Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Use o semáforo: 🟢 cuidar em casa · 🟡 procure o pediatra · 🔴 pronto-socorro agora. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra. 📄 Baixar em PDF
A dermatite das fraldas (assadura) é uma irritação da pele causada por umidade, xixi, cocô e atrito. É muito comum entre 6 e 12 meses e piora com diarreia, antibióticos e início da comida. A vermelhidão fica nas partes que encostam na fralda e poupa as dobrinhas. Quase sempre dá para cuidar em casa: trocar logo que molhar ou sujar, limpar com água, secar sem esfregar e passar uma camada grossa de creme de barreira em toda troca. Procure o pediatra se a vermelhidão entrar nas dobrinhas com bolinhas em volta (pode ser fungo), se houver feridas, bolhas ou pus, ou se não melhorar em 3 dias. Vá ao pronto-socorro se houver febre com o bebê muito irritado ou molinho, bolhas grandes, pele descolando ou manchas roxas pelo corpo.
1.O que é
- Assadura irritativa: a forma mais comum. A umidade e as substâncias do cocô agridem a pele coberta pela fralda. A pele fica vermelha e brilhante nas nádegas, na barriguinha, nos grandes lábios ou no saco escrotal, sem atingir o fundo das dobrinhas.
- Assadura por fungo (candidíase): vermelho vivo, com borda bem marcada, que entra nas dobrinhas da virilha e tem bolinhas ou pontinhos de pus em volta. É comum depois de antibiótico ou junto com o sapinho na boca. Toda assadura que dura mais de 3 dias tende a ser colonizada por fungo.
- Impetigo: bolhas moles ou feridas com casquinhas cor de mel, causadas por bactérias.
- Dermatite estreptocócica perianal: vermelho vivo ao redor do ânus, com dor para evacuar, rachaduras e, às vezes, sangue nas fezes. É causada por bactéria e precisa de antibiótico pela boca.
- Outras causas, menos comuns, que o pediatra investiga quando a assadura não melhora: dermatite seborreica, psoríase, falta de zinco, sarna e doenças raras da pele ou do sangue. Machucados na região genital que não se explicam pela assadura também precisam ser avaliados pelo pediatra.
2.Como aparece (sinais e sintomas)
- Pele vermelha, às vezes descascando, nas áreas de contato com a fralda.
- Ardor e choro na troca, no xixi ou no cocô.
- Nas formas mais fortes: feridas abertas, carocinhos ou bolhas.
- Sinais de fungo: vermelho vivo nas dobrinhas, com bolinhas em volta; placas brancas na boca (sapinho).
- Sinais de infecção por bactéria: pus, casquinhas amareladas, bolhas, dor ao evacuar, sangue nas fezes.
3.Semáforo: quando cuidar em casa, quando procurar o pediatra e quando ir ao pronto-socorro
| Cor | O que você observa | O que fazer |
|---|---|---|
| 🟢 Cuidar em casa | Vermelhidão só nas partes que encostam na fralda, sem feridas e sem bolinhas de pus; bebê bem, sem febre | Trocas frequentes e creme de barreira em toda troca. Se não melhorar em 3 dias, procure o pediatra |
| 🟡 Procure o pediatra | Feridas abertas ou dor forte; vermelho vivo nas dobrinhas com bolinhas em volta (fungo); poucas bolhas ou casquinhas cor de mel; vermelho vivo ao redor do ânus com dor para evacuar ou sangue nas fezes; sem melhora após 3–7 dias de creme de barreira; recém-nascido com algumas bolinhas de pus, sem febre e mamando bem | Consulta em até 24–48 h (recém-nascido, no mesmo dia). O pediatra pode receitar antifúngico, pomada de corticoide fraca por poucos dias ou antibiótico, conforme a causa, e reavaliar em 48–72 h |
| 🔴 Pronto-socorro agora | Febre com bebê muito irritado, molinho ou com aspecto muito doente; bolhas grandes ou pele que descola ao toque, vermelhidão dolorosa espalhada; área endurecida, muito dolorida, arroxeada ou escura que cresce rápido; bolhinhas agrupadas com febre; bebê com menos de 28 dias com bolinhas de pus ou bolhas e febre, recusa para mamar ou mau estado; desidratação por diarreia; manchas roxas com barriga inchada, ínguas, palidez ou sangramentos | Pronto-socorro agora. SAMU 192 se o bebê estiver muito molinho, difícil de acordar ou com mãos e pés frios |
Crianças que merecem mais atenção
- Bebês com menos de 3 meses, principalmente recém-nascidos.
