Alergia e Imunologia · Reações alérgicas

Anafilaxia e autoaplicador de adrenalina

Critérios WAO 2020 adotados pela SBP, adrenalina IM 0,01 mg/kg, autoinjetor de 0,15 ou 0,3 mg por peso, quem deve recebê-lo, técnica, plano de ação escrito, observação após a crise e acesso ao dispositivo no Brasil

Gravidade em semáforo (🟢 leve · 🟡 moderada · 🔴 grave), conduta ambulatorial e critérios para encaminhar ao especialista, ao pronto-socorro ou internar, com a comparação entre SBP/Ministério da Saúde e as referências internacionais (convergências e divergências). 📄 Baixar em PDF

Em resumo

A anafilaxia é a reação alérgica sistêmica grave, de início agudo e potencialmente fatal. O diagnóstico é clínico, pelos dois critérios da WAO 2020 adotados pela SBP (Guia Prático nº 6, 2021): pele ou mucosa com comprometimento respiratório, circulatório ou gastrintestinal grave, ou, mesmo sem pele, hipotensão, broncoespasmo ou envolvimento laríngeo após alérgeno provável. Toda anafilaxia é 🔴: adrenalina IM 1 mg/mL, 0,01 mg/kg (máximo 0,3 mg na criança e 0,5 mg no adolescente), no vasto lateral da coxa, já no consultório ou em casa, repetida em 5–15 min se necessário, e transferência ao pronto-socorro pelo SAMU (192), mesmo que a criança melhore; observação de 6–8 h nos casos leves e 24–48 h nos graves (SBP 2021). Anti-histamínico e corticoide não substituem a adrenalina. Na alta, o site prescreve sempre o autoinjetor — 0,15 mg abaixo de 30 kg e 0,3 mg a partir de 30 kg (SBP 2021) —, dá plano de ação escrito, treina família e escola e encaminha ao alergista. No Brasil nenhum autoinjetor tem registro sanitário: o acesso é por importação excepcional (ASBAI, 2026). Fica em casa (🟢) apenas a reação só cutânea, sem critério de anafilaxia.

1.O que é e como se apresenta

A anafilaxia resulta da liberação maciça de mediadores de mastócitos e basófilos (histamina, triptase, leucotrienos). Na criança, os desencadeantes mais comuns são alimentos (leite, ovo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar, trigo), medicamentos (betalactâmicos, anti-inflamatórios) e veneno de himenópteros (abelha, vespa, formiga); também látex, exercício associado a alimento e casos sem causa identificada (Protocolo de Anafilaxia do site; SBP 2021).

Critérios diagnósticos (WAO 2020, adotados pela SBP 2021 e pelo site) — anafilaxia é altamente provável com qualquer um:

Critério Condição
1 — Com pele ou mucosa Início agudo (minutos a algumas horas) de urticária generalizada, prurido, rubor ou edema de lábios, língua ou úvula e pelo menos um: comprometimento respiratório; hipotensão ou disfunção de órgão-alvo (hipotonia, síncope, incontinência); sintomas gastrintestinais graves (cólica intensa, vômitos repetidos), sobretudo após alérgeno não alimentar
2 — Mesmo sem pele Início agudo de hipotensão, broncoespasmo ou envolvimento laríngeo (estridor, alteração da voz, dor ao engolir) após exposição a alérgeno conhecido ou altamente provável para aquele paciente

Hipotensão na criança (SBP 2021; WAO 2020): queda > 30% da PA sistólica basal, ou PA sistólica < 70 mmHg + (2 × idade em anos) de 1 a 10 anos e < 90 mmHg acima de 10 anos.

Pistas no lactente: choro rouco, lambedura repetida dos lábios, irritabilidade, palidez, sonolência súbita, recusa alimentar e taquicardia inexplicada (Protocolo de Anafilaxia do site). Em até 20% dos casos graves não há pele, o que atrasa o diagnóstico. A reação bifásica ocorre em cerca de 10% dos casos, sobretudo 8–12 h após o episódio, sem nova exposição (SBP 2021).

