Gravidade | Critérios | Conduta |
|---|---|---|
| 🟢 Leve | Criança exposta à sífilis com mãe adequadamente tratada e RN normal; RN de mãe com infecção sem evidência de transmissão, com exames normais | Seguimento na atenção básica e no ambulatório de puericultura, com os exames sorológicos do protocolo |
| 🟡 Moderada | Infecção congênita confirmada em RN estável (toxoplasmose, CMV assintomático ou com perda auditiva isolada, sífilis com avaliação a completar) | Encaminhar com prioridade ao infectologista pediátrico, ao oftalmologista e à audiologia; iniciar o tratamento indicado; notificação quando obrigatória |
| 🔴 Grave | RN sintomático grave: quadro séptico, hepatite ou plaquetopenia importantes, convulsões, hidrocefalia, neurossífilis, suspeita de herpes neonatal, pneumonite | UTI neonatal imediata (transferência se fora dela); aciclovir empírico na suspeita de herpes; penicilina cristalina na sífilis com neurossífilis |
11. Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Versão consultada | GPA nº 226 (sífilis), 11/09/2025; DC nº 6 (toxoplasmose), 07/2020; Citomegalovirose neonatal, 07/12/2011 | PCDT IST 2022; Atenção à Saúde do RN, v. 2, 2014; Protocolo de notificação da toxoplasmose, 2018 | Red Book 2024–2027; Congenital Syphilis Guide, 08/07/2025 | Sem diretriz de infecção congênita; UK NSC (CMV), 25/06/2026; BASHH sífilis 2024; BASHH/RCOG herpes 2024 | Protocolo de Neonatologia nº 20 — Infecciones congénitas, 2008; SEIP (CMV), 2009 | cCMV, 23/07/2025; HSV, 10/06/2025 | Sem documento específico localizado | Seguem UK NSC, BASHH e RCOG |
| Sífilis — RN de mãe inadequadamente tratada com avaliação normal | Benzatina dose única | Benzatina dose única | Benzatina aceitável com avaliação completa normal e seguimento garantido | 10 dias de penicilina (BASHH) | Benzatina possível | Segue CDC/AAP | — | BASHH |
| Toxoplasmose | 12 meses; pirimetamina com ataque de 2 dias | 12 meses; pirimetamina 1 mg/kg/dia por 2–6 meses | 12 meses (Red Book) | — | 12 meses; ataque de 2 dias | — | — | — |
| CMV — tratamento | Ganciclovir IV 2–4 semanas (2011) | Ganciclovir IV 6 semanas (2014) | Valganciclovir 6 meses; 6 semanas na perda auditiva isolada | Não recomenda triagem neonatal (2026) | ECCI 2024: valganciclovir 6 meses; tratar perda auditiva isolada | Valganciclovir 6 meses / 6 semanas | — | UK NSC |
| Herpes — supressão oral | Sem documento | Sem documento | 6 meses, todos | Só SNC ou disseminada | — | 6 meses, todos | — | BASHH/RCOG |
Leitura: na sífilis e na toxoplasmose, SBP e MS estão atualizados e alinhados entre si e ao núcleo internacional; a divergência mais relevante é a benzatina dose única no RN de mãe inadequadamente tratada com avaliação normal (SBP/MS e, com ressalvas, CDC/AAP) contra 10 dias de penicilina da BASHH. No CMV, a SBP (2011) e o MS (2014) são anteriores ao ensaio que estabeleceu o valganciclovir oral por 6 meses (Kimberlin, NEJM 2015), hoje padrão na AAP, no consenso europeu (ECCI 2024) e na Johns Hopkins, que também tratam a perda auditiva isolada; o Reino Unido (UK NSC, 06/2026) não recomenda a triagem neonatal universal. No herpes, não há documento nacional; o aciclovir 20 mg/kg de 8/8 h é consenso, e a supressão oral diverge (todos × só SNC/disseminada). Posição do site: SBP e MS na sífilis e na toxoplasmose; no CMV, valganciclovir por 6 meses pela AAP/ECCI, exceção formal à regra por desatualização da SBP e do MS (decisão do Dr. Stefani, 10/2026); no herpes, aciclovir do padrão do site e supressão oral de 6 meses em todos os sobreviventes (AAP).
12. Complicações e erros comuns
- Complicações: surdez neurossensorial (CMV, rubéola, toxoplasmose, sífilis), coriorretinite e baixa visão, microcefalia, hidrocefalia, epilepsia, atraso do desenvolvimento; ceratite intersticial e deformidades ósseas na sífilis tardia, que podem progredir mesmo com tratamento (PCDT 2022); óbito nas formas graves.
- Erros comuns: colher o VDRL do RN no sangue de cordão; considerar adequado o tratamento materno iniciado a menos de 30 dias do parto; não completar 10 dias de penicilina ou não reiniciar após atraso de mais de 24 h; perder a janela de 3 semanas do CMV; tratar o CMV assintomático sem perda auditiva; usar ácido fólico no lugar do folínico; não fazer fundo de olho, audiometria e seguimento.
13. Pontos-chave (ENAMED)
- Muitos RN infectados são assintomáticos ao nascer e evoluem com sequelas — rastrear audição e visão.
- Sífilis: teste pareado em sangue periférico; cristalina 50.000 UI/kg/dose (12/12 h na 1ª semana, 8/8 h depois) por 10 dias; benzatina dose única só com avaliação normal.
- Toxoplasmose: tríade coriorretinite, calcificações difusas e hidrocefalia; sulfadiazina + pirimetamina + ácido folínico por 12 meses.
- CMV: calcificações periventriculares, microcefalia e surdez; PCR em urina ou saliva antes de 3 semanas; valganciclovir 16 mg/kg/dose de 12/12 h por 6 meses na doença moderada a grave.