- Diarreia, uso recente de antibiótico, imunidade baixa ou desnutrição.
- Uso anterior de pomadas com corticoide forte ou cremes com várias substâncias misturadas.
- Assadura que não melhora após 1–2 semanas de tratamento correto.
- Manchas também fora da fralda (rosto, couro cabeludo, mãos e pés, ao redor da boca).
- Bebê que não ganha peso, tem diarreia prolongada ou queda de cabelo.
4.Como cuidar em casa
- Troque a fralda assim que molhar ou sujar. Como referência da SBP: recém-nascido a cada 1–2 horas durante o dia; bebês maiores a cada 3–4 horas. Use fraldas descartáveis superabsorventes, do tamanho certo, sem apertar.
- Limpe com água morna e algodão ou pano macio. Se usar lenço umedecido, que seja sem álcool e sem perfume. Seque com toques leves, sem esfregar.
- Deixe o bebê alguns minutos sem fralda a cada troca, para a pele respirar.
- Creme de barreira com óxido de zinco e/ou vaselina (petrolato) em toda troca, numa camada grossa, "como cobertura de bolo". Esse creme é, ao mesmo tempo, prevenção e tratamento.
- Não precisa remover todo o creme a cada troca: tire só o que estiver sujo de cocô. Esfregar para limpar tudo machuca a pele.
- Não use talco, amido, maisena, bicarbonato, ácido bórico, receitas caseiras ou sabonetes fortes.
- Com diarreia, as trocas precisam ser ainda mais frequentes e o creme de barreira, reforçado. Cuide também da hidratação.
- Lave as mãos antes e depois de cada troca.
5.Remédios: o que ajuda e o que evitar
O creme de barreira é a base de todo tratamento. Outros produtos, só com receita:
- Antifúngico em creme ou pomada (nistatina, miconazol ou clotrimazol) para a assadura por fungo. Aplique uma camada fina e, quando a pele melhorar, o creme de barreira por cima. Continue por mais alguns dias depois que a pele ficar boa (em geral 7–10 dias após a melhora), como orientado. Se houver sapinho na boca, o pediatra trata os dois.
- Pomada de corticoide fraca (hidrocortisona 1%), só quando o pediatra indicar, por no máximo 7 dias, em camada fina, antes do creme de barreira.
- Antibiótico: pomada para poucas lesões de impetigo; remédio pela boca para impetigo extenso ou para a dermatite ao redor do ânus causada por estreptococo. Dê nos horários certos e complete o tempo receitado (na dermatite perianal, em geral 10 dias), mesmo que a pele melhore antes. Não guarde sobras.
Para febre ou dor — confira com o pediatra a dose em mL do remédio que você tem em casa:
- Dipirona: 15 mg/kg por dose, a cada 6 h (no máximo 4 doses por dia); não usar em menores de 3 meses ou 5 kg.
- Paracetamol: 10–15 mg/kg por dose, a cada 4–6 h (no máximo 5 doses por dia e 75 mg/kg no dia). Uso seguido por mais de 48–72 h, principalmente na dose máxima, em bebê desidratado ou comendo pouco, pode fazer mal ao fígado — nesse prazo, leve para reavaliação.
- Ibuprofeno: 5–10 mg/kg por dose, a cada 6–8 h, a partir de 6 meses; evite na desidratação, na catapora e na suspeita de dengue.
- Não alterne antitérmicos.
O que não usar:
- Pomadas com corticoide forte (como betametasona, clobetasol e mometasona) e cremes que misturam corticoide, antifúngico e antibiótico. A fralda funciona como um curativo fechado e aumenta a absorção: a pele pode afinar, surgir estrias e até efeitos no corpo todo.
- Pomada com antibiótico comprada sem receita.
- Antifúngico e corticoide não servem para prevenir assadura; use-os só no tratamento, quando receitados.
6.Quando ir ao pronto-socorro
- Febre com o bebê muito irritado, molinho ou com aspecto muito doente.
- Bolhas grandes, pele que descola ao toque ou vermelhidão dolorosa espalhada.
- Área endurecida, muito dolorida, arroxeada ou escura, que cresce rápido.
