Material de apoio ao ensino e à prática; não substitui as diretrizes vigentes nem o julgamento clínico. As condutas devem ser individualizadas.
1. Epidemiologia e Fatores de Risco
A incidência varia conforme a população estudada e os critérios diagnósticos utilizados. A SBP (DC nº 3/2018) estima que os HI ocorram em cerca de 4% a 10% da população; a AAP (2019) cita 4% a 5% dos lactentes. O aparecimento se dá nos primeiros dias ou semanas de vida.
| Fator de Risco | Observação | Fonte |
|---|---|---|
| Sexo feminino | Mais frequente em meninas | AAP 2019 |
| Prematuridade | Mais frequente no prematuro | AAP 2019 |
| Baixo peso ao nascer | Até 30% dos nascidos com < 1 kg | AAP 2019 |
| Gestação múltipla (gêmeos) | Mais frequente | AAP 2019 |
| Anomalias placentárias (placenta prévia, pré-eclâmpsia) | Associação descrita | Literatura citada pela AAP 2019 |
| Pele clara (recém-nascidos brancos) | Mais frequente | AAP 2019 |
| História familiar de HI | Associação descrita | Literatura citada pela AAP 2019 |
2. Classificação
2.1 Por Profundidade
- Superficiais (60–70%): lesões dérmicas, vermelho-vivas, bem delimitadas. Fase proliferativa mais intensa e previsível.
- Profundos (15%): subdérmicos, azulados/violáceos, macios à palpação. Diagnóstico diferencial mais amplo.
- Mistos (25%): componentes dérmico e subdérmico concomitantes.
2.2 Por Distribuição
| Padrão | Características | Implicação Clínica |
|---|---|---|
| Focal | Lesão única, bem circunscrita | Menor risco de complicações sistêmicas |
| Multifocal | ≥5 lesões cutâneas | Rastreamento obrigatório de HI hepático (USG abdominal) |
| Segmentar | Área extensa, dermátomo-like | Alto risco — investigar Síndromes PHACE / LUMBAR |
| Indeterminado | Não se encaixa nos anteriores | Avaliação especializada recomendada |
- Síndromes Associadas a HI Segmentares — Alerta Clínico (AAP 2019 · SBP 2018)
- PHACE: HI facial segmentar ≥5cm + malformações de fossa posterior, artérias cerebrais, coração/aorta, olhos. Solicitar RM crânio/pescoço + ecocardiograma.
- LUMBAR: HI lombossacral segmentar + lipomielomeningocele, malformações urogenitais/anorretais, anomalias renais. Solicitar USG de coluna e renal.
- HI hepático: presente em até 16% das crianças com ≥5 HI cutâneos. Risco de insuficiência cardíaca de alto débito, hipotireoidismo e coagulopatia.
3. História Natural e Fases de Evolução
O HI segue uma história natural característica que fundamenta todas as decisões terapêuticas:
| Fase | Período | Características Histológicas | Conduta |
|---|---|---|---|
| Precursora | Ao nascimento a 2 sem. | Mancha telangiectásica, área pálida ou equimótica | Observação; documentar |
| Proliferativa rápida | 1–3 meses | Intensa angiogênese, GLUT-1+, Ki-67 elevado | Janela terapêutica ideal |
| Proliferativa lenta | 3–9 meses | Crescimento desacelerado | Iniciar tto se ainda indicado |
| Platô | 9–12 meses | Estabilização volumétrica | Reavaliar indicação cirúrgica |
| Involução | 1–7 anos | Apoptose, fibroses, substituição gordurosa | Acompanhamento; tto residual |
| Involuída | >7–9 anos | Fibrose, telangiectasias, pele redundante | Cirurgia/laser se indicado |
- Marcador Diagnóstico Fundamental (SBP 2018 · AAP 2019)
- GLUT-1 (transportador de glicose-1): positivo em todos os HI verdadeiros; o HI é o único tumor vascular GLUT-1 positivo (SBP 2018). Negativo em malformações vasculares, granuloma piogênico e hemangiomas congênitos (RICH, NICH, PICH).
