Alergia e Imunologia · Reações alérgicas

Urticária, angioedema, eritema multiforme e SSJ/NET

Urticária aguda e crônica pela SBP 2023 e pelo consenso EAACI/GA²LEN/EuroGuiDerm/APAAACI 2022, anti-histamínico de 2ª geração até 4 vezes a dose, omalizumabe, angioedema sem urticas, eritema multiforme e síndrome de Stevens-Johnson/necrólise epidérmica tóxica como emergência

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

Urticária são urticas pruriginosas e fugazes (cada lesão some em menos de 24 h), com ou sem angioedema; é aguda até 6 semanas e crônica acima disso (SBP, Diretrizes nº 118, 2023; EAACI/GA²LEN 2022). Na criança, a aguda é quase sempre infecciosa, sem exames de rotina; trata-se com anti-histamínico H1 de 2ª geração em horário fixo e, na crônica sem controle em 2–4 semanas, até 4 vezes a dose, depois omalizumabe (a partir de 12 anos) pelo especialista. A primeira pergunta é sempre: há anafilaxia? Se houver, adrenalina IM 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg na criança, 0,5 mg no adolescente) e pronto-socorro (🔴). Angioedema recorrente sem urticas e sem prurido lembra angioedema hereditário, que não responde a anti-histamínico, corticoide nem adrenalina. Eritema multiforme tem lesões em alvo fixas por dias, quase sempre após herpes simples ou Mycoplasma, e costuma ser tratado em casa (🟢/🟡). Pele dolorosa, bolhas ou descolamento com duas ou mais mucosas, sobretudo após medicamento nas últimas 8 semanas, é SSJ/NET (🔴): suspender o fármaco e hospital no mesmo dia (UTI ou unidade de queimados).

1.O que é e como se apresenta

Quadro Lesão Duração da lesão Mucosas Sintoma Causa principal na criança
Urticária Urticas eritematoedematosas que migram, sem marca < 24 h Raramente (lábios) Prurido Infecções virais; medicamentos, alimentos, picadas
Angioedema histaminérgico Edema da derme profunda (pálpebras, lábios, mãos, pés) Até 72 h Lábios Pouco prurido, às vezes dor O mesmo da urticária, em geral com urticas
Angioedema por bradicinina Edema deformante, sem urticas, sem cacifo 2–5 dias Via aérea, intestino Sem prurido; dor abdominal Angioedema hereditário; IECA (raro na criança)
Eritema multiforme Alvo típico de 3 zonas, fixo, acral ≥ 7 dias Boca em parte dos casos (forma maior) Ardor, pouco prurido Herpes simples, Mycoplasma pneumoniae
SSJ/NET Máculas purpúricas, alvos atípicos, bolhas, descolamento com Nikolsky Progressiva ≥ 2 mucosas, olhos Dor na pele, febre Medicamentos (anticonvulsivantes aromáticos, sulfas, AINE, alopurinol); Mycoplasma

Urticária aguda: a infecção, sobretudo viral, é a causa mais frequente; urticária que surge durante um antibiótico é muitas vezes da própria infecção, e a criança não deve ser rotulada como alérgica sem avaliação (SBP 2023). A urticária multiforme (placas anulares com centro violáceo, edema de mãos e pés, cada lesão < 24 h) é uma forma de urticária aguda, não eritema multiforme.

Urticária crônica (> 6 semanas): espontânea (sem gatilho; cerca de 30% das crianças com autoanticorpos — SBP 2023) ou induzível (dermografismo, frio, colinérgica, pressão, calor, solar, aquagênica).

SSJ/NET é um espectro pela área de descolamento: SSJ < 10%, sobreposição 10–30%, NET > 30% da superfície corporal (documento Bolhas na pele da criança do site). Começa 7–14 dias após o primeiro contato com o fármaco, ou em até 3 dias numa reexposição (NICE CG183), com febre e pele dolorosa antes das bolhas.

