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Cólica do bebê e choro excessivo

Como acalmar o bebê, cuidar de quem cuida e reconhecer o choro que pede ajuda

Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Use o semáforo: 🟢 cuidar em casa · 🟡 procure o pediatra · 🔴 pronto-socorro agora. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra. 📄 Baixar em PDF

Em poucas palavras

Cólica é o choro prolongado, sem causa aparente e difícil de acalmar, de um bebê saudável com menos de 5 meses, que mama bem e ganha peso. Costuma começar nas primeiras semanas, piora até cerca de 6 semanas e melhora sozinha entre 3 e 4 meses. Não é culpa dos pais nem do leite materno. O tratamento é acalmar o bebê e apoiar a família: colo, embalo, ruído branco, banho morno. Remédios para gases e chás não resolvem. Nunca sacuda o bebê — se o choro deixar você no limite, deixe-o no berço, saia do quarto e peça ajuda. Vá ao pronto-socorro se o choro for diferente do habitual, forte e contínuo, ou vier com febre, vômitos verdes, barriga inchada, sangue nas fezes ou bebê molinho.

1.O que é

  • Cólica do lactente: crises de choro em um bebê saudável, que não podem ser evitadas nem resolvidas pelos pais, sem febre e sem doença, com ganho de peso normal. Uma regra usada é a "regra dos 3": choro por mais de 3 horas por dia, em mais de 3 dias por semana, por mais de 3 semanas.
  • É muito comum: acontece em 1 a cada 10 até 4 a cada 10 bebês.
  • Por que acontece: a causa exata não é conhecida. Envolve o amadurecimento do sistema nervoso e do sono, o funcionamento e as bactérias do intestino e o ambiente da casa. Não é "só gases". Em poucos bebês, a causa é alergia à proteína do leite de vaca.
  • Só se fala em cólica depois que o pediatra examina o bebê e não encontra outra causa para o choro.

2.Como aparece (sinais e sintomas)

  • Crises de choro, geralmente no fim da tarde e à noite.
  • Rosto vermelho, pernas encolhidas sobre a barriga, punhos fechados, gases.
  • Entre as crises, o bebê está bem, mama bem e ganha peso.

Não parece cólica quando: o choro é de repente muito diferente do habitual; começa depois dos 4–5 meses; vem com febre, vômitos, sangue ou muco nas fezes, eczema (pele áspera e vermelha), recusa das mamadas ou pouco ganho de peso.

3.Semáforo: quando cuidar em casa, quando procurar o pediatra e quando ir ao pronto-socorro

Cor O que você observa O que fazer
🟢 Cuidar em casa Bebê com menos de 5 meses, examinado pelo pediatra, com crises de choro típicas; bem entre as crises; mama bem e ganha peso; a família tem ajuda Medidas para acalmar e revezamento entre os cuidadores. Retorno nas consultas de rotina ou em 1–2 semanas, como combinado
🟡 Procure o pediatra Choro com golfadas e muito desconforto; sangue ou muco nas fezes, eczema ou outros sinais de alergia ao leite; dificuldade para amamentar; ganho de peso fraco; choro que começou depois dos 4–5 meses; mãe ou pai exausto, muito triste, ansioso ou sem ajuda Consulta em poucos dias para rever a mamada, o peso e a saúde da família. Se você estiver sem forças, procure ajuda no mesmo dia
🔴 Pronto-socorro agora Choro de repente diferente do habitual, muito forte e contínuo, que não passa com nada, principalmente com palidez, vômitos ou moleza; febre (em bebê com menos de 3 meses, qualquer febre); vômitos verdes ou repetidos; barriga inchada; sangue nas fezes; bebê mole, muito sonolento, que não quer mamar; moleira estufada; convulsão; caroço na virilha ou na barriga que não volta; saco escrotal inchado, arroxeado ou dolorido; dedo das mãos ou dos pés, ou pênis, inchado e roxo (fio de cabelo enrolado); suspeita de que o bebê se machucou ou foi sacudido; você sente que pode machucar o bebê Pronto-socorro agora. SAMU 192 se houver convulsão, moleza intensa ou dificuldade para respirar

Crianças que merecem mais atenção

  • Bebês com menos de 3 meses com febre ou choro de início súbito.
  • Prematuros, bebês de baixo peso ou com dificuldade para ganhar peso.
  • Famílias em situação difícil: depressão pós-parto, pouca ajuda, pais muito jovens, violência em casa, uso de álcool ou drogas — nessas situações, o risco de o cansaço virar agressão ao bebê é maior, e pedir ajuda é essencial.