2.Classificação de gravidade

Gravidade Critérios clínicos Conduta
🟢 Leve Reação alérgica só cutânea (urticária, prurido, angioedema de lábios ou pálpebras) sem critério de anafilaxia, criança bem, com voz, respiração, perfusão e PA normais Anti-histamínico de 2ª geração; afastar o desencadeante; plano de ação; alergista se suspeita de alimento, medicamento ou veneno (ver Urticária aguda)
🟡 Moderada Reação só cutânea em criança de risco (anafilaxia prévia, asma mal controlada, alergia alimentar conhecida) ou após picada de himenóptero ou medicamento injetável; sintomas iniciados há pouco tempo Observar no consultório ou no pronto-socorro, com adrenalina preparada; ao primeiro sinal respiratório, circulatório ou gastrintestinal grave, tratar como 🔴
🔴 Grave Qualquer critério de anafilaxia: estridor, rouquidão, sibilância, dispneia, SpO2 < 94%, hipotensão, palidez, hipotonia, síncope, vômitos repetidos ou dor abdominal intensa após alérgeno provável; edema de língua ou úvula Adrenalina IM imediata, posição adequada, oxigênio, SAMU (192) e pronto-socorro, mesmo que melhore; observação 6–8 h (leve) ou 24–48 h (grave)

Fatores que elevam a gravidade e o risco de morte

  • Asma, sobretudo mal controlada — maior risco de anafilaxia fatal (SBP 2021).
  • Atraso da adrenalina — principal fator associado a desfecho fatal; deixar a criança em pé ou fazê-la andar.
  • Adolescência (demora em usar o autoinjetor, comportamento de risco) e anafilaxia por amendoim ou castanhas.
  • Anafilaxia prévia, reação bifásica prévia, necessidade de mais de uma dose de adrenalina.
  • Mastocitose (ver Mastocitose cutânea na criança); uso de betabloqueador (resposta menor à adrenalina — SBP 2021).

3.Diagnóstico no consultório

É clínico. Não se espera exame para tratar. Pergunte o que a criança comeu, tomou ou tocou e se houve picada ou exercício nas 2 h anteriores; examine voz, ausculta, SpO2, frequência cardíaca, perfusão e PA.

Exames: a triptase sérica colhida entre 1 e 2 h após o início (e uma basal depois) ajuda no diagnóstico retrospectivo, mas não muda a conduta aguda e não deve atrasar a adrenalina; abaixo de 16 anos o NICE NG258 tem recomendação própria sobre quando dosá-la (decisão de vigilância de 06/2026). A investigação do desencadeante (IgE específica, testes cutâneos, provocação) é do alergista.

Diagnóstico diferencial que não pode passar: síncope vasovagal (palidez, bradicardia, recuperação rápida em decúbito, sem urticária nem broncoespasmo); crise de asma isolada; aspiração de corpo estranho; crise de angioedema hereditário (sem urticária nem prurido, não responde à adrenalina — ver Angioedema hereditário); choque séptico; crise de ansiedade. Na dúvida, aplique a adrenalina: o risco de não tratar é muito maior que o de tratar.

4.Tratamento e seguimento

No consultório (o que o pediatra faz): chamar ajuda e acionar o SAMU; retirar o alérgeno (ferrão, alimento da boca, infusão); adrenalina IM imediatamente; posição conforme o quadro; oxigênio por máscara para manter SpO2 entre 94% e 98%; monitorar FC, FR, SpO2 e PA; acesso venoso e expansão se hipotensão; segunda dose de adrenalina após 5–15 min sem melhora.

Posição: deitada com as pernas elevadas se hipotensa ou pálida; sentada se o desconforto respiratório predomina; de lado se vomita ou está sonolenta; nunca colocar em pé nem levantar de repente (Protocolo do site).