- Utilizar imuno-histoquímica com GLUT-1 em todos os casos com apresentação atípica ou dúvida diagnóstica com outros tumores.
- D2-40 (podoplanina) é negativo no HI e positivo nas malformações linfáticas e no hemangioendotelioma kaposiforme (Debelenko 2005). O WT1 é positivo no HI e nos demais tumores vasculares e negativo nas malformações vasculares (Lawley 2005; Al Dhaybi 2010) — ajuda a separar tumor de malformação, e não tem relação com tumor de Wilms.
4. Diagnóstico e Exames Complementares
4.1 Diagnóstico Clínico
O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em anamnese detalhada (ausência ao nascimento, aparecimento nas primeiras semanas, crescimento rápido) e exame físico. A história natural típica e a positividade do GLUT-1 são os pilares diagnósticos.
4.2 Exames de Imagem — Indicações Baseadas em Evidências
| Exame | Indicação | Achado Esperado |
|---|---|---|
| USG Doppler colorido | Dúvida diagnóstica; HI profundo | Massa bem delimitada, de alto fluxo, sem shunt arteriovenoso (exceção: HI hepático); na involução, mais gordurosa e menos vascular (AAP 2019) |
| USG abdominal | ≥5 HI cutâneos | HI hepático (focal, multifocal ou difuso) |
| RM com contraste | HI segmentar; suspeita PHACE/LUMBAR; orbital | Extensão, estruturas adjacentes, anomalias |
| Ecocardiograma | HI hepático difuso; suspeita PHACE | IC alto débito, anomalias aórticas/coronárias |
| Função tireoidiana (T4L, TSH) | HI hepático extenso | Hipotireoidismo por inativação de T4 pela iodotironina deiodinase tipo 3 |
| Biópsia + GLUT-1 | Apresentação atípica, sem involução esperada | GLUT-1 positivo confirma HI |
5. Estratificação de Risco e Indicações de Tratamento
A decisão terapêutica fundamenta-se na estratificação de risco, considerando localização, tamanho, fase de crescimento, complicações e impacto funcional/estético. A janela terapêutica ideal é entre 1 e 3 meses de vida.
| Risco | Critérios | Conduta Recomendada |
|---|---|---|
| ALTO (tratar sempre) | HI periocular com obstrução visual; vias aéreas; ouvido externo; HI ulcerado extenso; HI hepático sintomático; HI segmentar com síndrome associada | Propranolol oral sistêmico; encaminhar com urgência ao especialista |
| INTERMEDIÁRIO (tratar na maioria) | HI facial em área esteticamente sensível (nariz, lábio, orelha); risco de cicatriz desfigurante; crescimento rápido; ulceração pequena | Propranolol oral ou timolol tópico (superficial pequeno); decisão multidisciplinar |
| BAIXO (observar) | HI pequeno (<1,5cm), localização sem risco funcional, crescimento lento, assintomático | Observação estruturada com reavaliações mensais nos primeiros 6 meses |
- Indicações de Tratamento Imediato — Não Postergar (AAP 2019 · SBP 2018)
- HI periocular: risco de ambliopia, astigmatismo e anisometropia. Encaminhar com urgência ao oftalmologista.
- HI subglótico / laringo-traqueal: estridor bifásico, especialmente em HI de barba (segmentar cervical). 🔴 Estridor ou desconforto respiratório: pronto-socorro/hospital (laringoscopia e propranolol com monitorização); o diagnóstico é endoscópico.
- HI hepático difuso: risco de IC alto débito, hipotireoidismo consumptivo e coagulopatia. UTI neonatal se necessário.
- HI ulcerado: dor intensa, risco de infecção secundária e bacteremia. Propranolol + curativo especializado.
- HI segmentar ≥5cm em face: protocolo PHACE obrigatório antes de iniciar propranolol (risco de AVC por anomalia arterial).