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Urticária localizada ou disseminada com prurido tolerável, sem angioedema de face e sem sintomas sistêmicos; urticária crônica controlada; eritema multiforme menor (alvos acrais, sem ou com pouca lesão oral), criança bem e aceitando líquidos Casa: anti-H1 de 2ª geração em horário fixo, afastar gatilho; EM: sintomático; retorno se não melhorar em 1–2 semanas
🟡 Moderada Urticária extensa que tira o sono; angioedema de lábios, pálpebras ou extremidades sem sinal respiratório; urticária crônica sem controle com dose padrão; lesões > 24 h, dolorosas ou com púrpura (suspeita de vasculite); angioedema recorrente sem urticas; EM maior com lesão oral que aceita líquidos Reavaliação em 24–48 h; curso curto de corticoide se extensa; encaminhar ao alergista (crônica sem controle, suspeita de angioedema hereditário) ou ao dermatologista (vasculite)
🔴 Grave Anafilaxia; angioedema de língua, úvula ou laringe; pele dolorosa, bolhas, descolamento, Nikolsky positivo ou erosões em ≥ 2 mucosas (SSJ/NET); EM com lesão oral que impede a ingestão ou com lesão ocular; urticária com febre alta, púrpura e mau estado geral Pronto-socorro/hospital: adrenalina IM na anafilaxia; SSJ/NET — suspender o fármaco, UTI ou unidade de queimados, oftalmologia

Fatores que elevam a gravidade

  • Anafilaxia prévia, alergia alimentar conhecida, asma mal controlada, reação após picada ou medicamento injetável.
  • Angioedema sem urticas com dor abdominal e casos na família (pensar em angioedema hereditário).
  • Medicamento iniciado nas últimas 8 semanas (anticonvulsivantes aromáticos, lamotrigina, sulfas, AINE, alopurinol) com febre e pele dolorosa; infecção por Mycoplasma com mucosite.
  • Lactente < 6 meses (diferencial mais amplo, menos fármacos licenciados).

3.Diagnóstico no consultório

Urticária aguda: diagnóstico clínico; "não é recomendado qualquer procedimento diagnóstico de rotina" (SBP 2023; EAACI/GA²LEN 2022). Testes alérgicos só se a história sugerir alimento, medicamento ou veneno, com o alergista. Fotografias da família ajudam, pois as lesões somem.

Urticária crônica: exames guiados pela história: na espontânea, hemograma e VHS ou PCR e revisão de medicamentos de uso contínuo; o rastreamento extenso é fortemente desaconselhado; IgE total e anti-TPO ficam com o especialista (SBP 2023). Na induzível, testes de provocação específicos (dermografismo, cubo de gelo). Acompanhar a atividade com o UAS7 e o controle com o UCT (EAACI/GA²LEN 2022).

Angioedema sem urticas: pedir C4 e encaminhar ao alergista (ver Angioedema hereditário); C4 baixo com C1-inibidor baixo ou disfuncional confirma o tipo 1 ou 2.

Eritema multiforme: clínico. Perguntar por herpes labial nos 3–14 dias anteriores; PCR ou sorologia para Mycoplasma se houver tosse, febre ou lesão mucosa importante.

SSJ/NET: clínico, com biópsia no hospital. Estimar a área (palma da mão da criança ≈ 1%), testar Nikolsky, examinar boca, olhos e genitais e listar todos os medicamentos das últimas 8 semanas com datas.

Diferencial que não pode passar: vasculite urticariforme (lesão > 24 h, dolorosa, deixa púrpura); doença do soro-like (1–3 semanas após cefaclor ou amoxicilina, febre, artralgia); síndrome da pele escaldada estafilocócica (Nikolsky sem mucosas — ver Bolhas na pele da criança); doença de Kawasaki (febre ≥ 5 dias); mastocitose (sinal de Darier); exantemas virais; meningococcemia (púrpura febril).

4.Tratamento e seguimento

Urticária aguda (SBP 2023; padrão do site): anti-H1 de 2ª geração em horário fixo, mantido por alguns dias a semanas após a melhora; afastar o gatilho provável; evitar AINE durante o quadro; tratar a infecção de base. Corticoide oral só nos quadros extensos ou com angioedema importante, por poucos dias.

Urticária crônica — escalonamento (SBP 2023; EAACI/GA²LEN 2022):

