Conteúdo informativo, em linguagem acessível, para orientar o cuidado do seu filho. Use o semáforo: 🟢 cuidar em casa · 🟡 procure o pediatra · 🔴 pronto-socorro agora. Não substitui a consulta nem a orientação do seu pediatra. 📄 Baixar em PDF
A bronquiolite é uma infecção por vírus, principalmente o vírus sincicial respiratório (VSR), que inflama os bronquíolos — os tubos mais finos dos pulmões. Atinge crianças menores de 2 anos, sobretudo no primeiro ano. Começa como resfriado e, em 1 a 3 dias, surgem tosse, respiração mais rápida e chiado. Costuma piorar entre o 3º e o 5º dia e melhorar em cerca de 10 dias; a tosse pode durar 3 a 4 semanas. Nenhum remédio encurta a doença: o cuidado é soro no nariz, mamadas menores e mais frequentes e atenção aos sinais de alerta. Vá ao pronto-socorro se houver pausas na respiração, lábios roxos, gemido, costelas afundando muito, respiração muito rápida, bebê mamando menos da metade do habitual ou muito sonolento.
1.O que é
- Bronquiolite: infecção por vírus dos bronquíolos, com inchaço e muco que dificultam a passagem do ar. Acontece em crianças menores de 2 anos.
- Causa: o VSR responde pela maioria dos casos nos meses de maior circulação (no Sudeste, Sul e Nordeste, principalmente no outono, entre o fim de março e maio). Outros vírus também causam.
- Quem tem mais risco: bebês com menos de 6 meses, principalmente menores de 3 meses, e prematuros.
- Como passa: gotículas de tosse e espirro e mãos contaminadas. Muitas vezes o vírus chega pelo resfriado de um irmão ou adulto da casa.
2.Como aparece (sinais e sintomas)
- Primeiro, nariz escorrendo e entupido por 1 a 3 dias.
- Depois: tosse, respiração mais rápida, chiado no peito, esforço para respirar.
- Febre, quando existe, geralmente abaixo de 39 °C.
- Dificuldade para mamar, por causa do nariz entupido e do cansaço.
- Em bebês muito pequenos, a primeira manifestação pode ser uma pausa na respiração (apneia), mesmo sem outros sinais de esforço.
Como saber se a respiração está rápida: conte as respirações por 1 minuto inteiro, com o bebê calmo ou dormindo e o nariz limpo. Acima de 60 por minuto é respiração rápida; acima de 70, é sinal de gravidade.
3.Semáforo: quando cuidar em casa, quando procurar o pediatra e quando ir ao pronto-socorro
| Cor | O que você observa | O que fazer |
|---|---|---|
| 🟢 Cuidar em casa | Bebê acordado e reativo; respiração normal ou pouco rápida, sem afundar as costelas (ou só um pouco); mama mais de 3/4 do habitual; sem pausas na respiração; oxímetro (se tiver) acima de 92% | Soro no nariz, mamadas menores e mais frequentes, observação. Bebês com menos de 6 meses: reavaliação no pico da doença (3º–5º dia) ou antes, se piorar |
| 🟡 Procure o pediatra | Um pouco irritado; costelas afundando de forma moderada, sem gemido; mais de 60 respirações por minuto; mama entre metade e 3/4 do habitual; oxímetro entre 90% e 92%; ou quadro leve em bebê com menos de 3 meses, prematuro ou com doença do coração ou dos pulmões | Consulta no mesmo dia (em até 12–24 h). Menores de 3 meses, prematuros ou com menos de 3 dias de doença: reavaliação em 24–48 h, porque a piora ainda pode vir |
| 🔴 Pronto-socorro agora | Pausas na respiração (vistas ou suspeitas); lábios ou pele arroxeados; gemido; narinas abrindo e fechando; costelas afundando muito ou barriga "balançando"; mais de 70 respirações por minuto; muito sonolento, molinho, choro fraco, ou irritação intensa; mama menos da metade do habitual ou recusa; nenhuma fralda molhada em 12 horas; vômitos frequentes; convulsão; oxímetro abaixo de 90%, ou abaixo de 92% o tempo todo, com o nariz limpo | Pronto-socorro agora — pode precisar de oxigênio. SAMU 192 se houver pausas na respiração, lábios roxos ou esforço muito grande |
Crianças que merecem mais atenção
- Bebês com menos de 3 meses, e ainda mais os com menos de 6 semanas.