6. Tratamento Farmacológico — Propranolol
6.1 Mecanismo de Ação
O propranolol, β-bloqueador não seletivo, age nos HI por múltiplos mecanismos sinérgicos: (1) vasoconstrição imediata por inibição da liberação de NO e prostaglandinas; (2) inibição da angiogênese via downregulation de VEGF, bFGF e HIF-1α; (3) indução de apoptose de células endoteliais em proliferação; (4) inibição de células progenitoras endoteliais CD133+/VEGFR2+.
6.2 Protocolo de Tratamento (SBP 2018 · AAP 2019)
| Parâmetro | Recomendação | Observações |
|---|---|---|
| Dose-alvo | 2 a 3 mg/kg/dia, divididos de 8/8 h ou de 12/12 h (SBP, DC nº 3/2018) | Iniciar com 0,5 mg/kg/dia e aumentar gradualmente a cada 4 a 5 dias até a dose plena (SBP 2018). A AAP 2019 inicia com 1 mg/kg/dia, alvo 2–3 mg/kg/dia, 2×/dia |
| Duração mínima | 6 meses ou até fim da fase proliferativa (9–12 meses de idade) (SBP 2018; duração média 6,4 meses) | Recrescimento em 10–25% ao reduzir ou suspender, maior se a suspensão ocorre antes dos 12 meses de idade (AAP 2019) |
| Idade de início | Início ambulatorial a partir de 5 semanas de idade corrigida (bula da FDA, citada pela AAP 2019); internação a considerar abaixo de 8 semanas, com comorbidade cardiovascular ou respiratória, ou pouco suporte social | Risco de hipoglicemia em prematuros |
| Monitoramento inicial | FC e PA por 2 h após a 1ª dose e após cada aumento (AAP 2019); FC, PA e ECG antes e periodicamente durante o tratamento (SBP 2018) | Glicemia se sintomas, especialmente se <3 meses |
| Contraindicações absolutas | Choque cardiogênico, bradicardia sinusal, hipotensão, insuficiência cardíaca, asma, hipersensibilidade (SBP 2018); BAV 2º/3º grau | Excluir PHACE antes de iniciar |
| Suspensão | Desmame gradual em 2–4 semanas ao final | Evitar hipersensibilidade adrenérgica rebote |
- Propranolol e Síndrome PHACE — Protocolo Específico (Consenso PHACE 2016 · AAP 2019)
- RM crânio/pescoço + angiografia por RM obrigatória antes de iniciar propranolol.
- Se anomalia arterial intracraniana presente: risco aumentado de AVC isquêmico com queda brusca da PA.
- Nestes casos: iniciar propranolol em dose muito baixa (0,5 mg/kg/dia) com monitoramento hospitalar, ou considerar timolol tópico / corticoterapia intralesional.
- Avaliação cardiológica obrigatória (ecocardiograma + ECG) antes do início do tratamento em todos os casos de HI segmentar facial.
7. Alternativas Terapêuticas
7.1 Timolol Tópico (Maleato de Timolol 0,5% gel)
β-bloqueador não seletivo de uso tópico. Eficaz para HI superficiais pequenos (<1,5 cm), com menor biodisponibilidade sistêmica que o propranolol oral. Primeira linha no HI superficial pela SBP (2018); a AAP (2019) o recomenda nos HI finos ou superficiais. Numa coorte multicêntrica de 731 pacientes (citada pela AAP 2019), houve melhora em cerca de 70% com 1–3 meses e em 92% com 6–9 meses de uso.
- Posologia: 1 gota aplicada 2×/dia diretamente sobre o HI. Dose diária total de segurança do timolol 0,5%: 1 gota/kg, que pode ser dividida ao longo do dia (SBP 2018, citando Dalla Costa); atenção à absorção sistêmica e à bradicardia.
- Vantagem: menor risco de efeitos sistêmicos (hipoglicemia, broncoespasmo).
- Limitação: ineficaz em HI profundos ou extensos; penetração dérmica limitada.
- Contraindicação relativa: HI ulcerado (absorção sistêmica imprevisível).