4.Como cuidar em casa

Acalmar o bebê — teste o que funciona para o seu filho:

  • Colo e contato pele a pele.
  • Embalo e movimento ritmado: ninar, andar com o bebê no colo ou no carrinho.
  • Ruído branco (ventilador, som de chuveiro ou aplicativos).
  • Banho morno; compressa morna na barriga; dobrar as perninhas suavemente sobre a barriga.
  • Ambiente calmo, com pouca luz e poucos estímulos, e rotina regular.
  • Oferecer o peito quando o bebê chora — responder ao choro não "estraga" o bebê.

Alimentação

  • Mantenha o aleitamento materno. Não pare de amamentar nem troque a fórmula sem orientação do pediatra.
  • Se houver dificuldade na mamada, peça ajuda: o pediatra ou a equipe de amamentação pode observar uma mamada.

Cuidar de quem cuida

  • Reveze com outra pessoa; aceite ajuda de familiares e amigos.
  • Descanse quando o bebê dormir.
  • Tristeza, choro fácil, desânimo ou ansiedade que não passam podem ser depressão pós-parto: conte ao pediatra ou procure a UBS. Isso tem tratamento.

Nunca sacuda o bebê. O choro é a principal causa de o bebê ser sacudido, e isso pode causar lesão grave no cérebro. Se você se sentir irritado ou sem controle: coloque o bebê de barriga para cima no berço, saia do quarto por alguns minutos, respire e peça ajuda a alguém. Deixar o bebê chorando em lugar seguro por alguns minutos é melhor do que perder o controle.

5.Remédios: o que ajuda e o que evitar

  • Probiótico: em bebês amamentados, o pediatra pode considerar um probiótico específico (Lactobacillus reuteri DSM 17938) por 3 a 4 semanas. O benefício é pequeno e incerto; use só a marca e a quantidade receitadas.
  • Suspeita de alergia ao leite: o pediatra pode propor um teste de 2 a 4 semanas com fórmula especial (extensamente hidrolisada) ou, no bebê amamentado, dieta da mãe sem leite e derivados, com orientação para a mãe não ficar sem nutrientes. Nunca faça isso por conta própria.
  • Febre ou dor por outra causa: em bebês com menos de 3 meses, febre pede avaliação antes de qualquer remédio. Nos maiores, confira com o pediatra a dose em mL do remédio que você tem em casa: dipirona 15 mg/kg por dose a cada 6 h (no máximo 4 doses por dia; não usar em menores de 3 meses ou 5 kg); paracetamol 10–15 mg/kg por dose a cada 4–6 h (no máximo 5 doses por dia e 75 mg/kg no dia; não usar por mais de 48–72 h sem reavaliação); ibuprofeno só a partir de 6 meses. Não alterne antitérmicos. Esses remédios não tratam a cólica.

Não use:

  • Simeticona e gotas de lactase — não funcionam na cólica.
  • Remédios para cólica com antiespasmódico (como a diciclomina): proibidos abaixo de 6 meses, podem causar pausas na respiração e sonolência.
  • Remédios para refluxo (como omeprazol): não diminuem o choro e têm efeitos colaterais.
  • Chás (erva-doce, camomila, anis-estrelado) e fitoterápicos: podem intoxicar e diminuem a quantidade de leite que o bebê mama. O anis-estrelado pode afetar o sistema nervoso.
  • Calmantes e antialérgicos para o bebê dormir.
  • Trocas repetidas de fórmula por conta própria; manipulação da coluna ou "osteopatia craniana".

6.Quando ir ao pronto-socorro

  • Choro de repente diferente, muito forte e contínuo, que não passa com nada — principalmente com palidez, vômitos ou moleza.
  • Febre em bebê com menos de 3 meses, ou bebê com aspecto muito doente.
  • Vômitos verdes ou repetidos; barriga inchada; sangue nas fezes.
  • Bebê mole, muito sonolento, que não quer mamar; moleira estufada; convulsão.
  • Caroço na virilha, no saco escrotal ou na barriga que não volta; saco escrotal inchado, arroxeado ou dolorido (pode ser torção do testículo, que precisa de cirurgia em poucas horas).
  • Dedo ou pênis inchado e arroxeado (pode ser um fio de cabelo apertando).
  • Suspeita de que o bebê se machucou, caiu ou foi sacudido.
  • Você sente que pode machucar o bebê e não tem quem ajude.