- Prematuros (principalmente abaixo de 32 semanas) e bebês com baixo peso ao nascer.
- Doença pulmonar crônica (como a da prematuridade) e doença do coração com repercussão.
- Imunidade baixa, doença neuromuscular, síndrome de Down, fibrose cística.
- Fumaça de cigarro em casa, desmame precoce, poluição, dificuldade de voltar ao serviço de saúde.
4.Como cuidar em casa
- Lave o nariz com soro fisiológico antes das mamadas, antes de dormir e sempre que estiver entupido. Aspire só a parte da frente do nariz, com delicadeza, quando houver muita secreção — não aspire profundamente.
- Mamadas menores e mais frequentes. Continue o peito. O bebê cansa ao mamar; pausas ajudam.
- Conte as fraldas molhadas: menos xixi é sinal de que está bebendo pouco.
- Febre: antitérmico quando houver desconforto.
- Para dormir: sempre de barriga para cima, no berço, sem travesseiros ou almofadas dentro. Se o pediatra orientar elevar a cabeceira, faça isso por baixo do colchão. Acordado, no colo mais em pé, o bebê costuma respirar melhor.
- Casa sem fumaça de cigarro, velas ou incenso.
- Higiene: lave as mãos ou use álcool em gel antes de pegar o bebê; afaste-o de outros bebês.
- Creche: o bebê fica em casa na fase aguda e volta quando estiver sem febre, mamando e respirando bem. A tosse pode durar semanas e não impede o retorno.
5.Remédios: o que ajuda e o que evitar
Nenhum remédio encurta a bronquiolite. O tratamento é o cuidado com o nariz, a alimentação e a observação.
Para a febre e o desconforto — confira com o pediatra a dose em mL do remédio que você tem em casa:
- Paracetamol: 10–15 mg/kg por dose, a cada 4–6 h (no máximo 5 doses por dia e 75 mg/kg no dia). No bebê que está mamando pouco, o uso seguido por mais de 48–72 h pode fazer mal ao fígado — nesse prazo, leve para reavaliação.
- Dipirona: 15 mg/kg por dose, a cada 6 h (no máximo 4 doses por dia); não usar em menores de 3 meses ou 5 kg.
- Ibuprofeno: 5–10 mg/kg por dose, a cada 6–8 h, só a partir de 6 meses; evite se estiver desidratado e na suspeita de dengue ou catapora.
- Não alterne antitérmicos. Bebê com menos de 3 meses com febre precisa de avaliação antes de qualquer remédio.
O que não usar — não ajuda na bronquiolite
- Inalação ou bombinha com broncodilatador (salbutamol) e inalação com adrenalina.
- Corticoide, em xarope, gotas ou inalação.
- Antibiótico, a não ser que o pediatra identifique uma infecção por bactéria.
- Inalação com soro "concentrado" (hipertônico) em casa.
- Xaropes para tosse, descongestionantes e antialérgicos.
- Fisioterapia respiratória de rotina.
Esses tratamentos não aceleram a melhora e podem causar efeitos indesejados. É normal a família querer "fazer alguma coisa": o que funciona é o cuidado com o nariz, com as mamadas e com a observação.
6.Quando ir ao pronto-socorro
- Pausas na respiração, mesmo que curtas, ou lábios e pele arroxeados.
- Gemido, narinas abrindo e fechando, costelas afundando muito.
- Mais de 70 respirações por minuto.
- Muito sonolento, molinho, choro fraco, ou irritação que não passa.
- Mama menos da metade do habitual, recusa o peito ou a mamadeira, ou nenhuma fralda molhada em 12 horas.
- Vômitos frequentes ou convulsão.
- Oxímetro (se tiver) abaixo de 90%, ou abaixo de 92% o tempo todo, medido com o nariz limpo.
Como levar
- Limpe o nariz com soro antes de sair.
- Leve o bebê no colo, mais sentado ou recostado; se estiver com muito esforço ou sonolento, não ofereça mamada no caminho.
- Pausas na respiração, lábios roxos ou esforço muito grande: ligue para o SAMU 192.
- Leve a caderneta de saúde e conte quanto ele mamou, quantas fraldas molhou e se houve pausas.