  1. Anti-H1 de 2ª geração em dose padrão, todos os dias.
  2. Sem controle em 2–4 semanas: aumentar até 4 vezes a dose (fora de bula na criança; desloratadina, bilastina, levocetirizina, cetirizina, fexofenadina e rupatadina foram estudadas), sem combinar anti-histamínicos diferentes. Considerar encaminhar ao especialista.
  3. Sem controle em 2–4 semanas com dose quadruplicada: omalizumabe associado ao anti-H1 (especialista). A partir de 12 anos, o dupilumabe é outra opção do especialista quando o anti-H1 não controla (Anvisa, bula de 25/11/2024, aprovação divulgada em 12/2024; FDA também de 2 a 11 anos, 04/2026); a SBP 2023 não o inclui na escada.
  4. Sem controle em 6 meses de omalizumabe: ciclosporina (especialista).
Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Desloratadina (0,5 mg/mL) 6–11 meses 1 mg; 1–5 anos 1,25 mg; 6–11 anos 2,5 mg; ≥ 12 anos 5 mg 1 vez ao dia Enquanto houver lesões Bula a partir de 6 meses; padrão do site
Cetirizina (1 mg/mL) 2–6 anos 2,5 mg; 6–12 anos 5 mg; ≥ 12 anos 10 mg 12/12 h (2–12 anos); 1×/dia ≥ 12 anos Idem Bula; documento Urticária aguda do site
Fexofenadina (6 mg/mL) 6 meses–2 anos 15 mg; 2–11 anos 30 mg; ≥ 12 anos dose de bula 12/12 h até 11 anos Idem Bula para urticária a partir de 6 meses
Loratadina (1 mg/mL) 2–12 anos < 30 kg 5 mg; ≥ 30 kg ou ≥ 12 anos 10 mg 1 vez ao dia Idem Bula; SBP 2023
Bilastina (2,5 mg/mL) 6–11 anos ≥ 20 kg 10 mg; ≥ 12 anos 20 mg 1 vez ao dia, em jejum Idem Bula a partir de 6 anos
Anti-H1 em dose aumentada Até 4 vezes a dose padrão Conforme o fármaco Urticária crônica SBP 2023; EAACI/GA²LEN 2022; fora de bula, de preferência com o alergista
Prednisolona ou prednisona 1 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia) 1 vez ao dia 3–5 dias Padrão do site (urticária grave); SBP 2023: 0,5–1 mg/kg por 3–10 dias; nunca de uso prolongado
Omalizumabe SC 300 mg A cada 4 semanas Até remissão; espaçar após 6 meses controlado SBP 2023; licenciado a partir de 12 anos; especialista
Dupilumabe SC Conforme bula A cada 2 semanas Conforme resposta Anvisa 2024: urticária crônica espontânea não controlada com anti-H1, ≥ 12 anos; opção do especialista; não consta da SBP 2023
Ciclosporina VO 3–5 mg/kg/dia Dividida em 2 doses Em geral ≤ 2 anos SBP 2023; função renal, hepática e PA; especialista
Adrenalina 1 mg/mL IM 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg na criança; 0,5 mg no adolescente) Repetir em 5–15 min Emergência Padrão do site (Protocolo de Anafilaxia)

Não usar: anti-H1 de 1ª geração (hidroxizina, dexclorfeniramina, prometazina), exceto por problema social — prurido noturno que impede o sono da família —, por curto período e fora da faixa de contraindicação (padrão do site; SBP 2023 e EAACI 2022 não os recomendam); corticoide de uso prolongado na urticária crônica (SBP DC nº 220/2025); corticoide tópico e loção anti-histamínica; dieta de exclusão empírica; anti-H2 e antileucotrieno no tratamento inicial.

Angioedema: o histaminérgico segue a urticária. O recorrente sem urticas vai ao alergista com prioridade; na crise com via aérea, ver Angioedema hereditário (o tratamento é inibidor de C1 ou icatibanto, no hospital).

Eritema multiforme:

  • Suporte: analgesia (dipirona 15 mg/kg/dose 6/6 h ou paracetamol 10–15 mg/kg/dose, padrão do site), anti-H1 de 2ª geração se prurido, higiene oral com soluções suaves e líquidos frios; corticoide tópico nas lesões cutâneas sintomáticas.
  • Associado a Mycoplasma: tratar a infecção — azitromicina 10 mg/kg no 1º dia (máx. 500 mg) e 5 mg/kg/dia do 2º ao 5º dia (máx. 250 mg) (padrão do site, Decisões de 30/09/2026).
  • Associado a herpes: o antiviral no episódio já instalado pouco muda a evolução; o EM recorrente pode receber profilaxia antiviral contínua, decidida pelo dermatologista.
  • Corticoide sistêmico no EM é controverso e fica com o especialista.