Medicamento Dose Intervalo Duração Observação e referência
Adrenalina 1 mg/mL IM (vasto lateral da coxa) 0,01 mg/kg (= 0,01 mL/kg), máx. 0,3 mg na criança e 0,5 mg no adolescente Repetir a cada 5–15 min se necessário Até melhora; ≥ 3 doses: tratar como refratária SBP 2021 e padrão do site (Protocolo de Anafilaxia); pode ser aplicada sobre a roupa
Autoinjetor de adrenalina 0,15 mg abaixo de 30 kg; 0,3 mg a partir de 30 kg 2ª dose em 5–15 min se não melhorar Dose de emergência SBP 2021 (0,1 mg para lactentes onde existir); padrão do site; 2 dispositivos (NICE NG258)
Soro fisiológico 0,9% IV 5–10 mL/kg nos primeiros 5 min; até 30 mL/kg na 1ª hora Conforme pulso e PA Até estabilizar SBP 2021 (Protocolo de Anafilaxia do site)
Salbutamol spray com espaçador 50 mcg/kg/dose = 1 jato/2 kg (máx. 10 jatos) A cada 20 min, se sibilância persistir Adjuvante SBP 2021; não substitui a adrenalina
Anti-histamínico H1 de 2ª geração VO Dose de bula para a idade (ver Urticária aguda) Conforme bula ≥ 7 dias após a alta SBP 2021; só sintomático; 1ª geração não usada no site
Prednisona ou prednisolona VO 1–2 mg/kg/dia, dose única (máx. 40 mg/dia, padrão do site) 1 vez ao dia 5–7 dias após a alta SBP GPA nº 6/2021, mantido pelo Protocolo do site; a SBP (DC nº 220/2025) e a ASBAI/SBP 2025 não veem evidência de prevenção da reação bifásica — ver "Leitura"

Infusão contínua de adrenalina na anafilaxia refratária (no hospital): 0,05–1 mcg/kg/min, titulada (SBP, Manual de Orientação nº 5/2019, padrão do site); glucagon no usuário de betabloqueador (Protocolo de Anafilaxia do site).

Não fazer: esperar "para ver se piora"; dar anti-histamínico, dipirona ou corticoide no lugar ou antes da adrenalina; aplicar a adrenalina no deltoide ou por via subcutânea; usar adrenalina IV em bolo fora de parada cardíaca; deixar a criança em pé; liberar sem observação após a adrenalina.

Autoaplicador (autoinjetor) de adrenalina

Quem deve receber a prescrição (padrão do site):

  • Toda criança que teve anafilaxia, por qualquer causa (decisão do site; SBP 2021: risco contínuo de morte e de exposição; AAP 2017).
  • Reação sistêmica a himenóptero (ver Alergia a insetos); a reação local extensa isolada não exige autoinjetor.
  • Alergia alimentar IgE mediada com risco alto (reação sistêmica prévia, amendoim ou castanhas, asma associada), a critério do alergista (AAP 2017: alguns pacientes de alto risco mesmo sem anafilaxia prévia).
  • Anafilaxia induzida por exercício e anafilaxia idiopática.
  • Toda criança com mastocitose (decisão do site).

Dose por peso: 0,15 mg abaixo de 30 kg; 0,3 mg a partir de 30 kg (SBP 2021; padrão do site). Abaixo de cerca de 15 kg, o dispositivo de 0,15 mg é uma dose relativamente alta, mas o risco de não aplicar é maior; o AAP (2017) reconhece esse dilema. A AEP (2019) usa outra faixa (0,15 mg < 25 kg; 0,3 mg de 25 a 50 kg; 0,5 mg > 50 kg) — divergência registrada; o site segue a SBP.