7.Como prevenir
- Vacina contra o VSR na gestação: para toda gestante a partir de 28 semanas, em cada gestação; gratuita no SUS desde dezembro de 2025. Os anticorpos passam pela placenta e protegem o bebê nos primeiros meses.
- Anticorpo contra o VSR para o bebê (nirsevimabe), em dose única: no SUS desde fevereiro de 2026 para prematuros (de preferência ainda na maternidade) e para crianças menores de 2 anos com doenças que aumentam o risco, na época de maior circulação do vírus. A SBP também recomenda o anticorpo para bebês cuja mãe não foi vacinada na gestação.
- Aleitamento materno, exclusivo até 6 meses.
- Casa sem fumaça de cigarro.
- Lavar as mãos e evitar aglomerações e visitas de pessoas resfriadas nos primeiros meses.
8.Dúvidas e mitos comuns
Por que o pediatra não receitou inalação? Porque, na bronquiolite, inalação com broncodilatador, corticoide e soro concentrado não encurtam a doença nem evitam a internação.
O chiado no peito quer dizer que ele vai ter asma? Não necessariamente. Muitos bebês chiam só nessa infecção. Se o chiado se repetir, o pediatra acompanha.
A tosse continua depois de 3 semanas. É normal? A tosse pode durar até 3 a 4 semanas. Se o bebê estiver bem, mamando e respirando tranquilo, é esperado.
Preciso ter oxímetro em casa? Não é obrigatório. Os sinais mais importantes você vê: respiração rápida, afundamento das costelas, pausas, cor dos lábios e quanto o bebê mama.
- A bronquiolite é causada por vírus e costuma piorar entre o 3º e o 5º dia antes de melhorar.
- Soro no nariz, mamadas menores e mais frequentes e casa sem fumaça.
- Inalação, corticoide, xarope e antibiótico não ajudam.
- Bebê com menos de 3 meses ou prematuro: reavaliação em 24–48 h.
- Pausas na respiração, lábios roxos, gemido ou mamando menos da metade: pronto-socorro.
9.Veja também
Veja também, nesta Biblioteca:
- Sinais de gravidade — quando levar seu filho ao pronto-socorro
- Como Proteger da Bronquiolite (VSR)
- Resfriado comum e infecções de vias aéreas superiores
- Chiado no peito de repetição (sibilância recorrente)
- Prevenção da Morte Súbita do Lactente
- Vacinação
Versão para profissionais: Bronquiolite viral aguda (Patologias do consultório).
Este guia compara as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), do Ministério da Saúde, da Academia Americana de Pediatria (AAP), do NICE (Reino Unido), da Associação Espanhola de Pediatria (AEP), do Johns Hopkins, de Harvard (Boston Children's), de Oxford e de Cambridge.
Onde concordam:
- É uma infecção por vírus, tratada com cuidados de suporte: soro no nariz, mamadas menores e mais frequentes e observação.
- Inalação com broncodilatador, corticoide, antibiótico e fisioterapia de rotina não ajudam.
Onde há diferenças:
- Oxigenação para procurar o pronto-socorro: a AAP aceita saturação acima de 90%; o NICE usa 92%; o Ministério da Saúde usa 90% como limite absoluto e 92% para indicar oxigênio. Este guia segue o Ministério da Saúde e a SBP.
- Soro concentrado (hipertônico) na inalação: a AAP ainda permite em bebês internados; o NICE e o Ministério da Saúde não recomendam. Este guia não indica.
- Prevenção: o Brasil adota a vacina da gestante (a partir de 28 semanas) e o anticorpo nirsevimabe para prematuros e crianças com doenças de risco; os EUA e a Espanha oferecem o anticorpo a muitos ou a todos os bebês. Este guia segue o calendário do SUS e a SBP.
Fontes conferidas em outubro de 2026.
10.Fontes
Baseado no documento profissional Bronquiolite viral aguda desta Biblioteca e nas referências nele citadas:
- Ministério da Saúde. Guia de Manejo Clínico da Bronquiolite Viral Aguda, 2026.
- Ministério da Saúde. Nota Técnica nº 109/2025 (nirsevimabe), 2025.
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Diretrizes para o manejo da infecção causada pelo VSR, 2017.
- American Academy of Pediatrics. Clinical Practice Guideline — Bronchiolitis, 2014.
- NICE. Bronchiolitis in children (NG9), atualizado em 2021.