7.2 Corticoterapia
Uso cada vez mais restrito após aprovação do propranolol. Ainda indicada em situações específicas:
- Intralesional (triancinolona): HI periorbitário pequeno sem indicação de propranolol sistêmico.
- Sistêmica (prednisolona 1–4 mg/kg/dia, SBP 2018; a AAP 2019 considera ótima a faixa de 2–3 mg/kg/dia): segunda linha, só na fase proliferativa, nos casos que não respondem ao propranolol ou com contraindicação a ele, por 1 a 3 meses (SBP). Interfere no calendário vacinal e costuma causar síndrome de Cushing.
- Nunca como primeira linha de rotina — evidências de eficácia inferiores ao propranolol (NNT menor, maiores efeitos adversos).
7.3 Cirurgia e Laser
| Modalidade | Indicação Principal | Evidência |
|---|---|---|
| Pulsed Dye Laser (PDL) | Telangiectasias residuais pós-involução; penetração pequena, não reduz a parte tumoral | SBP 2018; AAP 2019 |
| Nd:YAG Laser | HI profundo pequeno; residual pigmentado | Sem recomendação da SBP; uso em centro especializado |
| Cirurgia excisional | Lesão residual com pele redundante; HI não responsivo em área crítica; pós-involução | AAP 2019 (grau C) |
8. Situações Clínicas Especiais
8.1 HI Ulcerado
Complicação em 15–25% dos HI — mais comum em HI segmentares labiais e perineais. Tratamento: propranolol oral em dose baixa (0,5 a 1 mg/kg/dia), associado ou não a corticoide — em dose alta pode agravar a ulceração (SBP 2018) — + cuidado local com curativo não aderente (tela ou espuma de silicone). Analgesia: paracetamol 10–15 mg/kg/dose a cada 4–6 h (máx. 75 mg/kg/dia); ibuprofeno 5–10 mg/kg/dose a cada 6–8 h só a partir de 6 meses (padrão do site). Infecção secundária: swab + antibioticoterapia dirigida (S. aureus predominante).
8.2 HI Hepático
Três padrões: focal (maioria benigna, involui sem tratamento), multifocal (monitorar função tireoidiana e cardíaca) e difuso (risco de insuficiência cardíaca de alto débito, hipotireoidismo consumptivo por deiodinase tipo 3, e síndrome do compartimento abdominal).
- HI hepático difuso sintomático: propranolol + levotiroxina se hipotireoidismo + diuréticos/digoxina se IC.
- Embolização arterial e transplante hepático: reservados para falência terapêutica.
8.3 HI Subglótico
Presente em ~50% dos HI segmentares de barba ("beard distribution"). Manifestação: estridor bifásico progressivo, geralmente entre 6–12 semanas de vida. Conduta: laringoscopia direta + propranolol oral em dose plena com monitoramento hospitalar. Traqueostomia reservada para falência terapêutica ou obstrução crítica.
9. Diagnóstico Diferencial
| Diagnóstico | Diferenciação do HI | Exame-Chave |
|---|---|---|
| Malformação vascular (MV) | Presente ao nascimento; não involui; cresce proporcionalmente à criança; GLUT-1 e WT1 negativos. Ao Doppler: baixo fluxo nas malformações capilares, venosas e linfáticas; alto fluxo na malformação arteriovenosa, com shunt arteriovenoso e sem massa sólida (o HI proliferativo também é de alto fluxo, mas forma massa bem delimitada, sem shunt) | USG Doppler + GLUT-1 |
| Granuloma piogênico | Aparece após trauma; sangra facilmente; crescimento rápido pós-início; GLUT-1 negativo | Histopatologia |
| Hemangiomas congênitos (RICH, NICH, PICH) / hemangioendotelioma kaposiforme | Hemangiomas congênitos já estão completamente formados ao nascimento e são GLUT-1 negativos; o RICH involui rapidamente no 1º ano; o kaposiforme pode se associar ao fenômeno de Kasabach-Merritt (sirolimo como opção, SBP 2018) | RM + biópsia + GLUT-1 |
| Neurofibroma plexiforme | Associado a manchas café-com-leite; sem padrão vascular; NF1 | Genética + RM |
| Dermatofibrossarcoma | Raro, mas importante; crescimento não involui; textura firme | Biópsia com imunohistoquímica |
| Mancha vinho do porto (Port-wine stain) | Presente ao nascimento; não cresce na 1ª infância; capilar de baixo fluxo | Clínica + Doppler |
10. Protocolo de Acompanhamento Proposto
- Fluxo de Acompanhamento Proposto (sugestão do site, com base em AAP 2019 e SBP 2018)
- 0–3 meses (fase proliferativa rápida): reavaliação mensal obrigatória; documentação fotográfica padronizada; decisão terapêutica nesta janela.