Técnica (orientar e treinar com o dispositivo de treino):

  1. Retire o autoinjetor do estojo e a tampa de segurança, sem pôr o dedo na ponta da agulha.
  2. Apoie a ponta na face anterolateral da coxa, no meio entre o quadril e o joelho, podendo ser sobre a roupa (evitar costura e bolso).
  3. Pressione com firmeza, em 90°, até o clique, e mantenha pelo tempo indicado na bula do modelo prescrito.
  4. Na criança pequena, segure a perna para que não se mova.
  5. Ligue para o SAMU (192), deite a criança (sentada se falta de ar) e anote o horário.
  6. Sem melhora em 5–15 min, aplique o segundo autoinjetor. Vá ao pronto-socorro mesmo com melhora.

Cuidados: carregar dois dispositivos sempre (escola, festas, viagens, esporte); conferir validade; guardar na temperatura indicada na bula, longe do calor do carro e sem geladeira; solução turva ou com partículas deve ser trocada. Injeção acidental no dedo: pronto-socorro.

Acesso no Brasil: nenhum autoinjetor de adrenalina tem registro sanitário regular; a aquisição é por importação excepcional, com prescrição detalhada, relatório médico justificando o risco, documentos da Anvisa e termo de responsabilidade (ASBAI, lista de importadoras, consultada em 10/2026; Protocolo de Anafilaxia do site). Enquanto o dispositivo não chega, a família e a escola recebem o plano de ação, sabem acionar o SAMU e procurar o serviço mais próximo; a adrenalina em ampola é aplicada por profissional de saúde. O spray nasal de adrenalina, aprovado nos EUA e na Europa e sem registro no Brasil, pode ser citado como alternativa importada, mas o site continua prescrevendo o autoinjetor (Protocolo de Anafilaxia do site).

Plano de ação escrito

Toda criança com risco de anafilaxia recebe um plano de ação personalizado (SBP 2021; AAP 2017 — Wang e Sicherer), com cópia para a escola, contendo:

  • nome, foto, peso e data da revisão; alérgeno confirmado ou suspeito e o que evitar;
  • sinais leves (só pele) e sinais de anafilaxia, com a ordem clara: "adrenalina primeiro, depois SAMU 192";
  • nome e dose do autoinjetor, local de aplicação, segunda dose; anti-histamínico só para sintomas leves;
  • asma: manter controle e levar o broncodilatador, que não substitui a adrenalina;
  • telefones da família e do médico; identificação (pulseira ou cartão).

O que é do especialista: investigar o desencadeante, decidir dieta, provocação, dessensibilização e imunoterapia com veneno (ver Imunoterapia alérgica). O que é do pediatra: reconhecer e tratar, prescrever o autoinjetor, revisar peso (troca para 0,3 mg ao atingir 30 kg), validade e técnica em toda consulta, manter a asma controlada e vacinar normalmente (ver Eventos supostamente atribuíveis à vacinação (ESAVI) e contraindicações verdadeiras e falsas).

5.Quando encaminhar ao pronto-socorro ou internar

  • Toda anafilaxia (critério 1 ou 2), mesmo após melhora com a adrenalina — observação de 6–8 h nos leves e 24–48 h (internação) nos graves (SBP 2021).
  • Necessidade de mais de uma dose de adrenalina, hipotensão, hipoxemia, estridor ou edema de língua.
  • Reação bifásica prévia, asma grave, desencadeante desconhecido ou absorção contínua do alérgeno.
  • Reação só cutânea em criança de alto risco com sintomas ainda em progressão.

Como encaminhar: adrenalina IM antes de tudo, sem esperar o SAMU; posição adequada (nunca em pé); oxigênio para manter SpO2 entre 94% e 98%; acesso venoso e SF 0,9% 5–10 mL/kg nos primeiros 5 min se hipotensão (até 30 mL/kg na 1ª hora); segunda dose em 5–15 min se necessário; SAMU (192) e contato com o serviço; relatório com horário da exposição, doses e horários da adrenalina e resposta; levar o autoinjetor usado.

Alta (Protocolo de Anafilaxia do site): PA normal sem expansão nas últimas 2 h, SpO2 ≥ 95% em ar ambiente, sem urticária, edema ou broncoespasmo há ≥ 1 h, consciência normal e aceitação oral; autoinjetor prescrito e técnica treinada, plano de ação, anti-H1 de 2ª geração por ≥ 7 dias e encaminhamento ao alergista pediátrico (com prioridade se o desencadeante é desconhecido).