- Herpes: aciclovir 20 mg/kg/dose de 8/8 h, 14 ou ≥ 21 dias.
14. Referências
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento Científico de Neonatologia. Sífilis congênita. Guia Prático de Atualização nº 226, 11 set. 2025.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília, 2022. Disponível em: bvsms.saude.gov.br.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Departamento Científico de Neonatologia. Toxoplasmose congênita. Documento Científico nº 6, jul. 2020. Disponível em: sbp.com.br.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção à saúde do recém-nascido: guia para os profissionais de saúde. v. 2 (toxoplasmose, citomegalovirose). 2. ed. atual. Brasília, 2014. Disponível em: bvsms.saude.gov.br.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo de notificação e investigação: toxoplasmose gestacional e congênita. Brasília, 2018. Disponível em: bvsms.saude.gov.br.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Citomegalovirose neonatal. 07 dez. 2011. Disponível em: sbp.com.br.
- KIMBERLIN, D. W. et al. Valganciclovir for symptomatic congenital cytomegalovirus disease. N Engl J Med, v. 372, n. 10, p. 933-943, 2015. doi:10.1056/NEJMoa1404599.
- LERUEZ-VILLE, M. et al. Consensus recommendation for prenatal, neonatal and postnatal management of congenital cytomegalovirus infection from the European congenital infection initiative (ECCI). Lancet Reg Health Eur, v. 40, 100892, 2024. doi:10.1016/j.lanepe.2024.100892.
- JOHNS HOPKINS ALL CHILDREN'S HOSPITAL. Asymptomatic Congenital CMV Infection — Clinical Pathway, atualizado em 23 jul. 2025. Disponível em: hopkinsmedicine.org.
- JOHNS HOPKINS ALL CHILDREN'S HOSPITAL. NICU — Neonatal HSV Infection Evaluation and Management Clinical Pathway, 10 jun. 2025. Disponível em: hopkinsmedicine.org.
- KIMBERLIN, D. W. et al. Oral acyclovir suppression and neurodevelopment after neonatal herpes. N Engl J Med, v. 365, n. 14, p. 1284-1292, 2011. doi:10.1056/NEJMoa1003509.
- CLARKE, E. et al. Diretriz conjunta BASHH/RCOG sobre herpes genital na gestação (2024). Int J STD AIDS, 2025. Disponível em: bashh.org.
- KINGSTON, M. et al. UK guidelines for the management of syphilis in pregnancy and children 2024 (BASHH). Int J STD AIDS, 2024. Disponível em: bashh.org.
- AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Congenital Syphilis Evaluation and Treatment Guide, 08 jul. 2025. Disponível em: aap.org.
- UK NATIONAL SCREENING COMMITTEE. Cytomegalovirus — newborn and antenatal screening review, 25 jun. 2026. Disponível em: gov.uk.
- SALVIA, M. D. et al. Infecciones congénitas. Protocolos diagnóstico-terapéuticos de la AEP: Neonatología, nº 20, 2008. Disponível em: seneo.es.
Veja também, em Temas atualizados em Neonatologia: Sífilis congênita; CMV congênito e herpes simples neonatal; Febre do Oropouche e transmissão vertical. Nesta área: Meningite neonatal; Conjuntivite neonatal.
15. Casos clínicos (estilo ENAMED)
Caso 1. RN pequeno para a idade gestacional, com microcefalia, calcificações intracranianas periventriculares à ultrassonografia e falha na triagem auditiva.
Questão 1. Agente mais provável? (A) Toxoplasma gondii (B) Citomegalovírus (C) Treponema pallidum (D) Rubéola (E) Herpes simples
Questão 2. Como confirmar a infecção congênita? (A) IgG isolada (B) PCR para CMV em urina ou saliva antes de 3 semanas de vida (C) Hemocultura (D) Só a clínica (E) PCR após 2 meses
Questão 3. Tratamento do CMV congênito sintomático com acometimento do SNC? (A) Aciclovir (B) Valganciclovir 16 mg/kg/dose VO de 12/12 h por 6 meses (C) Penicilina cristalina (D) Sulfadiazina + pirimetamina (E) Sem tratamento
Caso 2. RN com pênfigo palmoplantar, rinite serossanguinolenta, hepatoesplenomegalia e lesões ósseas; mãe com teste reagente e sem tratamento.
Questão 4. Agente mais provável? (A) Citomegalovírus (B) Treponema pallidum (C) Toxoplasma gondii (D) Rubéola (E) Zika
Questão 5. Tratamento? (A) Azitromicina oral (B) Penicilina G cristalina 50.000 UI/kg/dose IV (12/12 h na 1ª semana; 8/8 h depois), por 10 dias (C) Ceftriaxona dose única (D) Penicilina benzatina dose única (E) Valganciclovir
Questão 6. Tríade clássica da toxoplasmose congênita? (A) Catarata, surdez e cardiopatia (B) Coriorretinite, calcificações intracranianas difusas e hidrocefalia (C) Pênfigo, rinite e lesões ósseas (D) Microcefalia, surdez e PIG (E) Exantema, febre e icterícia
Gabarito comentado. Q1 — B. Q2 — B: a janela é de 3 semanas; depois, só o sangue seco do teste do pezinho. Q3 — B: valganciclovir por 6 meses (Kimberlin 2015; AAP; ECCI 2024). Q4 — B. Q5 — B: RN sintomático é sífilis congênita — 10 dias de penicilina (cristalina, obrigatória se neurossífilis); benzatina dose única só com avaliação normal (PCDT 2022). Q6 — B.
Revisão: outubro de 2026.