- 3–6 meses: reavaliação a cada 4–6 semanas; monitoramento da resposta ao tratamento (propranolol: redução visível em 4–8 semanas).
- 6–12 meses: reavaliação bimestral; avaliar necessidade de manutenção do propranolol.
- 1–5 anos (fase de involução): reavaliação semestral; documentar regressão; planejamento de cirurgia/laser residual.
- Crianças em propranolol: FC e PA a cada consulta e ECG periódico (SBP 2018); glicemia só se houver sintomas, sem glicemia de rotina; orientar os pais sobre sinais de hipoglicemia e a dar o remédio com a alimentação, suspendendo-o em jejum, vômitos ou recusa alimentar (AAP 2019).
- HI periorbitário: avaliação oftalmológica paralela a cada 3 meses durante a fase proliferativa.
11. Pontos-Chave para a Prática Clínica
- ⭐ A janela terapêutica ideal é 1–3 meses. HI tratado após 6 meses tem resposta significativamente inferior.
- ⭐ GLUT-1 positivo é diagnóstico de HI verdadeiro — use em qualquer caso de dúvida.
- ⭐ ≥5 HI cutâneos = USG abdominal obrigatório para rastreamento hepático.
- ⭐ HI segmentar facial ≥5cm = protocolo PHACE completo antes de qualquer tratamento.
- ⭐ Propranolol oral é o tratamento de escolha: início 0,5 mg/kg/dia, aumento a cada 4–5 dias até 2–3 mg/kg/dia, de 8/8 ou 12/12 h (SBP 2018).
- ⭐ Estridor bifásico em lactente jovem = investigar HI subglótico (50% dos HI em barba).
- ⚠ Nunca iniciar propranolol sem excluir PHACE em HI segmentar — risco de AVC.
- ⚠ HI hepático difuso: dosar T4L e TSH — hipotireoidismo consumptivo pode ser grave.
12. Comparação com as referências
| Item | SBP | Ministério da Saúde | AAP | NICE | AEP | Johns Hopkins | Harvard | Oxford / Cambridge |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Versão consultada | DC de Dermatologia nº 3, Hemangioma: nova classificação e atualização terapêutica, novembro de 2018 | Sem posição específica localizada | Krowchuk et al., CPG, Pediatrics 2019;143(1):e20183475 | Sem diretriz de tratamento; só o resumo de evidência ESUOM47 (timolol tópico), 2015 | Sem documento próprio da AEP localizado; consenso espanhol (An Pediatr 2016;85(5):256–65) e sua atualização (Actas Dermosifiliogr 2025;116:837–48) | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Encaminhamento | Ao especialista nos HI de risco | Sem posição específica localizada | HI de alto risco avaliado idealmente até 1 mês de idade | — | Escala IHReS para decidir a derivação (2025) | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Propranolol — dose | Início 0,5 mg/kg/dia, aumento a cada 4–5 dias até 2–3 mg/kg/dia (8/8 ou 12/12 h) | Sem posição específica localizada | Início 1 mg/kg/dia; alvo 2–3 mg/kg/dia, 2×/dia | — | 1–3 mg/kg/dia; PHACE: início 0,5–1 mg/kg/dia com aumento lento | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Propranolol — duração | Pelo menos 6 meses ou até o fim da fase proliferativa | Sem posição específica localizada | Pelo menos 6 meses, muitas vezes até os 12 meses de idade | — | Até 24 meses em casos selecionados (2025) | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
| Timolol tópico | 1ª linha no HI superficial | Sem posição específica localizada | HI finos ou superficiais | Evidência favorável em HI pequenos e superficiais (uso fora da bula) | HI pequenos e/ou superficiais | Sem posição específica localizada | Sem posição específica localizada | Segue o NICE |
