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Abordagem da Criança com Déficit de Crescimento

1.Importância do tema

O déficit de crescimento (também chamado de faltering growth ou, no termo clássico, "falha de medrar") é uma das queixas mais frequentes na puericultura. Não é um diagnóstico em si, mas um sinal que exige avaliação cuidadosa. A grande maioria dos casos decorre de oferta calórica insuficiente, e não de doença orgânica grave — o que torna a anamnese alimentar e o acompanhamento as ferramentas mais valiosas.

2.Definição e antropometria

Não há um único critério; usam-se as curvas de crescimento da OMS e medidas seriadas:

Padrão útil

A ordem em que os parâmetros caem ajuda: tipicamente o peso cai primeiro (baixa oferta), depois a estatura e, por último, o perímetro cefálico. Quando o perímetro cefálico é afetado precocemente, pensar em causa mais grave (genética, intrauterina, neurológica).

3.Causas (por mecanismo)

MecanismoExemplos
Oferta/ingestão insuficiente (mais comum)Técnica de amamentação inadequada, diluição errada de fórmula, alimentação não responsiva, restrição/pobreza, dificuldades alimentares, negligência
Absorção/utilização inadequadaDoença celíaca, fibrose cística, alergia alimentar, parasitoses, doença inflamatória intestinal
Maior demanda/perdasCardiopatia, doença pulmonar crônica, infecções de repetição, hipertireoidismo, doença renal

4.Orgânico x não orgânico

Historicamente divide-se em orgânico (doença de base) e não orgânico/ambiental (psicossocial, alimentar) — mas há sobreposição. A maioria é não orgânica/multifatorial. A anamnese alimentar detalhada e a observação de uma mamada/refeição valem mais que uma bateria de exames.

5.Sinais de alerta (sugerem causa orgânica)

6.Investigação racional

Princípio

Solicitar exames "em bloco" sem hipótese tem baixo rendimento. A maior parte do diagnóstico vem da história alimentar e do acompanhamento.

7.Manejo

8.Erros comuns

9.Pontos-chave para a prova

10.Casos clínicos comentados

Caso 1

Lactente de 4 meses, em aleitamento materno exclusivo, com ganho de peso lento: caiu do percentil 50 para abaixo do percentil 3 nas últimas semanas. Está ativo, sem vômitos ou diarreia, com bom perímetro cefálico. A mãe relata mamadas curtas, com dor e fissuras, e poucas diureses.

1.A causa mais provável do déficit é:
Gabarito: B) Mamadas curtas, dor/fissuras e poucas diureses indicam transferência de leite ineficaz por pega inadequada — a causa mais comum de déficit em lactente saudável, sem sinais de alarme.
2.A conduta inicial mais adequada é:
Gabarito: A) Sem sinais de alarme, a prioridade é corrigir a técnica de amamentação e reavaliar o ganho; exames extensos não estão indicados de início.
3.Qual achado, se presente, mudaria a abordagem para investigar causa orgânica?
Gabarito: C) Sinais de alarme (diarreia crônica/esteatorreia, comprometimento do perímetro cefálico, ausência de resposta a um aporte calórico adequado) direcionam para investigação de causa orgânica.
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Caso 2

Criança de 18 meses com baixo ganho ponderal, distensão abdominal, fezes volumosas e fétidas e irritabilidade, iniciados após a introdução de alimentos com glúten. Curva de peso e estatura em queda.

1.A principal hipótese é:
Gabarito: B) Déficit de crescimento com diarreia/esteatorreia e distensão que começam após a introdução do glúten é o quadro clássico da doença celíaca (causa de má absorção).
2.A investigação inicial mais apropriada inclui:
Gabarito: A) A triagem é sorológica (antitransglutaminase IgA com IgA total), e o glúten deve ser mantido na dieta até concluir a investigação, sob risco de falso-negativo.
3.Este caso ilustra qual mecanismo de déficit de crescimento?
Gabarito: C) A doença celíaca causa déficit por má absorção/utilização inadequada dos nutrientes, apesar de a ingestão poder ser adequada.
0/3 acertos

11.Referências selecionadas