SSJ/NET (o pediatra reconhece e transfere; o tratamento é hospitalar):

  • Suspender imediatamente todo medicamento suspeito e não reintroduzi-lo nunca; registrar a alergia.
  • Tratamento em UTI pediátrica ou unidade de queimados, com equipe multidisciplinar e avaliação oftalmológica precoce — a sequela ocular é a mais incapacitante (revisão sistemática das diretrizes pediátricas, 2026; BAD 2018).
  • O suporte (curativos não aderentes, preservar a epiderme descolada como curativo biológico, líquidos, nutrição, analgesia, controle térmico) é consenso; imunoglobulina IV, corticoide e ciclosporina têm evidência fraca ou incerta na criança e são decisão do centro (SBP DC nº 220/2025; revisão sistemática 2026).
  • Seguimento após a alta: olhos, boca, genitais, unhas, pele e saúde mental; cartão de alergia.

O que é do pediatra: urticária aguda, urticária crônica nos dois primeiros passos, EM menor, reconhecimento e transferência das formas graves, vacinas e orientação. O que é do especialista: urticária crônica refratária (omalizumabe, ciclosporina), investigação de angioedema sem urticas, EM recorrente e SSJ/NET.

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Anafilaxia (critérios WAO 2020), mesmo após melhora com adrenalina; angioedema de língua, úvula, orofaringe ou laringe (disfonia, estridor, sialorreia, disfagia).
  • Suspeita de SSJ/NET: pele dolorosa, bolhas ou descolamento, Nikolsky positivo, erosões em duas ou mais mucosas, conjuntivite com secreção ou dor ocular, sobretudo com medicamento recente.
  • EM maior com recusa de líquidos, desidratação ou lesão ocular.
  • Urticária com febre alta, púrpura ou mau estado geral (vasculite, doença do soro grave, meningococcemia).

Como encaminhar: na anafilaxia, adrenalina IM 0,01 mg/kg antes de tudo, posição adequada e SAMU (192). Na SSJ/NET: suspender os medicamentos e levar a lista com doses e datas; oxigênio para manter SpO2 entre 94% e 98% se necessário; acesso venoso e cristaloide se má perfusão, sem retardar o transporte; analgesia; cobrir a pele com lençol limpo ou gaze vaselinada, sem esparadrapo e sem cremes novos; manter a criança aquecida; contato prévio com o serviço (UTI ou queimados); relatório com evolução e medicamentos.

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "As placas da urticária aparecem e somem em horas, mudando de lugar; isso pode durar dias a poucas semanas depois de uma virose."
  • "Dê o antialérgico todos os dias, no horário, e não só quando coçar."
  • "Não use ibuprofeno ou outros anti-inflamatórios enquanto houver placas."
  • "Placas por mais de 6 semanas: volte para avaliar urticária crônica."
  • "No eritema multiforme as manchas em alvo ficam paradas por 1–2 semanas e somem sozinhas; ofereça líquidos frios se a boca doer."
  • Pronto-socorro ou SAMU (192) se: voz rouca, falta de ar, chiado, inchaço da língua ou da garganta, vômitos repetidos, desmaio; pele que dói ou descola, bolhas, feridas na boca, nos olhos ou nos genitais, olhos vermelhos com dor, febre com manchas roxas; criança que não consegue beber.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Versão consultada Diretrizes nº 118, 24/11/2023; DC nº 220, 25/07/2025 Sem protocolo de urticária ou SSJ/NET localizado Sem diretriz própria localizada CG183 (03/09/2014) para reação a fármaco; CKS de urticária (não aberta) SEPEAP, Pediatría Integral 2023 Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada BAD 2018 (SSJ/NET pediátrica, com autores de Oxford e Cambridge)
Urticária aguda Sem exames; anti-H1 2ª geração; corticoide 0,5–1 mg/kg, 3–10 dias — — — Anti-H1 2ª geração; dobrar a dose se grave — — —
Urticária crônica 2ª geração → até 4× → omalizumabe → ciclosporina — — — Até 4×; omalizumabe — — —
1ª geração Desencorajada — — — — — — —
SSJ/NET Corticoide com evidência fraca — — Encaminhar a serviço de alergia; início 7–14 dias — — — UTI/queimados; suporte; oftalmologia
Angioedema sem urticas Investigar deficiência de C1-INH PCDT 2016 (ver Angioedema hereditário) — — C4 e C1-inibidor — — —