Como levar

  • Mantenha o bebê aquecido, no colo ou bem preso na cadeirinha.
  • Se ele vomitar e estiver sonolento, apoie-o de lado e observe a respiração.
  • Na suspeita de problema na barriga (vômito verde, barriga inchada), não dê leite nem água até a avaliação.
  • Convulsão, moleza intensa ou dificuldade para respirar: ligue para o SAMU 192.
  • Leve a caderneta de saúde (com a curva de peso) e anote há quanto tempo o choro está diferente.

7.Como prevenir

  • Não há como evitar a cólica, mas ela passa.
  • Aleitamento materno e rotina tranquila ajudam o bebê a se organizar.
  • Casa sem fumaça de cigarro.
  • Combine com a família um "plano para o choro": quem ajuda, a quem ligar, quando sair do quarto.
  • Explique a todos os cuidadores — avós, babás, irmãos mais velhos — que nunca se sacode um bebê.

8.Dúvidas e mitos comuns

A cólica é por causa do que eu como? Na maioria das vezes, não. Dieta da mãe só é indicada quando o pediatra suspeita de alergia ao leite.

Dar colo demais deixa o bebê mal-acostumado? Não. Nos primeiros meses, responder ao choro dá segurança ao bebê.

Chá de erva-doce ou camomila ajuda? Não, e pode fazer mal. Além disso, o bebê mama menos.

As gotas para gases funcionam? Não tiveram efeito comprovado na cólica.

Até quando vai durar? O choro costuma piorar até cerca de 6 semanas e melhorar entre 3 e 4 meses. Se continuar depois dos 4–5 meses, o pediatra reavalia.

Lembre-se
  1. Cólica é comum, não é culpa de ninguém e melhora até os 3–4 meses.
  2. O pediatra precisa examinar o bebê antes de chamar o choro de cólica.
  3. Colo, embalo, ruído branco e banho morno ajudam; chás e gotas para gases, não.
  4. Nunca sacuda o bebê: no limite, deixe-o no berço, saia do quarto e peça ajuda.
  5. Choro diferente do habitual, febre, vômitos verdes, sangue nas fezes ou moleza: pronto-socorro.

9.Veja também

Veja também, nesta Biblioteca:

  • Sinais de gravidade — quando levar seu filho ao pronto-socorro
  • Vômitos e refluxo no bebê
  • Alergia à proteína do leite de vaca
  • Aleitamento Materno
  • Orientações: 1 a 2 Meses
  • Prevenção da Morte Súbita do Lactente

Versão para profissionais: Cólica do lactente e choro excessivo (Patologias do consultório).

O que dizem as referências

Este guia compara as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), do Ministério da Saúde, da Academia Americana de Pediatria (AAP), do NICE (Reino Unido), da Associação Espanhola de Pediatria (AEP), do Johns Hopkins, de Harvard (Boston Children's), de Oxford e de Cambridge.

Onde concordam:

  • A cólica é benigna, passa sozinha e só é chamada assim depois que o pediatra examina o bebê.
  • O centro do cuidado é o apoio aos pais.
  • Simeticona, gotas de lactase, chás e antiespasmódicos não devem ser usados.
  • Todas alertam para o risco de o cansaço levar a sacudir o bebê.

Onde há diferenças:

  • Probiótico (L. reuteri): a SBP e a sociedade europeia ESPGHAN (2023) admitem em bebês amamentados; o NICE não recomenda e revisores da AEP consideram a evidência insuficiente. Este guia segue a SBP: o pediatra pode considerar, sabendo que o benefício é pequeno.
  • Trocar a fórmula ou fazer dieta da mãe sem sinais de alergia: o Johns Hopkins admite um teste de 1 semana; este guia segue a SBP e só considera essas mudanças quando há suspeita de alergia ao leite.

Fontes conferidas em outubro de 2026.

10.Fontes

Baseado no documento profissional Cólica do lactente e choro excessivo desta Biblioteca e nas referências nele citadas:

  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Cólica do lactente (Pediatria para Famílias), 2023.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Distúrbios gastrointestinais funcionais no lactente e na criança menor de 4 anos, 2022.
  • NICE Clinical Knowledge Summaries. Colic — infantile.
  • ESPGHAN. Probiotics for the management of pediatric gastrointestinal disorders, 2023.
  • American Academy of Pediatrics. Abusive head trauma in infants and children.
  • AEP, Comité de Lactancia Materna. Llanto. Cólico del lactante.