6.Orientações de retorno e sinais de alerta para a família

  • "Ao primeiro sinal de falta de ar, chiado, voz rouca, inchaço da língua, vômitos repetidos, palidez ou moleza depois de comer, tomar remédio ou ser picado: adrenalina primeiro, na coxa, e depois ligue 192."
  • "Use o autoinjetor mesmo na dúvida. Ele não faz mal quando usado sem necessidade, mas a demora pode custar a vida."
  • "Depois da adrenalina, vá sempre ao pronto-socorro: os sintomas podem voltar horas depois."
  • "Leve dois autoinjetores para todo lugar, confira a validade e ensine a escola, os avós e os treinadores."
  • "Antialérgico ajuda na coceira, mas não trata anafilaxia."
  • Volte ao pediatra: ao trocar de faixa de peso (30 kg), antes do vencimento do dispositivo, para revisar o plano de ação a cada ano e se a asma piorar.

7.Comparação com as referências

Item SBP Ministério da Saúde AAP NICE AEP Johns Hopkins Harvard Oxford / Cambridge
Versão consultada GPA nº 6, 31/05/2021; DC nº 220, 25/07/2025 Sem protocolo de anafilaxia pediátrica localizado; sem autoinjetor registrado Clinical reports 2017 (Sicherer; Wang) NG258, 27/05/2026 Protocolo de Anafilaxia, 2019 Sem posição específica localizada Sem posição específica localizada Segue o NICE
Critérios WAO 2020 (2 critérios) — Critérios clínicos validados Documentar o episódio WAO — — Segue o NICE
Adrenalina IM 0,01 mg/kg; máx. 0,3 mg criança, 0,5 mg adolescente — IM na coxa, imediata IM (RCUK) 0,01 mg/kg; máx. 0,5 mg — — Segue o NICE
Autoinjetor por peso 0,15 mg até 30 kg; 0,3 mg acima; 0,1 mg lactente Importação excepcional 0,15 ou 0,3 mg; dilema < 15 kg 2 autoinjetores 0,15 < 25 kg; 0,3 25–50; 0,5 > 50 kg — — Segue o NICE
Observação GPA 2021: 6–8 h leve; 24–48 h grave (ASBAI/SBP 2025: 2 h / 6 h / 12 h) — Individualizar 2 h / 6 h / 12 h conforme risco 4–8 h — — Segue o NICE
Plano e encaminhamento Plano escrito; escola; alergista para todos — Plano escrito personalizado; escola Serviço especializado em alergia Alergista — — Segue o NICE

Leitura: todas as referências concordam no essencial — diagnóstico clínico, adrenalina IM na coxa, imediata e repetível em 5–15 min, anti-histamínico e corticoide só como adjuvantes, autoinjetor, plano de ação escrito e encaminhamento ao alergista. Divergências: (1) dose máxima na criança — 0,3 mg pela SBP, 0,5 mg pela AEP; (2) faixas de peso do autoinjetor — troca para 0,3 mg aos 30 kg pela SBP e aos 25 kg pela AEP, que ainda indica 0,5 mg acima de 50 kg; o AAP reconhece que 0,15 mg é dose alta abaixo de 15 kg; (3) observação — 6–8 h nos leves e 24–48 h nos graves pelo GPA nº 6 da SBP (2021), contra 4–8 h na AEP (2019) e alta possível após 2 h no NICE NG258 e no próprio posicionamento ASBAI/SBP 2025 (2 h após boa resposta a uma dose dada nos primeiros 30 min, com autoinjetor e treino; 6 h com duas doses ou reação bifásica prévia; 12 h nos casos graves); (4) corticoide após a alta — o GPA nº 6 (2021) o prescreve por 5–7 dias, enquanto o DC nº 220/2025 da própria SBP e a ASBAI/SBP 2025 concluem que não há evidência de que o corticoide previna a reação bifásica. Os documentos de 2025 da SBP divergem, portanto, do GPA de 2021 nesses dois pontos; por ora o site mantém o Protocolo de Anafilaxia (observação 6–8 h / 24–48 h e corticoide por 5–7 dias), e a revisão está em decisão. O Ministério da Saúde não tem protocolo de anafilaxia pediátrica localizado e não há autoinjetor registrado na Anvisa. Posição do site: SBP — critérios WAO 2020, adrenalina 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg na criança e 0,5 mg no adolescente), autoinjetor de 0,15 mg abaixo de 30 kg e 0,3 mg a partir de 30 kg, sempre prescrito após anafilaxia, observação 6–8 h ou 24–48 h.