Leitura: há convergência na definição (aguda até 6 semanas), na ausência de exames na urticária aguda, no anti-H1 de 2ª geração como primeira linha e no abandono da 1ª geração, no escalonamento da crônica (até 4 vezes → omalizumabe → ciclosporina), na investigação do angioedema sem urticas pelo C4 e C1-inibidor e no manejo da SSJ/NET em UTI ou unidade de queimados, com suspensão do fármaco e oftalmologia. Divergências: no aumento de dose na urticária aguda grave, a SEPEAP dobra a dose, enquanto SBP e EAACI reservam o aumento até 4 vezes à crônica; no corticoide, a SBP admite 0,5–1 mg/kg por 3–10 dias, a EAACI recomenda uso muito restrito em crianças e o site fixa 1 mg/kg/dia (máx. 40 mg) por 3–5 dias; nas terapias da SSJ/NET (imunoglobulina, corticoide, ciclosporina), as diretrizes pediátricas discordam e nenhuma tem evidência forte. O Ministério da Saúde, o AAP, Johns Hopkins e Harvard não têm posição específica localizada sobre urticária ou SSJ/NET. Posição do site: SBP (Diretrizes nº 118/2023 e DC nº 220/2025), com a dose de corticoide do padrão do site e o manejo hospitalar da SSJ/NET igual ao do documento Bolhas na pele da criança.

Pontos práticos
  1. Em toda urticária, procure primeiro anafilaxia: voz, respiração, perfusão e PA; se houver, adrenalina IM e pronto-socorro.
  2. Urticária aguda na criança é quase sempre infecciosa: sem exames e sem rotular alergia a antibiótico sem avaliação.
  3. Anti-H1 de 2ª geração em horário fixo; na crônica sem controle, até 4 vezes a dose e, depois, omalizumabe com o especialista.
  4. Angioedema recorrente sem urticas e sem prurido: C4 e alergista; não responde a anti-histamínico, corticoide nem adrenalina.
  5. Alvo fixo por dias, após herpes ou Mycoplasma, é eritema multiforme; urticária multiforme some em menos de 24 h.
  6. Pele dolorosa, bolhas e duas mucosas após medicamento recente é SSJ/NET: suspender o fármaco e hospital no mesmo dia.

Veja também, nesta Biblioteca: Urticária aguda (Patologias do consultório); Anafilaxia e autoaplicador de adrenalina, Angioedema hereditário, Alergia a medicamentos e Alergia a insetos (himenópteros) (nesta área); Protocolo de Anafilaxia (Urgências e emergências); Bolhas na pele da criança — da infecção à epidermólise bolhosa, Mastocitose cutânea na criança e Prurigo estrófulo e reações a picadas de insetos (Dermatologia); Anti-histamínicos na rinite alérgica e na urticária em crianças e adolescentes (Temas atualizados pela SBP).

8.Fontes

  • SBP, Departamentos Científicos de Alergia e de Dermatologia. Abordagem da urticária na criança e no adolescente. Diretrizes nº 118, 24/11/2023. PDF
  • SBP, Departamento Científico de Alergia. Uso de corticosteroides sistêmicos em doenças alérgicas em Pediatria. Documento Científico nº 220, 25/07/2025. PDF
  • Zuberbier T et al. The international EAACI/GA²LEN/EuroGuiDerm/APAAACI guideline for the definition, classification, diagnosis, and management of urticaria. Allergy, 2022;77:734–766. PDF
  • SEPEAP. Ortega C. Urticaria y angioedema. Pediatría Integral, 2023;XXVII(3):141–151. PDF
  • NICE. Drug allergy — diagnosis and management. CG183, 03/09/2014. nice.org.uk
  • McPherson T et al. British Association of Dermatologists' guidelines for the management of Stevens-Johnson syndrome/toxic epidermal necrolysis in children and young people, 2018. Br J Dermatol, 2019;181(1):37–54. PubMed
  • Creighton et al. Diagnosis and management of Stevens-Johnson syndrome and toxic epidermal necrolysis in pediatric patients — a systematic review of clinical guidelines and consensus statements. Pediatr Dermatol, 2026. PMC
  • Documentos do site: Urticária aguda (Patologias do consultório, doses dos anti-H1 por bula); Bolhas na pele da criança (Dermatologia, SSJ/NET); Protocolo de Anafilaxia (Urgências e emergências).
  • Sanofi. Dupixent (dupilumabe) — bula aprovada pela Anvisa em 25/11/2024 (indicação 1.7, urticária crônica espontânea a partir de 12 anos); Anvisa aprova Dupixent para urticária crônica espontânea, dez/2024. PR Newswire