- Bolhinhas agrupadas com febre ou mau estado.
- Bebê com menos de 1 mês com bolinhas de pus ou bolhas e febre, recusa para mamar ou mau estado.
- Sinais de desidratação por diarreia.
- Febre por 5 dias ou mais com olhos vermelhos, lábios rachados e vermelhidão que descasca na região da fralda.
- Manchas roxas pelo corpo, palidez, sangramentos, barriga inchada ou ínguas.
Como levar
- Deixe a área descoberta ou com gaze limpa com vaselina; não passe cremes novos antes da consulta.
- Dê o antitérmico se houver febre (em bebê com menos de 3 meses, não medique antes de ele ser examinado) e ofereça o peito ou líquidos se o bebê estiver acordado e aceitando.
- Bebê muito molinho, difícil de acordar ou gelado: ligue para o SAMU 192.
- Leve a caderneta de saúde e os produtos que já usou; fotos da evolução ajudam.
7.Como prevenir
- Trocas frequentes, limpeza só com água e secagem sem esfregar.
- Creme de barreira em camada grossa em toda troca, principalmente em dias de diarreia ou uso de antibiótico.
- Fralda do tamanho certo, sem apertar; minutos sem fralda ao longo do dia.
- Evitar lenços com álcool ou perfume e produtos caseiros.
8.Dúvidas e mitos comuns
Preciso tirar todo o creme a cada troca? Não. Tire só o que sujou de cocô. Esfregar para remover tudo irrita mais a pele.
Talco ou maisena ajudam a secar? Não. Podem irritar a pele, empelotar nas dobrinhas e o talco pode ser aspirado pelo bebê.
Posso usar a pomada de corticoide que sobrou? Não sem orientação. Corticoide forte ou creme misturado na área da fralda pode afinar a pele e causar outros problemas.
A assadura não sara. Estou fazendo algo errado? Não necessariamente. Pode ser fungo, bactéria ou outra doença de pele. Se não melhorar em 3 dias, o pediatra precisa ver.
- Trocas frequentes, água para limpar e secar sem esfregar.
- Creme de barreira em camada grossa em toda troca: previne e trata.
- Vermelho vivo nas dobrinhas com bolinhas em volta pode ser fungo: pediatra.
- Nada de talco, receitas caseiras ou pomadas de corticoide forte ou misturadas.
- Febre com bebê molinho, bolhas grandes ou pele descolando: pronto-socorro.
9.Veja também
Veja também, nesta Biblioteca:
- Sinais de gravidade — quando levar seu filho ao pronto-socorro
- Micoses superficiais (micoses de pele, couro cabeludo e sapinho)
- Impetigo, celulite e abscessos (infecções de pele)
- Diarreia aguda e desidratação
- Banho do Recém-Nascido
Versão para profissionais: Dermatite da área das fraldas (Patologias do consultório).
Este guia compara as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), do Ministério da Saúde, da Academia Americana de Pediatria (AAP), do NICE (Reino Unido), da Associação Espanhola de Pediatria (AEP), do Johns Hopkins, de Harvard (Boston Children's), de Oxford e de Cambridge.
Onde concordam:
- Trocas frequentes e creme de barreira com óxido de zinco ou vaselina previnem e tratam.
- Antifúngico quando a assadura é por fungo.
- Se não melhora, o pediatra revê o diagnóstico.
Onde há diferenças:
- Pomada de corticoide: a AEP admite corticoide de média potência nas formas graves e cremes combinados com antifúngico; a SBP e as fontes britânicas usam só corticoide fraco (hidrocortisona 1%), por no máximo 7 dias. Este guia segue a SBP.
- Tempo do antifúngico depois da melhora (7–10 dias): vem de fontes britânicas, porque a SBP não o especifica.
Fontes conferidas em outubro de 2026.
10.Fontes
Baseado no documento profissional Dermatite da área das fraldas desta Biblioteca e nas referências nele citadas:
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Guia Prático de Atualização — Dermatite de fraldas: diagnósticos diferenciais, 2022.
- American Academy of Pediatrics. Diaper rash (HealthyChildren.org), 2024.
- NHS/NICE CKS. Nappy rash (Patient.info).
- AEP/SEPEAP, Pediatría Integral. Dermatitis del pañal y trastornos relacionados, 2016.