Pontos práticos
  1. Anafilaxia é diagnóstico clínico: pele ou mucosa com respiração, circulação ou intestino grave, ou hipotensão, broncoespasmo ou laringe após alérgeno provável, mesmo sem pele.
  2. Adrenalina 1 mg/mL IM na coxa, 0,01 mg/kg (máx. 0,3 mg na criança, 0,5 mg no adolescente), já no consultório; repetir em 5–15 min.
  3. Autoinjetor: 0,15 mg abaixo de 30 kg, 0,3 mg a partir de 30 kg; sempre dois; revisar peso, validade e técnica em toda consulta.
  4. Depois da adrenalina, sempre pronto-socorro: observação de 6–8 h nos leves e 24–48 h nos graves.
  5. Plano de ação escrito para casa e escola, com "adrenalina primeiro, depois 192"; encaminhar ao alergista.
  6. No Brasil o autoinjetor é importado (ASBAI): oriente a família logo na alta e não deixe a criança sem plano enquanto ele não chega.

Veja também, nesta Biblioteca: Protocolo de Anafilaxia e PALS — Suporte Avançado de Vida em Pediatria (Urgências e emergências); Urticária, angioedema, eritema multiforme e SSJ/NET, Angioedema hereditário, Alergia a medicamentos, Alergia a insetos (himenópteros), Imunoterapia alérgica, Alergia alimentar IgE mediada — ovo, amendoim, castanhas, trigo, peixes e frutos do mar e Testes alérgicos na criança — quando pedir e como interpretar (nesta área); Urticária aguda (Patologias do consultório); Mastocitose cutânea na criança e Prurigo estrófulo e reações a picadas de insetos (Dermatologia); Eventos supostamente atribuíveis à vacinação (ESAVI) e contraindicações verdadeiras e falsas (Imunizações).

8.Fontes

  • SBP, Departamento Científico de Alergia. Anafilaxia — atualização 2021. Guia Prático de Atualização nº 6, 31/05/2021. PDF
  • SBP, Departamento Científico de Alergia. Uso de corticosteroides sistêmicos em doenças alérgicas em Pediatria. Documento Científico nº 220, 25/07/2025. PDF
  • ASBAI. Lista consolidada de importadoras de adrenalina autoinjetável (consultada em 10/2026). asbai.org.br
  • AAP, Section on Allergy and Immunology. Sicherer SH, Simons FER. Epinephrine for first-aid management of anaphylaxis. Pediatrics, 2017;139(3):e20164006. PubMed
  • AAP, Section on Allergy and Immunology. Wang J, Sicherer SH. Guidance on completing a written allergy and anaphylaxis emergency plan. Pediatrics, 2017;139(3):e20164005. PubMed
  • NICE. Anaphylaxis — assessment and referral after emergency treatment. NG258, 27/05/2026. nice.org.uk
  • AEP. Juliá Benito JC, Álvarez Caro F. Anafilaxia en Pediatría. Protoc diagn ter pediatr, 2019;2:363-80. PDF
  • Documento do site: Protocolo de Anafilaxia (Urgências e emergências), revisão 10/2026 — critérios, doses, observação, alta, mastocitose e adrenalina intranasal.