Leitura: as referências convergem no propranolol oral como 1ª linha do HI com indicação de tratamento, na dose-alvo de 2–3 mg/kg/dia, no timolol tópico para HI pequenos e superficiais, na investigação de PHACE antes do tratamento do HI segmentar facial e no corticoide como 2ª linha. As diferenças são de detalhe: a SBP começa com 0,5 mg/kg/dia e sobe a cada 4–5 dias, mais cauteloso que o 1 mg/kg/dia da AAP; o consenso espanhol de 2025 admite estender o propranolol até 24 meses e usa a escala IHReS para decidir quem encaminhar; a AAP fixa a avaliação dos HI de alto risco até 1 mês de idade, porque o crescimento é mais rápido entre 1 e 3 meses. O site não fixa prazo de encaminhamento: orienta encaminhar com urgência os HI de alto risco. Ministério da Saúde e NICE não têm diretriz de tratamento. Conduta do site: segue a SBP (DC nº 3/2018) na dose, no escalonamento e nas indicações; a AAP e o consenso espanhol complementam onde a SBP não detalha (monitorização após a 1ª dose, duração prolongada). Ver também Malformações vasculares.
Referências Bibliográficas Selecionadas
- AAP 2019: Krowchuk DP et al. Clinical Practice Guideline for the Management of Infantile Hemangiomas. Pediatrics, 2019;143(1):e20183475.
- SBP 2018: Sociedade Brasileira de Pediatria, Departamento Científico de Dermatologia. Hemangioma: nova classificação e atualização terapêutica. Documento Científico nº 3, novembro de 2018.
- NICE 2015: National Institute for Health and Care Excellence. Infantile haemangioma: topical timolol. Evidence summary ESUOM47. (O NICE não tem diretriz de tratamento do HI.)
- Léauté-Labrèze C, Harper JI, Hoeger PH. Infantile haemangioma. Lancet, 2017;390(10089):85-94.
- Léauté-Labrèze C et al. A randomized, controlled trial of oral propranolol in infantile hemangioma. N Engl J Med, 2015;372(8):735-746.
- Consenso espanhol: Baselga Torres E et al. Consenso español sobre el hemangioma infantil. An Pediatr (Barc), 2016;85(5):256-265.
- Baselga E, Bernabeu-Wittel J, et al. Actualización del documento de consenso español sobre el hemangioma infantil. Actas Dermosifiliogr, 2025;116(8):837-848.
- Consenso PHACE 2016: Garzon MC et al. PHACE Syndrome: Consensus-Derived Diagnosis and Care Recommendations. J Pediatr, 2016;178:24-33.e2.
- Lawley LP et al. Expression of Wilms tumor 1 gene distinguishes vascular malformations from proliferative endothelial lesions. Arch Dermatol, 2005;141(10):1297-1300. Al Dhaybi R et al. Differentiation of vascular tumors from vascular malformations by expression of Wilms tumor 1 gene: evaluation of 126 cases. J Am Acad Dermatol, 2010;63(6):1052-1057. Debelenko LV et al. D2-40 immunohistochemical analysis of pediatric vascular tumors reveals positivity in kaposiform hemangioendothelioma. Mod Pathol, 2005;18(11):1454-1460.
- ISSVA — International Society for the Study of Vascular Anomalies. Classification of vascular anomalies (2014; revisão 2018): malformações de baixo fluxo (capilar, venosa, linfática) e de alto fluxo (arteriovenosa).
Dr. José Roberto Stefani | Pediatra (RQE 36.710) e Neonatologista (RQE 367.101) | CRM/SP 43.076 | Professor de Pediatria — Centro Universitário Max Planck | www.neonatologia.com.br